Crescer a Economia sem fazer crescer o Emprego: o Paradoxo e a Solução

Segundo algumas estimativas dos industriais do setor, até 2020, o Têxtil deverá ser simultaneamente um sucesso de exportações, batendo os recordes atuais, mas perdendo também 20 mil empregos, entre os mais de 100 mil actuais.

Este contraste merece reflexão: se o crescimento de um setor já não leva ao crescimento do emprego então todo o nosso modelo económico está errado e carece de reflexão (e ação) urgente. Os altos níveis de desemprego não são conjunturais, mas estruturais e se o crescimento já não conduz necessariamente a mais emprego, então isso significa que haverá sempre uma grande camada da população (potencialmente util, potencialmente produtiva) que estará permanentemente arredada da vida económica ativa e que dependerá sempre de apoios financeiros sociais ou familiares.

Perante tal constatação há que parar para pensar e avaliar se queremos mesmo sociedades onde o PIB cresce, onde alguns (empresários e especuladores financeiros) acumulam lucros sobre lucros mas onde os restante 99% da população sobrevivem em condições de precaridade laboral permanente, com baixos salários e direitos laborais, pressionados e assegurados pela existência de uma gigantesca massa de desempregados crónicos.

Uma sociedade que cava e mantém um abismo entre 99% e 1% da população é uma sociedade quebrada e que clama por rupturas que reponham Justiça Social e reintegração económica de todos aqueles que no atual modelo de desenvolvimento destas foram excluídos.

Não é contudo possível ordenar, por decreto, que as empresas privadas contratem colaboradores que não precisam. E não é economicamente inteligente forca-las a manterem recursos humanos que não têm ocupação nem utilidade económica, proibindo, por exemplo, os despedimentos (como defendem algumas franjas da esquerda radical portuguesa). Proibir despedimentos, legislar para levar a mais contratações ou, pior, aumentar a massa de funcionários públicos não podem ser (e não são) soluções duradouras ou racionais para resolver o problema do Emprego. Importa repensar modelos e propor alternativas radicais, que quebrem equilíbrios e estabeleçam rupturas num sistema putrefacto e em rápida decomposição. Com efeito, a instabilidade social, a criminalidade e as revoltas de massas são, a prazo, inevitáveis num sistema que exclui cada vez mais membros da sua própria comunidade. Perante tal constatação importa Mudar. E Mudar de modelo. Se o pleno emprego é neste contexto impossível, então esse objetivo deve ser assumido como impossível e abandonado. Soluções alternativas, como o Rendimento Básico Garantido, reestruturações das empresas em cooperativas, divisão de empresas em células autónomas de produção (auto-emprego) e outros modelos inovadores como os prescritos pela ParEconomia devem ser equacionados, ensaiados e (consoante o seu sucesso experimental) amplamente implementados. Manter tudo como está e viver na ilusão de que – neste modelo económico – o pleno emprego é possível é que não.

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