Renovação Interna (nos Partidos Políticos), precisa-se e para já!

Perante o atual estado de bloqueio da Democracia, de crónica perda de representatividade democrática dos Partidos Políticos há que, primeiro, tomar consciência da gravidade da situação e dos riscos que este bloqueio apresenta para o próprio sistema democrático, abrindo as portas para formas mais ou menos encapuçadas de ditadura e populismo primário. Feito este diagnóstico, há que, de seguida, enfrentar o problema de frente e de uma forma decidida e consistente.
Nesta luta pela reforma da democracia há que partir do ponto onde estamos. E esse ponto é a condição de uma democracia que vive hoje no ocaso do seu primeiro estádio, o estádio Representativo. Muito erguido em torno de figuras e líderes carismáticos e dos partidos políticos, este modelo está hoje esgotado e tornado completamente anacrónico pela ubiquidade e capacidades revolucionárias das novas tecnologias. Apesar deste contexto – radicalmente diferente de qualquer outro contexto passado –  os partidos políticos insistem em não se renovarem, nem em práticas, nem em ideologia, e muito menos na sua organização e democracia internas. Os partidos políticos continuam assim de costas viradas a um mundo onde se exigem respostas complexas a problemas muito complexos, num quase “tempo real”, sem diferimento, com uma exposição quase total às movimentações da Opinião Pública e onde a Transparência de processos e o “Open Data” são imperativos de sobrevivência. De facto, a presente crise da Democracia Representativa, sucessivamente comprovada pelo crescimento sustentado dos níveis de abstenção, é também uma crise dos Partidos Políticos e será pela supressão da sua crise particular que se resolverá a crise do próprio regime democrático. E a resolução desta crise externa, de credibilidade pública, dos partidos far-se-á abrindo os seus processos internos de decisão aos cidadãos, através de Primárias, de Listas Abertas com Voto Preferencial para as listas distritais de deputados, com Programas abertos e colaborativos. Paralelamente, os partido terão que saber que recuperar a credibilidade garantindo a fiabilidade dos seus compromissos eleitorais, recusando formas internas de corrupção (como os sindicatos de voto e os clãs familiares) e repondo a razoabilidade nas suas despesas em marketing político e impondo regras muito restritas de separação da Política dos Negócios e severas regras de incompatibilidades entre os seus eleitos. Trilhando, com sucesso, caminho novo nestas vias, os partidos poderão reconciliar-se com os cidadãos e sem diminuir o papel dos seus militantes na sua vida e democracia internas, renovarem-se a partir do seu interior e readquirirem a credibilidade perdida junto dos cidadãos.
Categories: Democracia Participativa, Economia Politica, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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