“Portugal tem tido aumentos significativos da abstenção nestes 30 anos de democracia”

“Portugal tem tido aumentos significativos da abstenção nestes 30 anos de democracia. Em 1980, 16% do eleitorado absteve-se. Em 2005, esse valor tinha mais que duplicado, atingindo 36% do eleitorado”
Alcidio Torres e Maria Amélia Antunes, O Regresso dos Partidos

A abstenção é a grande doença da democracia ocidental. Mas falta precisão nesta frase. Concedamos então alguma desta omissão precisão e acrescentemos:
“A abstenção CRONICA é a grande doença da nossa democracia”. E com efeito, eleições passadas realizadas em Portugal e eleições recentes levadas a cabo noutros países da Europa indicam um facto curioso: o mercado eleitoral dos novos partidos, partidos emergentes ou puros “partidos de protesto” não tem sido nunca a abstenção mas sim o eleitorado que – por hábito pessoal ou familiar – vota nos partidos tradicionais.

Este crescimento sustentado da abstenção indica que o problema fundamental não está nem nos partidos, nem nas suas propostas ou programas, mas que é sistémico e se prende com a própria forma como a democracia é exercida em Portugal: Uma forma partidocrática, fechada aos cidadãos e à sua participação. A solução para quebrar este fenómeno da abstenção (que a prazo se arrisca a colocar em causa a própria viabilidade da democracia) passa assim unicamente por criar novos partidos ou reformar os partidos tradicionais. A solução tem que ser (nos partidos tradicionais) lutar por reformas internas (nas eleições e democracia internas) e externas (nas eleições nacionais, locais e no sistema democrático em geral) que aumentem a escala e influencia dos cidadãos na definição e implementação das politicas que a todos dizem respeito. Com mais, melhores e mais eficazes ferramentas de participação, os cidadãos participarão mais e irão abster-se cada vez menos: nos partidos tradicionais ou nos partidos emergentes.

A principal missão, assim, de todos os reformistas, de todos os cidadãos que escutam o apelo para salvar e renovar a democracia deve ser no sentido de mais e melhor democracia, não somente num, mas em todos os partidos e, nomeadamente, naquele onde melhor se revirem em pensamento e ação.

Categories: Democracia Participativa | 1 Comentário

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One thought on ““Portugal tem tido aumentos significativos da abstenção nestes 30 anos de democracia”

  1. Abstenção não é doença, o que é doença é estar ajustado a um regime profundamente doente, hoje abstenção é cidadania activa, combate ao regime podre que defende!

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