Sobre as supostas vantagens para Portugal e para a economia portuguesa do tratado TTIP (“parceria transatlântica”)

Recentemente, foram publicadas nos Meios de Comunicação Social algumas notícias que listavam supostas vantagens para Portugal e para a economia portuguesa do tratado TTIP (“parceria transatlântica”), atualmente em negociações entre a União Europeia, o Canadá e os EUA. As notícias citam um estudo encomendado (pago) pelo governo português a uma organização designada pelas siglas CEPR ou “Centre for Economic Policy Research”.
O MaisDemocracia.org é uma das associações e organizações que em Portugal, a partir de meados de setembro vai apoiar e promover a subscrição pelos cidadãos de uma Iniciativa de Cidadania Europeia que visa levar a Comissão Europeia a parar com estas negociações e a bloquear os graves danos que elas trarão ao nosso país (ver http://movv.org/2014/07/26/ok-sobre-os-tribunais-arbitrais-do-no-capitulo-investor-state-dispute-settlement-isds-do-ttip-do-capitulo-investor-state-dispute-settlement-isds/). Após a publicitação deste estudo, o MaisDemocracia procurou saber o que era a CEPR por forma a compreender porque foi esta organização escolhida para conduzir um estudo académico deste tipo. É uma organização imparcial? Desligada dos interesses e das multinacionais financeiras que estão a fazer lobby a favor do TTIP? Quem a financia? Quem influencia as conclusões dos estudos que conduz?
O “Centre for Economic Policy Research” (CEPR), lista entre os seus apoiantes entidades muito conhecidas como o Alfa Bank, o BNP Paribas, o Citigroup, o Credit Suisse, o Grupo Santander, o Itau Unibanco S.A., o JP Morgan, a KPMG, o Lloyds Banking Group, o La Caixa, a UBS e “hedgefunds” especulativos como o Commonwealth Opportunity Capital e o o britânico Wadhwani Asset Management. Estas entidades têm todas elas interesses diretos na conclusão destas negociações, já que um dos seus capítulos é precisamente a desregulação financeira entre os dois lados do Atlântico. Boa parte delas tem um currículo ético e criminal muito pesado, como o banco suíço UBS, recentemente multado por fraude fiscal (http://www.sol.pt/noticia/111205), a KPMG, empresa que auditava as contas (escuras e plenas de crime e fraude fiscal) do BES e que recentemente, em janeiro deste ano entrou em acordo com o Estado holandês, pagando 7 milhões de euros a título de compensação por ter ajudado um seu cliente do ramo da construção civil a “esconder pagamentos suspeitos”.http://www.fcpablog.com/blog/2014/1/13/kpmgpays-7-million-to-settledutchbriberycase.html#. Por outro lado, o próprio fundador da CEPR, o economista britânico Richard Porter, é conhecido por ter recebido amplos financiamentos de bancos islandeses (http://blogs.reuters.com/great-debate/2010/10/12/whyeconomists-are-partoftheproblem/) que depois, compreensivelmente, veio defender posteriormente em vários artigos na imprensa especializada.
A conclusão a que chegamos é que o CEPR não é uma entidade imparcial para ser capaz de produzir um estudo que possa servir ao governo português para tomar uma decisão quanto a apoiar ou não estas negociações. O CEPR é uma entidade composta por peritos que gravitam em torno de financiamentos das mesmas entidades que estão a fazer um intenso lobby junto dos Media e das instituições europeias por forma a que estas aceitem os termos que os norte-americanos estão a impor à Europa e que passam por desregulações massivas nas áreas ambientais, laborais, de saúde pública e de privatização de serviços públicos essenciais. A escolha desta entidade pelo Governo Passos-Portas é reveladora das conclusões que se pretendem obter e da necessidade de termos Meios de Comunicação Social atentos e dispostos a investigarem as notícias que lhes são entregues para publicação. Estejamos atentos: a pressão de lobby vai intensificar-se nos próximos dias e semanas, dando como inevitável a subscrição deste acordo pelo Parlamento Europeu, em nome de vantagens muito ilusórias e pouco substanciais, que pouco mais farão que enriquecer os já muito ricos e reforçarem, no processo, o predomínio monopolístico das grandes empresas multinacionais sobre as economias ocidentais.

 

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Categories: Economia, maisdemocracia.org, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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