Monthly Archives: Janeiro 2014

Comentários a “O Entendimento dos Símbolos” (para uma leitura adequada da Mensagem e dos poemas simmbolistas de Fernando Pessoa (in A Mensagem, Edições 70, organização de António Quadros)

“Com a dispersão por todo o mundo e a morte em tantos combates, precisamente daqueles elementos que criavam o nosso progresso, o nosso povo foi pouco a pouco ficando reduzido aos elementos apegados ao solo, aos que a aventura não tentava, a quantos representavam as forças que, numa sociedade, instintivamente reagem contra todo o avanço. É um dos casos mais visíveis da criação de uma predominância das forças conservadoras. Com isto, visto à luz do que se explicou, queda revelado o porquê da nossa decadência.”

Esta é a explicação maior para a decadência de Portugal, visível já na época de Fernando Pessoa (em que se mantinha, pelo menos, uma certa aparência de soberania e independência) e particularmente clara nos tempos de hoje, mercê da idiotia crónica dos nossos líderes políticos no governo e oposição e de um presidente da república mentecapto e inculto. Pessoa acreditava que o gigantismo da tarefa a que os portugueses de Quinhentos se tinham atrevido era tão grande, tão desproporcionado, que o país se havia esvaziado (para a diáspora imperial, para as colónias, para a morte pela guerra e navegações) dos seus elementos mais audazes, mais empreendedores. Esse esvaziamento do país dos seus cidadãos mais ativos, porventura um traço genético, transmissível às gerações futuras, explicaria esta conformação ao destino, esta subjugação atávica e bovina à autoridade, ao situacionismo e a uma passividade coletiva que hoje é particularmente visível entre nós e que permite resolver parte da misteriosa bonomia com que a maioria dos portugueses suporta este jugo opressivo com que hoje todos vivemos.

“O que restava do progressivo desnacionalizou-se depressa. (…) em uns e outros, o nível intelectual, o nível cultural e o nível da vontade prática e útil foi baixando. Um ou outro homem de maior destaque surgia e desaparecia e a sua obra, quando não morria com ele, morria pouco depois, pois não havia coesão social, por onde se propagasse, nem interesse intelectual, por onde, pelo menos, se mantivesse.”

Portugal esvaziou-se de inovadores e progressistas (isto é, de gente descontente com a Situação e com coragem energia bastantes para a desafiar) e encheu-se de conservadores, ao ponto de até os partidos políticos teoricamente mais “progressistas” (como o PCP) serem aqueles com um discurso mais situacionista e conservador. Este fenómeno (que começou depois de 1550) tem sido intensificado em épocas recentes pelo processo de integração europeia e pelo regresso da emigração como principal forma de sobrevivência para muitos portugueses. De um lado, temos a europa do norte – que recrutou uma cáfila de políticos fiéis e acéfalos no seu projeto federal-imperial – do outro temos essa mesma europa que atrai – acenando com salários elevados e empregos sólidos e bem remunerados – os jovens formados pelo Ensino Público de qualidade que todos os portugueses pagam. De um lado, os europeus sangram Portugal, forçando baixos salários, altos níveis de desemprego, baixa auto-estima e níveis simbólicos de soberania, do outro, destroem as forças vivas do país, drenando os mais empreendedores e os jovens. A europa está a desnacionalizar Portugal e a torna-lo numa imensa estância de férias para exportar os seus cidadãos mimados e estupidamente ricos.

“Desnacionálizamos a nossa política,desnacionálizamos a nossa administração, desnacionalizámos a nossa cultura.”

Hoje mais do que nunca… o governo da República não passa de um sátrapa impotente para um Rei dos Reis anónimo e instalado algures na Alta Finança estrangeira, puxando cordéis de marionetas de madeira como Barroso, Hollande ou Merkel. A nossa política é o reino das ficções assentando todo o poder real para fora, nas bandas do norte do continente. E nesta guerra surda que se trava, a desculturação de Portugal é a arma central… os orçamentos da Secretaria de Estado da Cultura (sempre pequenos) foram quase reduzidos à total insignificância… o trabalho meritório dos anteriores governos no campo da investigação científica, destruído… a escola pública (que formou os jovens que agora a alemanha capta) está asfixiada por troikismos dogmáticos e aceites sem questionamento. Um povo sem cultura, é um povo inerte, sem opinião, espírito de resistência ou de afirmação dos seus próprios interesses. E isso faz parte do plano europeu para desnacionalizar Portugal e o tornar num território vazio, apto a ocupar e explorar em total liberdade pelas suas empresas e empresários.

