Reflexão sobre o recorde de impopularidade de François Hollande e o descrédito da Democracia Representativa

“O Presidente francês, François Hollande, bateu o recorde de impopularidade de um chefe de Estado desde que, em 1958, se começaram a fazer este tipo de sondagens. 74% dos franceses dizem-se descontentes com a sua política. Os escândalos, a crise e o não cumprimento das promessas eleitorais prejudicam a imagem do actual Presidente francês.
(…)
“Essa mesma sondagem mostra ainda que o líder da Frente Nacional, iguala a intenção de voto de Hollande, arrecadando igualmente 22%.”

Albano Matos
Diário de Notícias
22 de abril de 2013

Desta notícia devem tirar-se dois ensinamentos:

1. Existe na democracia ocidental um problema crónico e que está no cerne da sua perda de credibilidade pública e da erosão irreversível da democracia representativa: o afastamento entre o Discurso Eleitoral e a Prática Governativa, com a crescente descrença nos políticos e um consequente afastamento entre Eleitos e Eleitores. Uma vez eleitos, os Representantes são forçados, ou sempre o souberam, a servir outros Interesses que não os dos seus cidadãos, sejam eles os dos “Mercados”, dos Banqueiros ou da Alemanha imperial, e desviam-se radicalmente do seu discurso eleitoral, criando uma desilusão profunda naqueles que votaram em si e na própria fiabilidade da Democracia Representativa, ou “Democracia 1.0”.

2. Esta perda de confiança nos políticos produz dois tipos de efeitos: a abstenção cada vez mais crónica e mais extensa e o crescimento contínuo dos radicalismos de todas as cores: em França, onde a matriz para o racismo é muito mais forte que em Portugal, a Extrema Direita ganha posições cada vez mais sólidas, crescendo à conta desta infiabilidade crescente da Democracia Representativa. E este fenómeno é mundial, desde o Tea Party dos EUA, passando pela Finlândia, Holanda, Áustria, Grécia ou Alemanha, onde os radicais de Direita se tornam cada vez mais fortes.

A verdade é que a Democracia Representativa ou Democracia 1.0 está bloqueada. Cercada por um lado pelos Grandes Interesses, por outro pelo crescimento dos Extremismos, a Democracia Representativa definha e arrasta no seu declínio a Democracia e a Cidadania… urge renovar o sistema e esta renovação só pode ocorrer através da introdução de ferramentas democráticas de Democracia Direta ou Participativa no debilitado sistema democrático representativo: petições, referendos, orçamentos abertos e participativos, assembleias, deputados independentes, movimentos independentes, eleições uninominais, direito de revogação de mandatos, etc

Vivemos um momento decisivo: os cidadãos resgatam a sua cidadania das mãos destes políticos cada vez mais longínquos, mentirosos e fiéis aos Grandes Interesses e deixam que esta anemia democrática se instale e se torne definitiva, transformando-se cada vez menos democrática e cada vez mais plutocrática ou erguemo-nos do sofá e desta depressão coletiva e impomos à Situação uma revolução tranquila e gradual para a Democracia 2.0 ou Democracia Directa e Participativa ou estamos a caminho de um regime totalitário, opressivo e ditatorial.

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Categories: Democracia Participativa, Política Internacional, Política Nacional | Deixe um comentário

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