Embora o Bloco o queira muito (muito mesmo!) não há muitas semelhanças entre os tradicionais partidos de extrema-esquerda, quase totalmente vocacionados para o protesto e o Podemos espanhol e o Syriza grego.

Embora o Bloco o queira muito (muito mesmo!) não há muitas semelhanças entre os tradicionais partidos de extrema-esquerda, quase totalmente vocacionados para o protesto e o Podemos espanhol e o Syriza grego. Em particular Iglesias descarta completamente a obsoleta “pureza ideológica” da Extrema Esquerda e procura captar o eleitorado do centro, recusando esse tipo de discurso e de terminologia. Por isso Iglesias não fala nunca de “luta de classes” e prefere novos termos como “os de cima” e “os de baixo”, para responder às criticas generalizadas de declínio na redistribuição social de rendimentos e responde à separação entre cidadãos e politica usando termos como “gente” e “casta”.
Com este discurso transversal à dicotomia Esquerda-Direita, o Podemos cruza-se com o sentimento dominante em muitos cidadãos (de perda de peso das ideologias e de valorização de novas metodologias democráticas). O sucesso do novo partido nas sondagens e nas Europeias vem precisamente desta estratégia: enquanto os partidos tradicionais se fecham nos aparelhos e em ideologias anacrónicas, o Podemos abre-se aos cidadãos, despreza a ideologia (adotando pontos de Esquerda e de Direita, indiferentemente) e desenvolve-se no terreno fértil deixado abandonado pela degradação do sistema partidário.
Em Portugal não existe contudo nem um Podemos (o que tenta nascer está demasiado ligado ao trotskista MAS) nem um Syriza (apesar dos esforços desesperados de colagem do BE).

Portugal não parece ter (ainda?) as condições sociológicas para assistir ao desenvolvimento de um Podemos/Syriza e o PDR de Marinho e Pinto não apresenta a consistência (apesar do brilhantismo discursivo do líder) para ser uma real alternativa à “alternância democrática” do bipartido PS-PSD. Por isso, acredito que é preciso renovar o sistema por dentro e a partir de um dito “partido do sistema”. Isto é, a partir do interior, das bases (militantes e simpatizantes) de um partido com vocação e experiência de poder (PS, PSD ou PP). Apesar de o PSD parecer ser, por vezes, mais um agregador de tendências do que um partido monobloco, a verdade é que não parece haver no seu seio qualquer impulso das suas bases para que haja uma revolução participativa interna. O mesmo se pode dizer do PP… Contudo, o mesmo não é verdade em relação ao PS onde coexistem vários grupos informais (como o PS3.0) e mais formais (como a http://www.cots-PS.org) que promovem precisamente essa causa e que tentam implementar no PS as mesmas metodologias que caraterizam o Podemos espanhol.

O Aparelho socialista resiste, contudo, a estes impulsos reformistas… E com todo o seu poder (profissional, organizado e cristalizado) não tornará fácil que esta revolução interna ocorra e tenha sucesso. Mas ela vai ocorrer. Tarde ou cedo. Porque é preciso e porque o PS é pela sua diversidade interna, pela sua amplitude geográfica e historia o partido português mais bem posicionado para se reformar.

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Categories: Democracia Participativa, Política Nacional | Deixe um comentário

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