Monthly Archives: Agosto 2013

O que é exatamente, a “Lusofonia”? E sobre o Momento Ideal que vivemos para a desenvolver

O que é exatamente a “lusofonia”? O que representa o termo para um africano, brasileiro ou português? Tem o mesmo significado ou, pelo contrário, vale coisas diferentes em locais e contextos diferentes?

Esse é o grande cisma da “lusofonia”: para um africano, “lusofonia” representa uma ligação a um passado histórico, mais ou menos desejado, mais ou menos odiado, mas também a ponte que une muitas famílias numa diáspora que -nos últimos anos – tem dado sinais de reversão. Para um brasileiro, representa um termo desconhecido ou exótico, na grande maioria não-ilustrada da sua população, ou uma oportunidade de negócios para as elites inteletuais ou económicas do Brasil. Para um Português, “Lusofonia” tem um cariz de “idade de Ouro”, de um “império” perdido e de um passado glorioso que se esfumou nas brumas do tempo… ou ainda um modelo alternativo de futuro nacional, uma espécie de transposição para África e Brasil do mesmo conceito experienciado na União Europeia, de uma pró-federação transnacional, mas agora com uma base cultural e não de base económica e financeira.

Obviamente, todos estão certos e todos estão errados. Antes do mais, a “lusofonia” não é uma “Lusotopia”, um objetivo ou meta longínqua que pode ser alcançada, mediante a aplicação da intensidade correta de esforço ou de recursos. A Lusofonia existe de forma latente e imanente em todos aqueles que falam Português e com uma resiliência flexível que apenas existe nas manifestações culturais (como a língua). A Lusofonia é o cruzamento destes três aspectos de ver o conceito: o conceito de diáspora africano, o conceito utilitarista brasileiro e o romântico ou nostálgico luso. Deste cruzamento grandes obras podem surgir… edifícios sociais e políticos unindo três continentes, amplificando de forma exponencial a capacidade de projeção internacional e o desenvolvimento social e económico de todos estes povos.

A semente para esta união política está plantada na mente coletiva de todos os lusófonos. Mas o tempo é inclemente… o momento para se começar a construir essa materialização deste conceito imaterial (porque cultural) é agora… o desenvolvimento económico e cultural que hoje é patente no Brasil, cruzado com o notável desenvolvimento económico de Angola e Moçambique poderia potenciar uma aproximação política. Paradoxalmente, as próprias dificuldades presentes atravessadas por Portugal, com o consequente descrédito da “via única europeia” e o reconhecimento da evidência de que o país não é “apenas” um país europeu, mas também um “país atlântico” com uma vocação e uma atração natural para a realidade do Além Mar que lhe é matricial e natural.

A situação presente, com o impulso para o exterior sentido pela economia brasileira e com a intensificação dos contactos económicos entre Angola-Moçambique e Portugal estão a fazer crescer o pilar económico das relações entre os paises lusófonos, reforçando as pontes já robustecidas por séculos de História comum e as diásporas cruzadas que têm tambem aumentado nos últimos dez anos.

Esta confluência de fatores favoráveis a uma maior aproximação política entre os países que integram a CPLP torna o momento perfeito a que se dêem agora passos decisivos para tornar mais efetiva e operativa aquela promessa eternamente adiada que é a Comunidade Lusofona. O momento é Agora e a oportunidade é gritante. Contudo, a falta de visão dos líderes lusófonos é atroz… toda esta rara confluência de factores está a ser desprezada e brevemente se perderá este momento ideal para transformar a CPLP em algo de realmente aproximado ao sonho de Agostinho da Silva e Aparecido de Oliveira.

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Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Portugal | Etiquetas: | 2 comentários

O Futuro do Livro (ensaio)

Não há dúvidas de que hoje em dia o modelo convencional da “livraria” está seriamente ameaçado. A concorrência desleal (ou até mesmo ilegal) das grandes superfícies, como o Continente e o Pingo Doce e das grandes cadeias multinacionais (que praticam impunemente várias formas de Dumping) colocam em risco fatal o conceito tradicional de “livraria” enquanto um espaço comercial de venda de livros físicos.

As livrarias de bairro, com menos de 50 metros quadrados, dois ou três empregados e faturações abaixo dos 50 mil euros, já morreram praticamente todas e as que resistem conseguem esse feito apenas devido a fatores extraordinários e dificilmente reproduzíveis (outros rendimentos dos proprietários, rendas baixas ou nulas, subsídios diretos ou indiretos, etc). As livrarias de média escala podem sobreviver se mantiverem uma estrutura de custos muito ligeira (arrendamentos sustentáveis, auto-emprego, etc) e se diversificarem a sua atividade (jornais, revistas, tabaco e papelaria). As grandes, implicam grandes concentrações (e custos) de capital e batem-se no árduo terreno onde FNACs, e Continentes ocupam de forma quase imperial…

Os fatores que explicam a morte da livraria (de pequena ou média escala), generalista e de bairro, são diversos mas confluentes: e para melhor compreender este fenómeno há que olhar para os EUA, país onde este fenómeno teve o seu início e onde aquele fator que é tido frequentemente como a maior ameaça isolada ao livro tradicional teve o seu epicentro: o eBook.

