Os partidos políticos “tradicionais” estão doentes

Os partidos políticos “tradicionais” estão doentes: padecem de “partidarite aguda” (uma inflamação grave daquilo para que foram originalmente criados) . Com efeito, os partidos políticos contemporâneos estão “Terminalmente doentes” no sentido em que os remédios para a sua cura e ressuscitação que existem e são conhecidos enfrentam a oposição interna, organizada e poderosa de varias forças que tudo farão para resistir à sua recuperação já que esta se tem que fazer, inevitavelmente à sua custa e sacrificando a influencia imperial e imperialista que estas forcas conservadoras neles possuem.

As forcas de bloqueio do interior dos partidos são conhecidas. São a influencia predominante, que tudo seca à sua volta, das juventudes partidárias, verdadeiros caldos de cultura de tudo o que – em termos culturais e de atitude – está errado nos partidos. São os aparelhos distritais e concelhios semiprofissionais ou profissionalizados. São as culturas de seguidismo e unanimismo que bloqueiam o pensamento auto-critico, o reconhecimento e correção do erro e a excessiva fulanização da politica.

Jotificação da politica: Obviamente não existe nada de intrinsecamente errado com a participação de cidadãos jovens na politica partidária. Bem pelo contrario, estes jovens são poucos, demograficamente pouco representativos (pertencem quase todos à classe socio-económica média-alta). A politica e, em particular, a politica partidária, precisa de mais jovens. Mas não precisa de juventudes partidárias profissionalizadas, de jovens cidadãos que não conhecem nem a sociedade civil, nem o mundo associativo e de vida comunitária nem, sobretudo, o mundo do trabalho. Os partidos precisa de regressar às suas origens, reestabelecendo a ligação com a sociedade e com os cidadãos e construírem pirâmides organizativas independentes, compostas unicamente por militantes jotificados, treinados nas lógicas internas de conquista e preservação do poder interno, e logo muito eficazes nessa missão, mas completamente separados da sociedade e das comunidades em que se inserem, é algo que está na directa razão da atual crise de representatividade dos partidos políticos. A solução, contudo, existe e está ao alcance de todos: se as juventudes partidárias já não cumprem os seus propósitos originais (que eram o de trazer jovens para a politica, servirem como escolas de cidadania e vias de ligação dos partidos à sociedade) então devem ser extintas e os seus quadros e militantes integrados nas estruturas normais dos partidos.

Combater a aparelhização dos partidos: esta é a tarefa mais difícil de executar porque o essencial da conquista e conservação do poder (ou melhor, o controlo das vias de mudança organizativa interna) reside precisamente nos aparelhos locais, distritais e concelhios. Para dinamitar o aparelho, há que lhe retirar poder e no estado atual de coisas ele consegue bloquear qualquer tentativa que va nesta direção. Por esta razão é que o remédio a esta doença participativa interna nos partidos será o de mais difícil aplicação… De facto, existem apenas duas vias para chegar a este resultado: ou os militantes, massivamente e de forma concertada expulsam os atuais detentores do poder no aparelho, em todas as secções, concelhias, distritais e órgãos nacionais (algo impossível de realizar em simultâneo), ou os militantes elegem um Secretário-Geral com verdadeira e radical vocação reformista, desligado dos maus hábitos e vícios do aparelho e da juventude partidária, capaz de construir uma Visão radicalmente reestrurante do partido e com a competência, consistência, equipa e resistência suficientes para vencer as grandes barreiras que os imobilistas, de fora e de dentro do partido, vão lançar sobre si. Esta via, dada a concentração atual de poderes no Secretario Geral, nos Estatutos actuais, é possível e viável e é, de facto, provavelmente a única capaz de levar a bom termo uma reorganização tao profunda como aquela que é necessário realizar.

Seguidismo e Fulanização: a construção de partidos políticos dominados pelos aparelhos profissionais e completamente autónomos da sociedade civil, com empregos e rendimentos provenientes unicamente do Estado, entidades satélite e do próprio partido, aumentam o grau de previsibilidade pessoal dos quadros partidários, reforçam a sua inclinação natural para a fidelização em relação ao “líder do momento”, que é percepcionado não como o mais competente para conduzir os destinos do pais, mas como o mais eficaz na tomada interna de poder, na sua preservação e na transposição deste processo para a República. Os lideres escolhidos por estes seguidistas não são assim, necessariamente, os melhores para a República ou para a Comunidade, mas tao somente os melhores para a preservação do Status Quo (que os alimenta) e para a conquista do Poder (que produz mais rendimentos e disponibiliza mais empregos e favorecimentos vários). Os militantes assim, neste modelo atual de partido, não são assim incentivados à contestação, ao pensamento divergente ou discordante, mas ao seguidismo e à fidelidade ao líder, “custe o que custar”. Como em todas as outras “doenças participativas” acima listadas existem, também aqui, remédios… E estes passam, como mais acima, pela extinção das grandes escolas de fidelização e de seguidismo dos partidos, as juventudes partidárias. A abertura dos partidos a cidadãos independentes (não a sua repulsa, como está estatutáriamente instituído), a preferência e prioridade a militantes com uma vida associativa e comunitária muito ativas, a militantes com uma vida profissional distante do Estado, do meio autárquico e das empresas publicas, deve compensar a natural, mas nociva predominância quase a 100% dos jotas e dos políticos profissionais no aparelho e nas direcções nacionais e locais. Este novo equilíbrio, entre militantes provenientes da Sociedade Civil e militantes profissionalizados, vai repor sanidade nas relações internas, quebrar a lógica seguidista “a-todo-o-custo”, e permitir a renovação estrutural que defendemos nos parágrafos precedentes.

Estes novos partidos serão assim, pela via deste triplo renascimento democrático interno, mais participativos e mais participados. Serão mais abertos à influencia de simpatizantes e eleitores e menos piramidais, favorecendo o funcionamento em rede (Primárias, Referendos Internos, Listas Abertas com voto preferencial, etc) em detrimento das estruturas violentamente piramidais que hoje os caraterizam.

Estes novos partidos serão mais flexíveis na resposta a um mundo que evolui de forma cada vez mais rápida e profunda, mais representativos (democracia interna semi-direta) e mais capazes de efetivar as politicas definidas a partir das suas bases e, logo, serão mais competentes na defesa e promoção da República.

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Categories: Democracia Participativa | Deixe um comentário

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