Sobre o investimento chinês em Portugal

Ainda sobre o investimento chinês em Portugal:
Tem-se falado muito – nos últimos dias – sobre os supostos méritos do investimento chinês em Portugal. Sobre se este o pais estaria melhor que à época do ultimo governo PS ou se estaria melhor e, sobretudo, sobre as declarações de António Costa. Mas tem-se falado muito pouco daquilo que, a meu ver, é realmente importante: que investimento chinês é este e até que ponto ele é realmente útil para Portugal.

Sejamos claros: o investimento de capital de cidadãos e empresas (públicas) chinesas: tem assentado essencialmente em quatro vetores:
1. Pequeno comércio e restauração
2. Empresas públicas privatizadas (REN, EDP e Caixa Seguros)
3. Vistos Gold

Por partes:
1. O investimento feito por pequenos e médios empresários chineses na área da restauração e do pequeno comércio tem impactos positivos em Portugal? Tenho sérias dúvidas: alegadamente estes empresários recebem ajudas financeiras diretas de Pequim para servirem como eixos de exportação dos seus produtos e o facto de beneficiarem de isenções de pagamento de impostos (IRC) em Portugal (ao abrigo de um acordo bilateral), de não (com raras excepções) empregarem trabalhadores portugueses, de viverem exclusivamente de redes de trabalhadores clandestinos (que rodam cada três meses e que pernoitam frequentemente em caves ou sótãos, em camaratas sem dignidade nem higiene pessoal) torna estas empresas altamente competitivas, conseguindo assim destruir setores comerciais inteiros.

2. As empresas públicas privatizadas para mãos chinesas representaram uma transferência de soberania e controlo de empresas e setores estratégicos, com implicações em toda a economia e até na Defesa Nacional (algumas das empresas chinesas dependem indiretamente do exercito chinês). Na prática, este “investimento” não se traduziu nem na recepção de boas e novas e boas práticas de gestão, nem de know-how, nem de criação de novas empresas ou valor, mas apenas na transferência de setores monopolistas do controlo público para o controlo por parte de uma potencia estrangeira.

3. Os Vistos Gold também não se traduziram numa verdadeira melhoria para a economia nacional. Salvaram da falência muitas mediadoras imobiliárias, mas inflacionaram (até aos 500 mil euros) muitas propriedades imobiliárias, sustentando assim o crescimento de uma Bolha Imobiliária que, cedo ou tarde, há de estoirar, com reflexos em toda a economia. Como o investimento em si não foi reprodutivo, nem produziu nem valor nem emprego em quantidades significativas, teve escasso retorno no PIB.

Dito isto, o que há para elogiar no “investimento chinês”? O que há para admirar naqueles que “acreditaram quando mais ninguém queria acreditar” (palavras de António Costa no Ano Novo chinês), se se limitaram a comprar empresas publicas monopolistas e a baixo custo, sem produzirem retornos reais na economia, apenas a transferência de lucros para fora do país?… De que servem oito ou nove mil restaurantes e “lojas dos 300” em todo o pais, além do emprego clandestino (e fiscalmente não existente) de imigrantes e da destruição de empresas portuguesas concorrentes?

Por tudo isto e por muito mais sou contra este tipo de “investimento” chinês (ou de outro país).

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Categories: Economia, Portugal | Deixe um comentário

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