“Quando nos pedem para avaliar o quanto bem os nossos políticos nos estão a servir, fazemos um mau trabalho”

“Quando nos pedem para avaliar o quanto bem os nossos políticos nos estão a servir, fazemos um mau trabalho. Todos nós, incluindo os cidadãos “informados”, os que seguem as noticias, negligenciam o tempo necessário para estudarem os assuntos políticos mais importantes. Votamos num candidato baseados em pouco mais que “sensações” independentemente da sua honestidade ou razoabilidade.
Deve ficar claro que os eleitores não devem ser culpados pelo falhanço de julgar de forma adequadamente o desempenho dos nossos representantes. Ao fim e ao cabo, fazer tal requer que exige que tomemos uma analise profunda dos temas políticos que desafiam a nossa sociedade e como os políticos são capazes de os enfrentar. Mas a verdade é que não é realista esperar que os cidadãos sejam capazes de se lançarem num tipo de analise tao profunda.
A quantidade de informação que é preciso analisar para alcançar uma decisão informada somente sobre os assuntos políticos mais importantes é esmagadora. Numa democracia representativa, os cidadãos sabem que os seus votos individuais têm apenas uma influencia muito limitada no desfecho de uma eleição (ao fim cabo é apenas um voto entre milhões). A quantidade de trabalho envolvido numa opção politica, combinada com o baixo impacto do voto individual, torna frequente que o indivíduo se absterá de aprofundar muito as questões mais complexas. Os especialistas chamam a isto “ignorância racional”. Numa democracia representativa moderna, simplesmente não compensa ao eleitor estar completamente informado sobre os temas políticos.”
Manuel Arriaga, Reinventar a Democracia

Esta é a principal argumentação contra todas as formas de democracia semi-direta ou referendária: os cidadãos não podem participar com qualidade, tomarem decisões eficazes, porque a panóplia de informação de assistência à decisão é hoje tao extensa e complexa que só está ao alcance de uns quantos especialistas e foge assim à compreensão do cidadão médio.

É verdade que, como nunca, o mundo é hoje complexo e que a capacidade para tomar uma boa decisão é diretamente proporcional à qualidade e quantidade de informação disponível sobre o tema ou assunto em análise. Perante tal desafio, podemos responder de duas formas:

A) ou deixamos estas decisões aos nossos representantes eleitos e contamos que eles sejam especialistas em todos os temas em que decidem. Se o fizermos, entregamos os nossos destinos nas suas mãos e passamos a depender unicamente da sua vontade para que decidam sobre as nossas vidas. Ficamos igualmente dependentes de todas as teias de interesses e dependências que eles tracem – ao longo dos anos – para se perpetuarem no Poder.

B) alternativamente, podemos Participar nas decisões que nos afetam a todos… Podemos tomar parte nas decisões, com ferramentas que já existem (mas que carecem de desenvolvimento), como os referendos de iniciativa Cidadã, os referendos revogatórios ou propositivos, as iniciativas legislativas cidadãs.

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Categories: Democracia Participativa | Deixe um comentário

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