“O primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza – nessa regeneração. (…) Há só uma espécie de propaganda com que se pode levantar o nome de uma nação – a construção ou renovação e a difusão consequente e multimodal de um grande mito nacional. (…) temos felizmente o mito sebastianista, com raízes profundas no passado e na alma portuguesa. Nosso trabalho é pois mais fácil: não temos que criar um mito, senão de renova-lo.” (…) Que Portugal tome consciência de si mesmo. Que rejeite os elementos estranhos. Ponha de parte Roma e a sua religião. Entregue-se à sua própria alma. Nela encontrara a tradição dos romances de cavalaria, onde passa, próxima ou remota, a Tradição Secreta do Cristianismo, a Sucessão Super-Apostólica, a Demanda do Santo Graal.”

As ideias têm uma força tremenda…. foi essa ideia de país, forjada pelo sangue e pela grei, nas mentes de cistercienses e pelas espadas dos cavaleiros templários, de uma nação capaz de integrar, de forma tolerante e aberta, as nações judaicas e islâmicas, de ser economicamente autónoma e politicamente soberana que fez nascer Portugal. O espírito, a vontade da independência, sempre foi central nessa ideia coletiva de “ser Portugal” e logrou, até, o falso milagre (falso, por produto do trabalho e não do acaso da sorte) de se manter a independência numa Península que cedia, bloco a bloco, a esse imperialismo castelhano que hoje conhecemos sob o falso nome de “Espanha”.

Um parte central dessa ideia de Portugal é a independência nacional, uma independência forjada nos mitos templários, primeiro, e depois nos mitos providenciais de Ourique, do Reino do Espírito Santo e do Quinto Império. São esses mitos, ou as suas versões modernas, que importa repescar e desenvolver. Os mitos são as ideias e as ideias são aquilo que levam as nações para diante, para fora de um torpor que serve apenas os interesses de um estrangeiro que nos quer passivos, dormentes e recatados em sofás.

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De “uma nova forma de fazer a guerra”, dos destinos de Portugal e da CPLP

Nunca, como hoje, foi tão caro fazer a guerra. Nunca, como hoje, houve tão poucos retornos efetivos diretos de fazer a guerra. A guerra tornou-se  numa aplicação de uma tremenda capacidade tecnológica, logística e organizacional, tão enorme que, na sua mais pura e original aplicação: a “guerra total” que, no passado, forjou, consolidou e defendeu impérios, está hoje aquém das capacidades de todos os Estados, até mesmo dos maiores… pelo menos durante mais de curtos períodos de tempo.

Por outro lado, as grandes potências (os vinte países com maiores forças armadas do globo), a superpotência restante (EUA) e a superpotência aspirante (China) são os únicos Estados com capacidade para projetarem (ou defenderem) os seus interesses à uma escala regional. E apenas os EUA o conseguem fazer, hoje, a uma escala global. Isto significa que os conflitos militares ocorrem hoje numa escala local, fronteiriça, ou, no máximo, regional (Bósnia, Congo, Somália, Síria, etc) e que quando o conflito transvasa para uma escala regional ou mundial, é imperativo que vários Estados se concertem e colaborem por forma a conseguirem ter uma ação efetiva.

Os custos de fazer a guerra, levam assim a que os Estados procurem outras formas de promoverem os seus interesses: a espionagem (convencional ou económica) torna-se uma ferramenta central desta estratégia, em que a economia, a diplomacia e as alianças regionais são a forma preferencial da expressão desta necessidade de defesa dos interesses nacionais no estrangeiro. Daqui decorre o fenómeno “Snowden-NSA” e todos os outros que, não sendo tão públicos, têm atualmente lugar em todas as agências de informação de todos os grandes Estados do mundo. Esta é a forma quadripartida de guerra moderna: informações-economia-diplomacia-alianças, a forma contemporânea de “fazer a guerra além da guerra”.

Num cenário em que a guerra (no sentido convencional) se tornou obsoleta qual deve ser a orientação estratégica de um Estado Médio, como Portugal, país membro de pleno direito da UE e da NATO, com uma extensa diáspora e com interesses humanos, sociais, económicos, culturais e demográficos em todos os países da CPLP?

Nesta nova forma de “fazer a Guerra” e de erguer um novo conceito de Defesa Nacional, deve assumir particular importância a aliança (um dos quatro pés do conceito “informações-economia-diplomacia-alianças” que hoje já existe e que urge aprofundar: a CPLP. Esta é a ferramenta que o país deve eleger como prioritária, desenvolvendo as suas vertentes latentes de Defesa, Informações estratégicas e de Defesa comuns, sem esquecer os aspectos culturais e sociais que distinguem a CPLP de outras alianças globais. A CPLP deve assim organizar um braço de Defesa comum, com meios partilhados, mas distribuídos e capacidade autónoma de projeção (meios estratégicos aéreos e navais) e serviços de informação articulados. Será em torno desta CPLP estendida, tornada assim num autêntico prolongamento da soberania nacional e dos braços diplomáticos, económicos e militares das nações que nela se agregam que Portugal deverá concentrar o essencial dos seus esforços no campo da relações com o exterior, obtendo ganhos de eficiência por economia de escala e de eficácia dupla pela amplificação dos meios assim reunidos entre todas as nações da Comunidade.

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