De “uma nova forma de fazer a guerra”, dos destinos de Portugal e da CPLP

Nunca, como hoje, foi tão caro fazer a guerra. Nunca, como hoje, houve tão poucos retornos efetivos diretos de fazer a guerra. A guerra tornou-se  numa aplicação de uma tremenda capacidade tecnológica, logística e organizacional, tão enorme que, na sua mais pura e original aplicação: a “guerra total” que, no passado, forjou, consolidou e defendeu impérios, está hoje aquém das capacidades de todos os Estados, até mesmo dos maiores… pelo menos durante mais de curtos períodos de tempo.

Por outro lado, as grandes potências (os vinte países com maiores forças armadas do globo), a superpotência restante (EUA) e a superpotência aspirante (China) são os únicos Estados com capacidade para projetarem (ou defenderem) os seus interesses à uma escala regional. E apenas os EUA o conseguem fazer, hoje, a uma escala global. Isto significa que os conflitos militares ocorrem hoje numa escala local, fronteiriça, ou, no máximo, regional (Bósnia, Congo, Somália, Síria, etc) e que quando o conflito transvasa para uma escala regional ou mundial, é imperativo que vários Estados se concertem e colaborem por forma a conseguirem ter uma ação efetiva.

Os custos de fazer a guerra, levam assim a que os Estados procurem outras formas de promoverem os seus interesses: a espionagem (convencional ou económica) torna-se uma ferramenta central desta estratégia, em que a economia, a diplomacia e as alianças regionais são a forma preferencial da expressão desta necessidade de defesa dos interesses nacionais no estrangeiro. Daqui decorre o fenómeno “Snowden-NSA” e todos os outros que, não sendo tão públicos, têm atualmente lugar em todas as agências de informação de todos os grandes Estados do mundo. Esta é a forma quadripartida de guerra moderna: informações-economia-diplomacia-alianças, a forma contemporânea de “fazer a guerra além da guerra”.

Num cenário em que a guerra (no sentido convencional) se tornou obsoleta qual deve ser a orientação estratégica de um Estado Médio, como Portugal, país membro de pleno direito da UE e da NATO, com uma extensa diáspora e com interesses humanos, sociais, económicos, culturais e demográficos em todos os países da CPLP?

Nesta nova forma de “fazer a Guerra” e de erguer um novo conceito de Defesa Nacional, deve assumir particular importância a aliança (um dos quatro pés do conceito “informações-economia-diplomacia-alianças” que hoje já existe e que urge aprofundar: a CPLP. Esta é a ferramenta que o país deve eleger como prioritária, desenvolvendo as suas vertentes latentes de Defesa, Informações estratégicas e de Defesa comuns, sem esquecer os aspectos culturais e sociais que distinguem a CPLP de outras alianças globais. A CPLP deve assim organizar um braço de Defesa comum, com meios partilhados, mas distribuídos e capacidade autónoma de projeção (meios estratégicos aéreos e navais) e serviços de informação articulados. Será em torno desta CPLP estendida, tornada assim num autêntico prolongamento da soberania nacional e dos braços diplomáticos, económicos e militares das nações que nela se agregam que Portugal deverá concentrar o essencial dos seus esforços no campo da relações com o exterior, obtendo ganhos de eficiência por economia de escala e de eficácia dupla pela amplificação dos meios assim reunidos entre todas as nações da Comunidade.

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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