A migração de muitos leitores habituais para o livro eletrónico ou eBook e as vendas online (wook ou amazon) estão a erodir de forma significativa, mas não absoluta, o mercado do livro tradicional. Não acreditamos que o ebook tome totalmente o lugar do livro tradicional, e de facto, nos EUA, já parece ter alcançado o pico de vendas com um quinto de todas as vendas, mas um crescimento de apenas 5% de 2012 para 2013… em Portugal, não existem números, mas é crença comum que as vendas de ebooks são vestigiais, provavelmente representando menos de 5% do mercado. Como curiosidade, na carruagem do comboio suburbano onde agora escrevo estas linhas, viajam umas vinte pessoas (é agosto e o desemprego ultrapassa já os dois milhões), destas quatro leem livros, uma um ebook (um kobo da FNAC)… A grande dúvida em relação ao efeito do ebook sobre o mercado do livro convencional esta em saber se este será suficientemente grande para destruir as margens dos pequenos operadores de nicho e as dos operadores médios… e ainda ninguém sabe responder a esta pergunta, mas dentro de três ou quatro anos já poderemos ter essa noção, com a resposta que o tempo dará sobre se as vendas dos ebook alcançaram mesmo o pico ou não…

Neste incerto e potencialmente fatal, futuro do livro, qual será o papel do editor?… a grande redução do número de livrarias vai reduzir as vendas, num fenómeno de duplo feedback bem conhecido noutros ambientes (menos livrarias: menos editoras: menos livros: menos livrarias: menos leitores: menos livrarias). Ao futuro das editoras depende muito do futuro do ebook, já que neste modelo de negócio é possível que o leitor compre diretamente ao escritor tendo apenas a intermediação da entidade que gere a plataforma (Amazon-Kindle, FNAC-Kobo, Barnes & Noble-Nook, Apple-iPad, etc). Neste novo universo do livro eletrónico, as editoras arriscam-se a serem tão residuais como as livrarias… a ameaça é assim comum e a ambas e devia ser encarada como tal pelas associações do setor.

O que resta então de futuro para a livraria tradicional?… concorrer com os gigantes do setor, como a FNAC ou a Apple, estão nitidamente fora de alcance de qualquer pequena PME. A opcao por uma livraria de nicho temático será então a derradeira via para este ramo de negócio?…

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Sabia que Portugal foi, entre os pequenos países, o que menos recebeu da União Europeia?

Sabia que Portugal foi, entre os pequenos países, o que menos recebeu em termos líquidos em transferencias da CE? Nos sete primeiros anos de adesão, Portugal apenas recebeu 11% do PIB, enquanto a Irlanda recebeu 17 e a Grécia 21% (!). Tal disparidade deveu-se a uma má negociacao do contrato de adesão que fez com que o nosso país nada recebesse do FEOGA (Fundo Europeu de Organização e Garantia Agrícola).

Por outro lado, a falácia do “investimento europeu” também sofre um rude golpe ao sabermos que 32,3% foi absorvido pela Banca (o setor mais beneficiado), seguido pelo Imobiliário (21,2%). Ou seja, os investimentos nos setores não transacionaveis da economia nos cruciais anos de 1986 / 1995 foram em mais de 50% para os setor não produtivos da economia!

Categories: Europa e União Europeia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

O escravo comissionista

O desemprego tem em Portugal duas facetas quase completamente ignoradas pelos Media: o Desemprego Senior (+45 anos) e uma outra faceta e uma outra, ainda menos noticiada que a primeira (ainda que não menos grave): o Sub-Escravo Comissionista.

Sobre o Desemprego Senior falaremos noutros artigos, sendo que neste dedicaremos algumas linhas a descrever esse fenómeno crescente de precariedade laboral que é o Sub-Escravo Comissionista. Porquê “Sub-Escravo”, perguntarão? Porque nesta forma de precariedade laboral, o trabalhador não tem algumas das condições que estão associadas à condição tradicional de escravo: o “senhor” esclavagista concedia ao escravo alojamento e alimentação… ora o sub-escravo comissionista nem a essas “regalias” tem direito: para se deslocar ao local de trabalho, tem que pagar do seu bolso; tem que financiar os contactos que realiza (por telefone ou Internet) e, frequentemente, paga as suas refeições em horário laboral e até publicidade para o seu “negócio” tem que se suportar do seu próprio bolso. Para o “empreendedor” ou “empresário” o risco é zero: os custos de manter operacional o negócio são assumidos pelo sub-escravo e quando este finalmente se apercebe do logro é rapidamente substituído por outro que aguarda ansiosamente na numerosa hoste de desempregados de longa duração deste país que o fanatismo austeritário e a vontade punitiva da nossa “amiga” europa não deixam de fazer crescer.

Tudo isto se passa na maior das impunidades legais e às frente de todos, perante o silêncio cúmplice dos Media e a passividade das autoridades e, sobretudo, da Inspeção do Trabalho.

Categories: Economia, maisdemocracia.org, MaisLisboa.org, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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