O que é exatamente, a “Lusofonia”? E sobre o Momento Ideal que vivemos para a desenvolver

O que é exatamente a “lusofonia”? O que representa o termo para um africano, brasileiro ou português? Tem o mesmo significado ou, pelo contrário, vale coisas diferentes em locais e contextos diferentes?

Esse é o grande cisma da “lusofonia”: para um africano, “lusofonia” representa uma ligação a um passado histórico, mais ou menos desejado, mais ou menos odiado, mas também a ponte que une muitas famílias numa diáspora que -nos últimos anos – tem dado sinais de reversão. Para um brasileiro, representa um termo desconhecido ou exótico, na grande maioria não-ilustrada da sua população, ou uma oportunidade de negócios para as elites inteletuais ou económicas do Brasil. Para um Português, “Lusofonia” tem um cariz de “idade de Ouro”, de um “império” perdido e de um passado glorioso que se esfumou nas brumas do tempo… ou ainda um modelo alternativo de futuro nacional, uma espécie de transposição para África e Brasil do mesmo conceito experienciado na União Europeia, de uma pró-federação transnacional, mas agora com uma base cultural e não de base económica e financeira.

Obviamente, todos estão certos e todos estão errados. Antes do mais, a “lusofonia” não é uma “Lusotopia”, um objetivo ou meta longínqua que pode ser alcançada, mediante a aplicação da intensidade correta de esforço ou de recursos. A Lusofonia existe de forma latente e imanente em todos aqueles que falam Português e com uma resiliência flexível que apenas existe nas manifestações culturais (como a língua). A Lusofonia é o cruzamento destes três aspectos de ver o conceito: o conceito de diáspora africano, o conceito utilitarista brasileiro e o romântico ou nostálgico luso. Deste cruzamento grandes obras podem surgir… edifícios sociais e políticos unindo três continentes, amplificando de forma exponencial a capacidade de projeção internacional e o desenvolvimento social e económico de todos estes povos.

A semente para esta união política está plantada na mente coletiva de todos os lusófonos. Mas o tempo é inclemente… o momento para se começar a construir essa materialização deste conceito imaterial (porque cultural) é agora… o desenvolvimento económico e cultural que hoje é patente no Brasil, cruzado com o notável desenvolvimento económico de Angola e Moçambique poderia potenciar uma aproximação política. Paradoxalmente, as próprias dificuldades presentes atravessadas por Portugal, com o consequente descrédito da “via única europeia” e o reconhecimento da evidência de que o país não é “apenas” um país europeu, mas também um “país atlântico” com uma vocação e uma atração natural para a realidade do Além Mar que lhe é matricial e natural.

A situação presente, com o impulso para o exterior sentido pela economia brasileira e com a intensificação dos contactos económicos entre Angola-Moçambique e Portugal estão a fazer crescer o pilar económico das relações entre os paises lusófonos, reforçando as pontes já robustecidas por séculos de História comum e as diásporas cruzadas que têm tambem aumentado nos últimos dez anos.

Esta confluência de fatores favoráveis a uma maior aproximação política entre os países que integram a CPLP torna o momento perfeito a que se dêem agora passos decisivos para tornar mais efetiva e operativa aquela promessa eternamente adiada que é a Comunidade Lusofona. O momento é Agora e a oportunidade é gritante. Contudo, a falta de visão dos líderes lusófonos é atroz… toda esta rara confluência de factores está a ser desprezada e brevemente se perderá este momento ideal para transformar a CPLP em algo de realmente aproximado ao sonho de Agostinho da Silva e Aparecido de Oliveira.

