Soberania, Dívida e Pensões de Reforma

“Há pessoas que viram pensões da Segurança Social que há quatro anos andavam nos 2400 euros a ser objecto de um confisco de 500 euros mensais, por via de cortes sucessivos iniciados no tempo de Sócrates completados pela famigerada CES e uma revisão em alta do IRS, isto para não falar do aumento do custo de vida e de todas as taxas e impostos possíveis.”
(…)
“Não colhem os exemplos demagógicos que usam certos governantes para legitimar cortes, alegando que deixam de fora 87% dos pensionistas, pois isso é dizer que há 13% que suportam tudo, o que é praticamente um atentado a direitos humanos e reconhecer que os restantes vivem abaixo do limiar da pobreza.”

Eduardo Oliveira e Silva
Jornal i, 26 de janeiro de 2014

De novo, o alvo deste governo de protetorado norte-europeu que nos rege, não são os altos rendimentos, mas a classe média: neste caso, a classe média dos pensionistas. Tendo em conta a emergência nacional e o imperativo de reduzir a despesa, esta deve ocorrer de forma distribuída e equitativa, mas quando observamos que, em plena crise, os mais ricos tornam-se ainda mais ricos, que as PPPs fazem crescer o seu peso no orçamento de ano para ano e que o que Portugal hoje pega em juros ao BCE e ao FMI (que são, hoje, quem detém a maioria da nossa dívida externa) é mais do que aquilo que se gasta em Educação e Saúde, então estamos perante um país tremendamente desigual.

O foco do equilíbrio do orçamento tem que vir de dois lados: pela redução da despesa (aceitando-se aqui o corte das pensões mais altas, ou até mesmo um rendimento médio garantido, aplicável a toda a população) e um aumento das receitas fiscais, pela via da taxação específica às PPPs, aos mais ricos e ao combate à evasão fiscal e offshoring dos mais poderosos. É possível conceber um orçamento de saldo zero. Sem elefantes brancos, sem desigualdades, nem pensões de luxo, e combatendo ferozmente em todas as instâncias internacionais o dumping fiscal irlandês, holandês ou alemão, o Euro caro (apoiando eventualmente a saída de França e da Alemanha da moeda única). Sobretudo, é preciso acreditar. Acreditar que podemos ser um país Soberano, independente e forte o suficiente para recusar pagar a dívida iníqua (através de uma auditoria cidadã à dívida externa) e exigir pagar juros baixos (abaixo da inflação) sem o que o pagamento da dívida se tornará incomportável e a bancarrota (total ou parcial) inevitável.

Anúncios
Categories: Economia, Europa e União Europeia, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

Navegação de artigos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

Moradores do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Moradores do Areeiro

AMAA

Associação de Moradores e Amigos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

%d bloggers like this: