“A política de primeira linha atrai o tipo errado de pessoas”

“A política de primeira linha atrai o tipo errado de pessoas: Desde o começo do século XXI que parece provável que a maior parte das pessoas que decidem começar uma carreira politica sejam levadas mais por uma busca de poder ou, ainda mais deprimente, por uma combinação de ambição e por uma falta de alternativas remuneradas de carreira comparáveis, do que por um apelo genuíno aos ideais do serviço público. (…) Há duas alternativas: Aqueles que hoje em dia se juntam a um partido politico de poder e que se devotam a subir os seus degraus internos são motivados por um sentimento urgente de serviço público. Isto, contudo, não parece muito provável. Uma explicação parece mais plausível: que o auto-interesse e um desejo por poder sejam de facto aquilo que os leva a entrar na politica.”
Rebooting Democracy
Manuel Arriaga

A profissionalização da politica, juntamente com a capacidade de um partido para, uma vez no poder fazer nomeações diretas e indiretas em empresas públicas ou semi-públicas, representam alguns dos maiores riscos atuais para a democracia.

Para os combater, há que começar por extinguir as juventudes partidárias, esse verdadeiro caldo de cultura de maus hábitos, de carreirismo e oportunismo politico, fazer o mesmo com as estruturas femininas e transformar tudo isso e mais alem em quotas etárias e de sexo nas listas internas, nacionais e autárquicas no partido.

Depois dessas extinções administrativas há que instituir, nos partidos, na República e nas autarquias (todos os escalões) referendos de iniciativa cidadã, simples mas eficientes, mecanismos cidadãos de revogação de mandatos, normas e leis, uma governação aberta e transparente, votações electrónicas e ubíquas (móveis e a partir do lar) para todo o tipo de sufrágios.

Acima de tudo isto, importa “amadorizar” a politica e desprofissionalizá-la: abrir os partidos políticos aos cidadãos, determinando que as eleições primárias, com listas abertas em voto preferencial, são a regra, não a excepção, aumentar a capacidade das organizações da Sociedade Civil e a sua influencia junto do poder politico e procurar que os partidos se tornem cada vez menos “aparelhos” e maquinas de ganhar eleições e de conservação do poder e cada vez mais aglomerados de cidadãos eleitores, sem militância explicitamente inscrita, voluntariado como regra (e sem funcionalismos), com direcções não profissionalizadas, nem estruturas pesadas e físicas desajustadas ao tempo da Internet e das Redes Sociais e que acabam consumindo uma grande parcela dos orçamentos partidários.

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Categories: Democracia Participativa | Deixe um comentário

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