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Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Portugal | Etiquetas: | 2 comentários

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2 thoughts on “O que é exatamente, a “Lusofonia”? E sobre o Momento Ideal que vivemos para a desenvolver

  1. João Paulo

    “O que é exatamente a “lusofonia”?… Para um Brasileiro, representa um termo desconhecido ou exótico, na grande maioria não-ilustrada da sua população, ou uma oportunidade de negócios para as elites inteletuais ou económicas do Brasil.” – Lusofonia = conjunto de entidades culturais existentes em todo o planeta Terra que têm o português como língua materna ou 2ª língua. E só pessoas alienadas e ignorantes não conseguem perceber na Lusofonia uma grande oportunidade de lucro até para não-lusófonos. A língua portuguesa tem grande valor econômico principalmente por ser uma língua intercontinental. Tal como o inglês e o francês, a língua portuguesa se faz presente em mais de três continentes. Eu vejo a língua portuguesa como uma “ponte econômica/comercial” que não é utilizada com frequência, e se fosse, os países lusófonos teriam mais lucro.
    “Para um Português, “Lusofonia” tem um cariz de “idade de Ouro”, de um “império” perdido e de um passado glorioso que se esfumou nas brumas do tempo… ou ainda um modelo alternativo de futuro nacional, uma espécie de transposição para África e Brasil do mesmo conceito experienciado na União Europeia, de uma pró-federação transnacional, mas agora com uma base cultural e não de base económica e financeira.” – Mas é aí que estão os erros cometidos pelos lusofonistas no que se refere a tentar convencer o lado brasileiro. Se associam a expressão “império”, vai soar ofensivo, desrespeitoso aos Brasileiros. Neste momento da História, a maioria dos Brasileiros está a favor de ideias esquerdistas. A maioria dos Brasileiros não gosta de “colonialismos” ou “imperialismos”. Outro ponto, desde o início da crise em 2008, a UE é vista como algo negativo, se o Euro deixou os países em crise, então uma união de países no modelo da UE é uma péssima ideia. O povo brasileiro não quer perder a sua autonomia monetária. Se quisesse, a moeda corrente no Brasil já seria o Dólar dos EUA. Os Portugueses já são acostumados a viver em megabloco econômico mas os Brasileiros não são. Quem quer levar adiante a proposta da vertente lusófona e ser levado a sério pelo lado brasileiro, tem que ir mais devagar, por etapas. Não é conveniente chegar imediatamente com propostas de moeda única como o Euro, livre transito de pessoas como Shengen, governo único supranacional igual a Comissão Europeia em Bruxelas, porque tais ideias são muito prematuras.
    A melhor proposta para iniciar o processo é a criação de uma área de livre-comércio dentro da CPLP, isentar de tributação mercadorias e serviços, e cooperação para aquecer a economia dos países. Depois, facilidades para turismo e empenho para identificação cultural, como por exemplo, canais de televisão conjuntos, e fazer propostas a países não-lusófonos interessantes como Panamá, Egito, Ucrania e Coreia do Sul, e países não-lusófonos com ligações históricas como a China, a India e o Japão. Mas antes, principalmente o Brasil e Portugal, os países lusófonos têm problemas políticos internos para resolver.

  2. Pedro

    Lusofonia tem na sua génese e objectivo a “corrente dos filhos da luz”, os filhos da luz eram os lusitanos e Lusitânia, quer dizer terra de luz, e isso leva-nos a criação de Portugal como estado independente e à criação do Brasil para o surgimento do homem novo o tal homem aquariano que seria a mistura de um ocidental com uma índia, leva-nos também à procura do reino do Preste João em África, uma obsessão pelos réis portugueses durante o período das descobertas em virtude de já saberem que existia um povo africano que tinha recebido dos hebraicos fugidos aquando da invasão de Israel pelo império Persa dividindo as suas 12 tribos, ficando em Israel apenas duas tribos a de Judá e a de Levy, sendo que as outras erraram pela Europa e outras partes do norte de África (chamadas tribos perdidas) e uma delas se fixou particularmente no interior africano que se crê onde estar hoje a Etiópia, essa procura por esse tal reino africano de caris judaico tinha a ver apenas por se julgar que essa tribo perdida era a que teria levado a arca da Aliança para fora de Israel.
    Portanto o conceito de Lusofonia tem em si mesmo uma importância que vai para além do entendimento da maioria dos próprios que se dizem lusófonos, apenas concentra em si mesmo os fundamentos para o tabernáculo de comunicação directa divina entre o homem e Deus e que o período das descobertas foram o início e que agora deve ser concluído, esse é o tal Império Espiritual, o 5.º.

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