Em Prol de uma Plataforma Eleitoral comum de um novo tipo

“Num mundo em que a influência governamental se encontra num declínio inexorável e outras forças transnacionais se afirmam, umas benéficas mas outras malignas, temos pouca escolha para além de assumir pessoalmente o fardo da ação. Se não o fizermos, outros o farão, sejam as máfias criminosas, de alcance mundial, os movimentos terroristas globais ou as multinacionais sem qualquer preocupação para além do lucro.”

Carne Ross, A Revolução sem Líder

Assim como a natureza tem horror ao vazio, também o tem a Política… se os cidadãos se demitirem (ou foram condicionados a tal) esse vácuo será preenchido por esses poderes. Na verdade, o declínio muito sensível dos níveis de participação dos cidadãos na Sociedade Civil, seja na frente da vida associativa, seja na frente da militância política ativa, beneficiou essas forças subterraneas de Poder que preencheram esse espaço.

As democracias vivem hoje uma época de profunda erosão da sua representatividade: os Partidos Políticos são mais fechados e dependentes dos seus aparelhos profissionais, de máquinas de marketing e de financiadores “abnegados” do que nunca. Os cidadaos atravessam um momento de auto-demissao e de demissao induzida pelos Media e pelos grupos economicos dos seus papeis ativos de cidadania. O afastamento entre eleitos e eleitores alcanca tais dimensoes que somente a via do protesto (cada vez mais violento) se assume de alguma relevancia, como demonstram as Primaveras Arabes e as mais recentes acoes de rua na Turquia (contra a islamizacao forcada da sociedade) e no Brasil (contra a corrupcao e os desmandos do Futebol). De facto, a via dos movimentos sociais parece tão esgotada quanto a dos partidos convencionais “de protesto”, os quais, em boa verdade, se apossaram de grande parte dos primeiros…

O bloqueio atual de Participação dos cidadãos na politica e esta bonomia bovina da Sociedade Civil parece poder ser apenas quebrada na Rua, por protestos em larga escala e prolongados como os das “Primaveras” ou atraves da constituicao de plataformas eleitorais de um novo tipo. Plataformas que congreguem cidadaos ativos que se sentem a fazer “algo” no agora, algo de efetivo, que mude ou interfira na conducao atual dos nossos destinos comuns. Plataformas que agreguem sem dissolvem, que unam, sem separar nem devorar identidades grupais ou individuais. Plataformas de cidadania que se possam apresentar a eleições e alterar a condução do jogo usando as proprias regras definidas para ele pela Situação Partidocrata que nos rege.

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Categories: Democracia Participativa, maisdemocracia.org, MaisLisboa.org | Deixe um comentário

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