“Quem tiver militado num partido de esquerda sabe que as lógicas internas podem impor-se e ocupar boa parte do tempo da militância”

“Quem tiver militado num partido de esquerda sabe que as lógicas internas podem impor-se e ocupar boa parte do tempo da militância. Congressos, assembleias, reuniões, conspirações, listas, pactos, conversas de corredor e chamadas telefónicas que distanciam os militantes da sociedade e os conduzem a uma praxis quotidiana que adquire vida e lógica próprias e que pouco tem a ver com enfrentar o adversário”
Pablo Iglesias, Disputar a Democracia

Sem dúvida que qualquer dose de energia despendida internamente, em lógicas internas de poder ou de construção de “sindicatos” de voto, é, a prazo, auto-fágica e se encontra na direta razão do atual declínio dos partidos políticos “tradicionais” e do seu afastamento crescente da sociedade civil e dos cidadãos.

Se é necessário que os partidos se abram à comunidade é também imperativo que se fechem a esta lógicas internas de aparelho e de disputa interna permanente e de jogos de poder constantes, os quais, não raramente se estendem ao microcosmos do grupo, grupúsculo e indivíduo, numa lógica de seita que não tem nada de democrático e que, a prazo e dada a ligação entre democracia parlamentar e partidos políticos coloca em risco o próprio edifício democrático.

A energia cinética que impulsiona hoje os partidos em direcção ao Poder e à sua preservação é hoje tamanha, que é difícil reestruturar estas praticas e estruturas sem ameaçar o próprio fundamento organizacional dos partidos. Assim como é difícil reformar os partidos, tal é a sua lógica interna de disputa interna do poder e a necessidade de conquistar os “aparelhos” para os reformar (e a contradição, aparentemente insanável, que tal encerra) a tarefa de redemocratizar os partidos parece – à partida – impossível de levar a bom termo.

Mas é possível. É possível transformar estes nossos actuais “partidos de quadros”, de novo, em “partidos de militantes”, retornando a eleições directas internas para todos os órgãos, referendos internos para todas as decisões estratégicas importantes, votando programas pelos militantes e acabando com as nomeações e os órgãos de nomeação. É possível, depois, tornar estes “partidos de militantes”, em “partidos de cidadãos”, abrindo as listas a todos os cidadãos, através de eleições primárias com listas abertas e voto preferencial e permitindo que qualquer cidadão conste nelas (independentemente do pagamento de quotas ou de ser, ou não, militante).

É possível reformar os “partidos tradicionais” e, neste imperativo reformista, o PS é pela sua história, diversidade cultural e tolerância a tendências internas e extensão geográfica e demográfica o partido mais preparado para liderar esta revolução participativa interna ou melhor, para se reforçar em torno do novo conceito de um “Socialismo Participativo” ou “#ParSocialismo”. É possível, mas depende de nós e da nossa capacidade para enfrentar e vencer a latência e a erosão que o Aparelho irá naturalmente opor…

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Categories: Democracia Participativa | Deixe um comentário

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