Falta vontade política para encontrar soluções para “Orçamentos de Base Zero”

“É necessário entrar numa fase de crescimento económico, mas também ir buscar contributos ao capital especulativo que faz dinheiro sobre dinheiro sem criar postos de trabalho e riqueza ao nível do cidadão, enquanto milhares de milhões se deslocam de um ponto para outro à velocidade da luz.”
(…)
“85 personagens mundiais (…) acumulam 1.7 mil milhões de dólares, tanto como metade da população do mundo, ou seja, 3.5 mil milhões de pessoas”.

Eduardo Oliveira e Silva
Jornal i, 26 de janeiro de 2014

Se houve factor que nos últimos anos demonstrou cabalmente a falência do capitalismo como solução para a pobreza, foi o crescimento da desigualdade de rendimentos no mundo, nos últimos anos.

O fenómeno é global, decerto… mas é particularmente grave em Portugal, que em poucos anos passou de terceiro (atrás da Bulgária e da Letónia) para primeiro classificado nesta inglória tabela. Algo está a falhar na redistribuição de rendimentos (uma das missões clássicas do Estado) e a falhar em larga escala. Obviamente, o factor maior deste falhanço reside na fiscalidade: os ricos não estão a pagar mais impostos (bem pelo contrário) e o pobres não estão a subir os seus rendimentos. De um lado, parece evidente que os Offshores, a competição fiscal entre países da União Europeia e a Financeirização da economia jogam o seu papel. Do outro, a precarização do emprego, o alto desemprego e o desemprego sénior crónico jogam o seu papel para pressionarem para baixo os salários.

Como para qualquer problema complexo, não há soluções simples para este problema da desigualdade… mas havendo vontade, liberdade e independência entre Política e os Grandes Interesses que nos regem, há soluções: pressão inexorável nas instâncias europeias a favor de uma harmonização fiscal que acabe com esta destrutiva competição pelos “impostos mais baixos do mundo”, combate decidido contra os Offshores (com sanções) no resto do mundo e, sobretudo, na Europa, aumento da carga fiscal sobre os mais ricos, aumento da fiscalidade das empresas que concentrem a sua força de trabalho em precários ou outsourcers, estímulos ao investimento em setores produtivos e taxa tobim europeia sobre a especulação financeira, fim dos produtos financeiros complexos e de alta frequência, etc, etc

Existem soluções para equilibrar os orçamentos. Não há é vontade política.

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Categories: Economia, Política Internacional | Deixe um comentário

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