Abertura Governativa à Esquerda

O começo do afluxo dia fundos europeus do novo quadro de fundos comunitários (a partir da Primavera de 2015), a necessidade de se gastarem os 5,5 mil milhões que restam do atual quadro e o eleitoralismo que já se começa a sentir nas hostes do Governo colocam dificuldades na substituição deste governo que tanto tem prejudicado Portugal e os portugueses, na sua servil lógica de servilismo bacoco à ditadura dos Mercados e a este austero-merkelismo que nos rege. Perante tais circunstâncias é imperativo que o próximo governo seja, não somente de maioria (para ser estável) mas que quebre também com essa estranha e perniciosa tradição de nunca, em Portugal, terem existido condições para um verdadeiro governo de coligação à esquerda.  Como em tudo na vida, a responsabilidade por esta estranha (e única, no quadro europeu) anomalia política compete não a um, mas a todos os partidos de Esquerda. A um Partido Socialista que tem alinhado frequentemente mais à direita que a maioria dos seus compartes europeus, mas sobretudo ao PCP e ao BE, que têm expressamente reiterado várias vezes (e recentemente até o candidato alternativo à direção do Bloco, Pedro Filipe Soares o confirmou) essa indisponibilidade para governarem, assumirem essas responsabilidades políticas de governação e estabelecerem pontes políticas estáveis e produtivas com o PS com o objetivo de formarem essa alternativa estável e confiável de um governo de Esquerda. Ambos os partidos parecem ter-se viciado num discurso e prática de protesto profissional que pode capitalizar votos durante algum tempo, mas que a prazo, e porque se trata de uma táctica estéril é suicida. Estes efeitos aliás são já visíveis na estagnação dos votos do PCP e na severa erosão e transferência de votos do Bloco para a abstenção, e, sobretudo para o Livre e para Marinho e Pinto.

Mas este cenário política está a mudar muito rapidamente. O quadro político-partidário português, o mais estável do continente (mais uma anomalia nacional no mapa europeu…) está a evoluir mais rapidamente do que alguém se atreveu a esperar, e atualmente existe uma hipótese muito palpável de que o Livre eleja pelo menos dois deputados e que o PAN (se ultrapassar a sua crise atual) eleja pelo menos um. Estes três deputados, mais os dois ou três deputados que o partido de Marinho e Pinto pode almejar a conquistar vão alterar as opções de coligações à esquerda e permitir ao Partido Socialista quebrar o tabu de nunca ter sido possível firmar uma coligação de governo à Esquerda.

Nesta abertura de pontes, o Livre está a fazer a sua parte convidando António Costa a intervir no seu congresso, ao lado de Ana Dragão, da Associação Forum manifesto e de Paulo Fidalgo, da Renovação Comunista. O vencedor das Primárias de 28 de setembro, aceitou o convite, cumprindo assim o seu papel que confirmação de interesse no estabelecimento dessas pontes. Uma decisão sábia e acertada que pode ser decisiva para um futuro governo de Esquerda em Portugal.

São bons sinais na direcção certa. Que nenhum agente deixe agora estragar está margem de aproximação que, por iniciativa do Livre, se abre assim à Esquerda e à República Portuguesa.

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Categories: Partido Socialista, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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