Mosteiro dos Jerónimos: um roteiro simbólico e secreto

 

1- Uma das várias “mãos de Deus” da Igreja dos Jerónimos, parte de um ritual de iniciação em que os futuros navegadores deviam procurar a coluna com a “mão de Deus”, que deviam tocar (o que explica o desgaste que se observa no motivo).
2. No Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos um ouroboros no tecto. Símbolo de eternidade, renovação alquímica da matéria e unidade do cosmos e do infinito a serpente que morde a sua própria causa é um símbolo que se repete (várias vezes) no claustro da Sé Catedral de Lisboa e que também surge no Convento da Madre de Deus (no Claustrim).

3. No painel central do grandioso pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos o Infante Dom Henrique. A posição onde se encontra a sua estátua está carregada de valor simbólico, estando no eixo que separa o “céu” da “terra” (Nossa Senhora dos Reis Magos e Arcanjo São Miguel). Dom Henrique é aqui tanto mais invulgar, porque é o único “homem comum” representado nesta fachada, o de evidencia a sua importância para o projeto quinto imperial que então Portugal estava a construir.

4. O Infante Dom Henrique designava a região onde se viria a construir o Mosteiro dos Jerónimos como “Beth-Lehem”, isto é, a “casa do pão” em hebraico. Esta poderia ser uma alusão ao local onde esperava – no seu magistral plano quintoimperial – lançar as bases do novo Homem, iniciado em Cristo e no Império, novo Cristo que partiria a desbravar e a evangelizar o mundo.

5. Antes do Mosteiro dos Jerónimos ser construído existia neste local uma Capela da Ordem de Cristo que prestava “apoio espiritual” aos navegadores que destas praias (então ainda a poucos metros da atual fachada do mosteiro) partiam para as Descobertas. Seria nesta capela que se desenrolavam as cerimonias de iniciação que depois foram transferidas para o interior do mosteiro, e nomeadamente para a Igreja dos Jerónimos.
6. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar representações do Sol e da Lua, assim como dois medalhões com as efígies do rei e da rainha. Um e outro símbolo aludem à dualidade sexual (Enxofre-Mercúrio) da matéria e à conjugação harmoniosa que o Adepto tem que cumprir na Grande Obra para alcançar o Rubedo e o consequente sucesso.
7. Num medalhão do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos uma rosa solar aberta (valendo pela “vida”) sobre a cruz do calvário (morte), numa clara alusão ao Renascimento e à Regeneração que se pode alcançar pela Pedra dos Filósofos e pela rectidão de percurso na Grande Obra.
8. No friso do pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar os símbolos da corda, da seta de cupido e do ovo filosófico (matrás alquímico). A corda – motivo templário – vale pela união entre Iniciados que se cumpria nesta local que iniciação que era o mosteiro; o Ovo representa o recipiente onde decorre a evolução da Materia Prima até ao estado mais puro e iluminado (a Pedra Filosofal, que aqui pode ser tanto uma expressão de Alquimia Espiritual, como de Material). A seta de Cupido, por fim, refere-se ao Amor, referido na Sé de Lisboa pelos vários “pássaros que se beijam” e que liga à ideologia dos trovadores e jograis de finais da Idade Média, verdadeiros porta-vozes da Igreja de João e do Templarismo.
9. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos também (como na Sé de Lisboa), o Arcanjo São Miguel, guardião de Portugal e do mundo e que – pela sua espada flamejante – alude ao Mercúrio dos Filósofos, o dissolvente que tudo mistura e que tem um papel determinante no sucesso da Obra de Hermes.
10. Na Igreja de Santa Maria de Belém podemos encontrar o Rectângulo de Ouro ou Secção de Ouro, aqui colocado pelo grande arquiteto dos Jerónimos, Mestre Boitaca. Símbolo da expressão do Logos de João e do Fogo, elemento que anima a matéria morta e a conduz ao desenvolvimento pleno.
11. A ocidente do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Boitaca concebeu um caminho iniciático que começa no local onde encontramos um X num medalhao. Este símbolo vale aqui por Cristo e pelo Fogo (como a Secção de Ouro da planta da igreja). O caminho iniciático termina num Sol antropomorfizado que vale pela ascensão do iniciado a esse novel patamar. Ao longo deste caminho, dispõem-se vinte medalhões e oito quadros esculpidos, um por cada passo de iniciação que o neófito tem que saber vencer até conseguir alcançar o Sol, o seu objetivo final.
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