Parecon: cinco principios fundamentais

1. Princípio de Tomada de DecisõesUm dos principais conceitos da Economia Participativa (parecon) é o de que todos os indivíduos devem ter uma palavra nas decisões que seja diretamente proporcional ao grau em que serão afetados pelas mesmas. Este princípio recolhe a sua influência principal dos conceitos da auto-gestão de empresas (por trabalhadores) e na parecon assume o papel de substituição à forma convencional de gestão piramidal, hierárquica e autoritária da economia “livre” de mercado.

2. Conselhos de Facilitadores

A informação indispensável à construção convergente de um bom planeamento económico é criada e mantida atualizada por entidades designadas por “Conselhos de Facilitadores” (no original, “Iterations Facilitation Boards”), que, a partir de propostas dos Conselhos de Trabalhadores e/ou dos Conselhos de Consumidores e através de dados económicos conhecidos, indicadores de preços e projeções económicas, assistem na atividade de planeamento económico. Contudo, estes Conselhos de Facilitadores não têm capacidade para tomadas de decisão. De facto, na parecon, estes Conselhos podem até não ter existência humana e serem apenas algoritmos automáticos, correndo em algum sistema informático…
Neste modelo de economia alternativa, o produto destes Conselhos será a oferta de várias alternativas, com a previsão das suas consequências, por forma a que os efetivos decisores nos Conselhos de Trabalhadores e nos Conselhos de Consumidores possam fazer a sua votação de forma consciente e informada.

3. Vales de Trabalho

Os defensores da par-economia defendem a substituição da Moeda por um sistemas de vales pessoais que não serão transferíveis entre consumidores, e que poderão apenas ser usados em estabelecimentos comerciais (físicos ou online) para a aquisição de bens ou serviços.

Concretamente, propõe-se a criação de um sistema de “créditos” eletrónicos, atribuídos aos trabalhadores tendo por base a sua própria perceção do esforço e sacrifício empenhados nas suas atividades laborais. Quando estiverem no papel de consumidores, os cidadãos verão deduzidos os seus consumos numa conta eletrónica, mas em vez de serem transferidos para a conta do vendedor (como sucede na economia convencional), simplesmente desaparecerão. Os cidadãos poderão requerer créditos, desde que esta concessão seja aprovada por uma comissão especializada, mas – neste modelo – não serão cobradas comissões.
A impossibilidade de realizar transferências de créditos parecon tornará impossível – segundo os seus teóricos – a existência de corrupção e até de muitos tipos de criminalidade, mas os cidadãos poderão trocar os seus bens ou serviços por outros, contudo, deverão existir mecanismos que dissuadam a transformação dos “créditos” numa nova moeda de uso corrente.

 

4. A crítica aos Mercados Financeiros

A principal motivação que leva os defensores da Parecon a percecionaram a atual Economia Capitalista de Mercado como injusta e ineficiente advém do facto de apenas os interesses dos compradores e vendedores serem equacionados numa transação de mercado. Todos os outros que são diretamente afetados não têm qualquer participação no processo. Os defensores da Parecon dão a este propósito o exemplo do consumo de combustíveis fósseis, que têm um severo impacto no clima e na poluição atmosférica, mas sem que esses custos influam diretamente nos preços das suas transações, as chamadas “externalidades”.

A economia convencional procura responder ao problema das externalidades, através da imposição de taxas “verdes” aos consumidores, mas o problema é que estas taxas acabam por recair sobre todos, com especial incidência sobre os mais pobres, o que é humanamente injusto e economicamente ineficiente (porque não retira os mais ricos a continuaram a promoverem este tipo de atividades).

 

5. O estímulo à inovação na Parecon

No capitalismo clássico, as leis de patentes, os direitos de propriedade inteletual, as pesadas estruturas das grandes estruturas e o controlo de largos setores da economia e do comércio por grandes empresas e multinacionais funcionam como um efetivo e muito eficiente obstáculo à inovação.

Numa Economia Participativa todas as inovações propostas por particulares ou pequenos empreendedores podem tornar-se imediatamente disponíveis para todas as entidades comerciais e particulares que nelas estejam interessadas, sem barreiras.

A inovação, por seu lado, é o produto não de uma “explosão psicológica” de um indivíduo mas, geralmente, o acumular de experiências e da acumulação de pequenos impulsos em vários indivíduos, que um, por fim, sintetiza e passa à prática. Numa gestão empresarial participativa este fenómeno é sistemicamente estimulado, criando assim empresas mais inovadoras.

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Categories: Democracia Participativa, Economia | Deixe um comentário

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