A dívida actual é impagavel

“A dívida actual é impagável. É absolutamente impagável na sua totalidade. O próprio FMI, no relatório português sobre a oitava e a nona avaliação, diz que para que em 2038 Portugal possa ter uma dívida de 60% do PIB – o limite que a União Europeia diz que é sustentável – precisaríamos de ter taxas de crescimento económico durante estes 20 e tal anos da ordem dos 1.8% em termos reais. E 1.8% significa o dobro do que tivemos nos últimos seis anos antes da crise internacional. Era necessário que as taxas de juro que temos de pagar andassem na ordem dos 3.4% e que o défice primário fosse 3.8% durante estes 20 e tal anos. 3.8%, a números actuais, significa aumentar a dose que já existe acumulada de austeridade. Isto é insustentável e impossível. (…) se não é possível pagar, temos de renegociar.”
Octávio Teixeira

Esta é a dura mas realista aritmética que Cavaco e Passos se recusam a fazer ou, que, talvez, já tenham feito, mas como caminham um para uma reforma dourada e outro, para um qualquer tacho europeu, não querem realmente saber.

A dívida externa portuguesa não é simplesmente pagável, nem que os mais áureos cenários se materializem nos próximos vinte anos. Sem algum tipo de profunda reestruturação, que traga a mesma abaixo do limite definido pela própria Europa de sustentabilidade (60%), Portugal está não só condenado a décadas de inútil e destrutiva austeridade, como a uma bancarrota a prazo, logo que essa evidencia colidir com a dura realidade dos factos. Tenha-se em conta que, atualmente, o risco sistémico para a banca europeia (espanhola e alemã) ê diminuto, já que a maioria desta dívida foi recomprada pela CE e pelo BCE: reestruturar a dívida portuguesa não levaria assim a falências de bancos europeus (como levaria em 2009), mas a perda de rendimentos do FEEF e do BCE…

Estamos de acordos com austeridade, no sentido em que ela significa contenção de despesa, orçamentos de base zero e rigor orçamental, mas estamos em colisão com a interpretação actual que a torna numa ferramenta neoliberal de destruição do Estado Social e de subalternização da Soberania nacional a uma “federação” europeia não democrática.

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | Deixe um comentário

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