Combater a “Lei de Bronze dos Partidos” (Robert Michaels)

É da autoria de Robert Michaels (socíologo alemão e que em 1915 escreveu “A Sociologia dos Partidos Políticos”) a expressão “lei de bronze da oligarquia” que descreve como é, na sua visão, inexorável a formação de oligarquias no interior das organizações partidárias que funcionam como bloqueios efetivos à vontade democrática das bases de militantes dos partidos. O problema é bem real, afetada todos os partidos ditos do “sistema” e funciona como um travão efetivo a uma Democracia de qualidade, participada e participativa estando na origem da atual auto-demissão dos deveres (e direitos) de participação política por parte de muitos cidadãos.

A primeira questão que há que responder é a de saber se “estes” partidos políticos que hoje temos são adequados aos momentos e ao contexto social, tecnológico e económicos em que vivemos. Com efeito, os partidos, tal como hoje os conhecemos têm pouco mais de cem anos. Não são eternos e são apenas uma forma – transitória – de expressão da vontade popular nas democracias. Não existiram sempre é não existirão para toda toda a eternidade. Como todas as outras criações humanas, são provisórios e sujeitos a evolução.

O atual estado de desmobilização das bases de militantes, de sequestro dos partidos por oligarquias, aparelhos e por lobbies de negócios é sinal de que a sua atual forma está esgotada. Os partidos políticos, entendidos nas décadas de 60 e de 70, como “partidos de militantes” são hoje “partidos de aparelho”, semiprofissionais e onde os militantes ativos, são raros e aqueles que ou não dependem diretamente do partido ou do Estado, são muito raros. Esta situação, a prazo, é insustentável. Existem várias saídas: existe a via da saída pela transformação interna, radical, que nivele pirâmides hierárquicas, que torne as lideranças menos representativos e mais participativas e existe a alternativa de transformar os partidos em movimentos políticos, organizados, mas mais focados em causas locais, em reivindicações políticas muito objetivas e concretas, sem ideologias, nem pressupostos, nem predisposições, apenas a vontade dos cidadãos que compunham estes partidos de novo tipo.

Ou talvez seja possível seguir as duas vias paralelo, de forma dialogante e aberta com a sociedade civil e os movimentos sociais. Talvez. Manter tudo como está é que não é possível. Não fazer nada é abrir portas escancaradas aos sidonismos e populismos que sempre espreitam em momentos de crise dos partidos e da democracia.

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Categories: Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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