Percurso no Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)

 

Breve História do Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)

1. O Convento da Madre de Deus é uma das mais importantes realizações da cultura artística nacional. A sua construção começou no início  do século XV mas aquilo que nele pode ser hoje observado data efetivamente de meados desse século com a acumulação posterior de várias campanhas de decoração, entre finais do século XVII e finais do século XVIII, a que se seguiram vários restauros em finais do século XIX.

2. O Museu Nacional do Azulejo situa-se nas instalações do antigo Convento da Madre de Deus, casa da Ordem de Santa Clara, fundada em 1509 pela Rainha Dona Leonor, mulher de Dom João II.

3. Da construção original subsiste hoje, na fachada, a torre sineira e o corpo anexo ao nível da atual rua. No interior do convento, é também desta época a sala com teto de alfarge, que tem o nome de “Capela de Dona Leonor”, assim como o piso térreo do claustrim, que revelam um caraterístico estilo Gótico Manuelino.

4. Em meados do século XVI, Dom João III  encomendou ao arquiteto Diogo Torralva uma nova igreja, com a sua fachada e claustro num plano mais alto que a primeira fase de construção por forma a resolver o problema da recorrente invasão por águas do Tejo de que se queixavam as freiras. O trabalho de Diogo Torralva revela uma grande austeridade decorativa num clássico estilo maneirista.

5. Entre finais do século XVII e o começo do século XVIII, graças ao afluxo das riquezas do Brasil, a igreja do convento recebe a instalação de azulejos holandeses, talha dourada e ciclos pintados das vida de São Francisco, Santa Clara e da Virgem.

6. O terremoto de 1755 danifica seriamente a capela-mor e na campanha reconstrutiva Dom José I manda construir um novo altar em estilo rococó. Desta época são igualmente a Sala do Capítulo, o espaço do subcoro, o Coro e a Capela de Santo António com a Casa do Presépio onde se pode ver ainda hoje um presépio da autoria de António Ferreira.

7. A extinção das ordens religiosas em 1834 e a transferência da posse do edifício para o Estado em 1872, depois da morte da última freira conduz a extensas obras de restauro. Inicialmente conduzidas por José Maria Nepomuceno, num estilo de revivalismo romântica, estas obras reconstroem a fachada a partir do quadro “Chegada das Relíquias de Santa Auta” de 1522. Nepomuceno construiu também o primeiro piso do claustrim e abriu uma parede na igreja, colocando-a em contacto com os demais espaços do convento.

8. Os melhoramentos de José Maria Nepomuceno foram continuados pelo arquiteto Liberato Teles, que incentivou a colocação no Convento da Madre de Deus de instalações de azulejos provenientes de outros edifícios do país.

9. Em 1965, o núcleo de Azulejaria do Museu Nacional de Arte Antiga foi transferido para o Convento. Cinco anos depois abria ao público o Museu do Azulejo.

A Igreja do Convento da Madre de Deus

1. A Igreja foi construida durante a década de 1550 por ordem de Dom João III. De traços austeros, abóbada de canhão e altar-mor sob arco triunfal de volta perfeita, ladeado por arcos mais baixos.

2. O seu interior, austero na matriz inicial, acabaria por albergar uma densa decoração barroca sob Dom Pedro I, Dom João V e Dom José I. Entre esta decoração destacam-se os painéis de azulejo na nave, de origem holandesa e encomendados em 1698. Estes azulejos representam Moisés e o episódio da Sarça Ardente sendo da autoria de Willem van der Kloet. Entre estes azulejos destaca-se a cena de um frade em oração, frente a outros frades na mesma atitude. Na capela-mor encontramos o Papa Nicolau V perante o cadáver de São Francisco e um frade pedindo silêncio, naquilo a que Vítor Manuel Adrião quis interpretar um gesto invocando o segredo da mensagem esotérico (alquímica?) que transparece de alguns azulejos do convento. Estes azulejos são produto do autor holandês Jan van Oort.

3. Já no século XIX, durante a campanha de reconstrução de Liberato Teles, foram aplicados na parede do fundo da igreja do Convento da Madre de Deus dois painéis de azulejos descrevendo a chegada das relíquias de Santa Auta, da autoria de Pereira Cão.

4. Acima dos azulejos na igreja do Convento da Madre de Deus encontramos uma serie de pinturas da segunda metade do século XVII da autoria de Bento Coelho da Silveira: num primeiro nível, representam a vida de São Francisco, num segundo, a vida de Santa Clara. No teto, encontramos episódios da vida da Virgem Maria e de Cristo, em quadros de Marcos da Cruz (segunda metade do século XVII).

