Da vida e da morte dos Movimentos Sociais

“A desestruturação de um movimento social (ocorre quando) alguns dos seus membros optam por uma institucionalização precoce, ou extrema; outros privilegiam a ação puramente política; outros, ainda, entregam-se a uma violência social que impede qualquer negociação. (…) a decomposição pode rapidamente desembocar num estado de anti-movimento.
O anti-movimento social converte o actor numa seita ou num grupo terrorista que destrói em vez de tentar impor, pelo conflito, a sua própria visão da historicidade. Já não há contra-projecto nem utopia mas um apelo a um além, o que coloca a fé, a religião, a ideologia no coração do anti-movimento. Também já não há adversário mas um qualquer estranho, ao qual se é indiferente.”
Michel Wieviora

A esta descrição, há contudo que somar ainda a via da extinção por erosão dos membros destes movimentos ou por via da infiltração por parte de partidos políticos organizados.

A via da extinção advém naturalmente da grande dificuldade que estes movimentos sociais têm em penetrar no espaço mediático e em manterem os seus membros unidos em torno de um ideal que, muitas vezes, é de curto prazo ou muito objetivo e concreto. Quando esse alvo de curto prazo se esgota ou quando a atenção dos seus membros é captada por outra causa ou movimento, a erosão dos seus membros é inevitável e a extinção impossível de travar…

A outra via de extinção de movimentos sociais é a da captura dos seus membros mais ativos por parte de partidos políticos. O processo foi usado recentemente por alguns partidos de Esquerda em Portugal, com um sucesso assinalável na infiltração desses movimentos, mas um fracasso clamoroso na credibilidade destes movimentos infiltrados, o que os esvaziou de participantes até à efetiva irrelevância onde hoje vegetam…

Os movimentos sociais inorgânicos são necessariamente fátuos e duradouros apenas durante o período em que tal corresponder aos desejos e aspirações dos seus membros. Para serem perenes, têm que se encontrar em renovação permanente, quer de Causas, quer de membros. Têm que mostrar atividade, para fora, e renovar lideranças, para dentro. Têm que manter um cerne de ativistas estável, mas permeável, robusto, mas diversificado, basista e profundamente democrático.  Em suma, para que sobrevivam, a prazo, os movimentos têm que se encontrar permanentemente em… movimento.

Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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