Vivemos hoje sob um profundo e duradouro défice democrático

Vivemos hoje sob um profundo e duradouro défice democrático. O essencial das decisões políticas não dependem da vontade directa ou indirecta (democracia representativa) dos cidadãos, mas de pólos exteriores de decisão, sejam eles os “Mercados”, as organizações supranacionais (como o FMI ou a UE) ou as grande multinacionais que, por lobbying e corrupção pura, governam, de facto, as democracia que assim são cada vez mais aparentes e menos efectivas.
Existe democracia, mas apenas formal. Na prática, as transferências de soberania, para Privados (Bancos e Multinacionais) e entidades supra-nacionais não-democráticas (FMI, Comissão Europeia, Conselho Europeu, etc) são tão grandes e extensas que vivemos hoje sob um profundo défice democrático. Perante este défice, os cidadãos afastam-se dos principais agentes da democracia, os partidos políticos, perdem o interesse na militância activa, no apoio informal e até na expressão mais básica da democracia: o exercício do direito de voto. No global, e em praticamente todos os países, os níveis de insatisfação para com o desempenho dos políticos é crescente e os partidos “anti-sistema” beneficiam com esse descontentamento. Os partidos “do Sistema”, perante esta pressão deviam estar a colocar a reforma interna nas suas prioridades, mas, contudo, são raros os que o fazem… mesmo onde a pressão de novos agentes é maior (Espanha, com o Podemos, Itália com o Cinco Estrelas e Grécia com o Syriza).
Esta separação crescente entre cidadãos e as instituições democráticas, os partidos e os políticos profissionais é a raiz do abstencionismo crónico (de que o abstencionismo eleitoral é apenas um aspecto). O fenómeno não radica assim na incapacidade de viver em comunidade, com responsabilidade social e consciência política e cívica por parte dos jovens (onde este abstencionismo é mais grave), nem por parte dos cidadãos em geral. O fenómeno deriva diretamente de uma percepção, corretamente aferida, da fraca influência do voto nas decisões políticas de largo espectro que afectam as gerações actuais e as gerações vindouras neste contexto de globalização e federalização crescentes. Quanto maior for a distância entre aspirações dos cidadãos e exercício prático dos partidos, maior será a abstenção e o desinteresse generalizado por todas as formas de vida partidária.
Para resolver este bloqueio democrático precisamos de ruptura. E de uma ruptura decisiva e urgente, capaz de resolver aquela que é a maior crise da era moderna: a da perda de credibilidade, eficácia e confiança na Democracia. É preciso garantir que as decisões que a todos os afectam cabem de factos a todos e reduzir até zero (de forma gradual, mas corajosa) o poder e a influência de todos os organismos não democráticos ou transnacionais sem legitimidade democrática directa.
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Categories: Democracia Participativa | 1 Comentário

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One thought on “Vivemos hoje sob um profundo e duradouro défice democrático

  1. não gosta de oposição este democrata, quem se manifesta de modo diferente não é publicado!

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