O Claustro do Convento da Madre de Deus

1. O Claustro do Convento da Madre de Deus foi construido a partir de 1551, numa campanha construtiva orientada pelo arquiteto Diogo de Torralva, num estilo muito austero e simples, incorporando cinco vãos tripartidos (aludindo, talvez, à Santíssima Trindade) por colunelos.

2. No centro do claustro do Convento da Madre de Deus, encontramos uma fonte em mármore de inspiração neogótica com seis atlantes que sustentam uma grande e que exibem filacteras entre as estátuas, como estas trocassem frases entre si:
Ajuda-me
O melhor que posso
E tu que não ajudas
Não posso mais
Muito pesado
Deus nos ajude

 
Claustrim do Convento da Madre de Deus

1. Este pequeno claustro é (pela sua pequenez) designado por “claustrim” e era originalmente o claustro do convento tendo sido construido entre 1509 e 1525. De planta regular, é composto por 32 arcos de volta perfeita em colunelos de capitéis simples. O seu estilo é o de um austero Tardo-Gótico renascentista. Aqui observamos igualmente a fonte de Santa Auta, que deverá ter estado originalmente no exterior da cerca do convento e que para aqui foi deslocada numa das campanhas de construção do século XIX.

2. O cordão afivelado do Claustrim do Convento da Madre de Deus que pode ser observado nos dois pisos é de estilo neogótico e resulta da campanha de obras de 1872, a qual colocou no primeiro piso do claustrim arcos ogivais, subdivididos por colunelos.

3. Os azulejos em rico enxaquetado do século XVII que decoram as paredes do claustrim da Madre de Deus e a escadaria de acesso ao piso superior são oriundas do antigo Convento de Santa Ana, em Lisboa e na escadaria de acesso ao piso superior do Claustrim encontramos composições de caça da segunda metade do século XVIII, que vieram do Palácio do Calhariz, também em Lisboa.

Capela de Santo António:

1. A Capela de Santo António do Convento da Madre de Deus é também conhecida como “Antecoro”, tendo sido decorada por ordem de Dom João V com soalhos de madeira do Brasil, painéis de azulejos que representam a vida dos santos eremitas Santo Antão e São Paulo e pinturas da autoria de André Gonçalves sobre os milagres de Santo António nas paredes e teto. Frente ao altar encontramos a porta do presépio, cuja autoria se atribui a António Ferreira.

Presépio do Convento da Madre de Deus:

1. O presépio terá sido executado entre 1700 e 1730 por Dionísio e António Ferreira, no âmbito da campanha construtiva ordenada por Dom João V.

2. O presépio é um dos mais complexos do país e deste período, contando com 42 peças em terracota, com apontamentos de ouro e prata. Expõe vários aspectos da vida comum da época, com um tratamento individualizado para os rostos e panejamento muito cuidado

 

Um Percurso Pedonal https://www.facebook.com/MysteriesLisbon

Coro (ou Sala do Tesouro) do Convento da Madre de Deus:

1. O coro era no convento o lugar de reunião das freiras e foi construido sob o reinado de Dom João III, tendo recebido decoração em estilo barroco sob Dom João V e Dom José I,  tendo sido concluído em 1759.

2. O soalho marchetado do Coro do Convento da Madre de Deus é composto por madeiras do Brasil. As vitrina colocadas sobre o cadeiral conservam relicários de santos.

3. Encontramos no coro um tabernáculo com as armas de Dom José I apresentando ao topo as armas as três virtudes: Fé, Esperança e Caridade, assim como o Pelicano sob Deus.

4. Os vãos das janelas do Coro exibem oito heroínas do Antigo Testamento.

5. O nível superior das paredes da sala do Coro está decorado com pinturas portuguesas dos séculos XVII e XVIII com episódios da vida da Virgem e de Cristo e com os retratos de Dom João III e Dona Catarina de Áustria, da autoria (supõe-se) de Cristóvão Lopes.

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Categories: História, MaisLisboa.org | 2 comentários

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2 thoughts on “Percurso no Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)

  1. Gisela Alcaide

    Maravilhosa esta publicao. Grata Gisela

  2. Guga

    Maravilhoso exemplo da arte e da arquitetura portuguesa! Parabéns pela publicação.

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