O escravo comissionista

O desemprego tem em Portugal duas facetas quase completamente ignoradas pelos Media: o Desemprego Senior (+45 anos) e uma outra faceta e uma outra, ainda menos noticiada que a primeira (ainda que não menos grave): o Sub-Escravo Comissionista.

Sobre o Desemprego Senior falaremos noutros artigos, sendo que neste dedicaremos algumas linhas a descrever esse fenómeno crescente de precariedade laboral que é o Sub-Escravo Comissionista. Porquê “Sub-Escravo”, perguntarão? Porque nesta forma de precariedade laboral, o trabalhador não tem algumas das condições que estão associadas à condição tradicional de escravo: o “senhor” esclavagista concedia ao escravo alojamento e alimentação… ora o sub-escravo comissionista nem a essas “regalias” tem direito: para se deslocar ao local de trabalho, tem que pagar do seu bolso; tem que financiar os contactos que realiza (por telefone ou Internet) e, frequentemente, paga as suas refeições em horário laboral e até publicidade para o seu “negócio” tem que se suportar do seu próprio bolso. Para o “empreendedor” ou “empresário” o risco é zero: os custos de manter operacional o negócio são assumidos pelo sub-escravo e quando este finalmente se apercebe do logro é rapidamente substituído por outro que aguarda ansiosamente na numerosa hoste de desempregados de longa duração deste país que o fanatismo austeritário e a vontade punitiva da nossa “amiga” europa não deixam de fazer crescer.

Tudo isto se passa na maior das impunidades legais e às frente de todos, perante o silêncio cúmplice dos Media e a passividade das autoridades e, sobretudo, da Inspeção do Trabalho.

Categories: Economia, maisdemocracia.org, MaisLisboa.org, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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2 thoughts on “O escravo comissionista

  1. J.Moreira

    Porquê que os “Sub-Escravos Comissionistas” não se transformam em “empreendedores” ou “empresários”, já que o risco é zero?
    Desta forma podiam contratar sub-escravos, que assumiriam os custos de manter operacional o negócio. E quando os sub-escravos se apercebessem do logro, contratava outro, entre aqueles que “aguardam ansiosamente na numerosa hoste de desempregados de longa duração deste país”.
    Será que o “Sub-Escravo Comissionista” não se quer transformar em “empreendedor” ou “empresário”, porque não está para aturar outros “Sub-Escravos Comissionistas”?
    Vale sempre a pena lembrar:
    – Não é possível tornar os pobres prósperos através de legislação que ao mesmo tempo pune a prosperidade dos ricos.
    – O que cada pessoa recebe sem trabalhar, outra pessoa tem que trabalhar sem receber.
    – O governo não pode dar nada a ninguém sem tirar de alguém primeiro.
    – Quando metade da população se aperceber da ideia de que não precisa trabalhar pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entender que não vale a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao princípio do fim de uma nação.
    – É impossível multiplicar a riqueza dividindo-a.

  2. vale a pena lembrar;
    – a legislação que temos não pune a prosperidade dos ricos, como não pune a influência dos ricos na legislação que temos.

    – o que é tirado às pessoas que trabalham não é para as pessoas que não trabalham, é para sustentar as negociatas dos ricos com o governo.

    – o governo nunca poderá dar nada a alguém, porque a governação não tem lucro e o prejuízo acumulado vai sempre só para alguns.

    – era fácil dividir o trabalho por toda a população, bastava uns trabalharem de manhã e outros à tarde, assim todos trabalhavam e ninguém era prejudicado, e a divisão do dinheiro justa.

    – pois, multiplicar a riqueza só acontece quando multiplicamos a pobreza…

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