Democracia 2.0

Ao longo da História o ser humano habitou-se a viver sob hierarquias… desde o chefe do clã, ao rei, passando pelos líderes militares ou políticos. Mas não tem que ser assim. Os cidadãos não são necessariamente uma massa de ignorantes acéfalos ou incultos: o Auto-Governo é possível, especialmente nos tempos de hoje e nos países ditos “Desenvolvidos”, onde a instrução superior é relativamente comum e onde o acesso a ferramentas avançadas de comunicações está quase totalmente universalizada.

Mas estamos hoje perante um inédito dilema resultante do cruzamento da tecnologia com aquela que é uma das graves crises económicas e financeiras das últimas décadas. Deste cruzamento, pode brotar a solução: uma solução que passa por usar as novas tecnologias informáticas e de comunicações (Internet, Redes Sociais e Comunicações Móveis) para ativar formas de cidadania ativa e fazer com que cidadãos participem mais nos processos democráticos de tomada de decisão e de execução das mesmas, vigiando a sua boa condução e intervindo diretamente sempre que ela se afastar do contrato político inicialmente subscrito.

Até hoje, “democracia” foi sempre sinónimo de “eleições” e de “delegação representativa” de poder político. Até hoje. Mas não tem que ser sempre assim. Cada vez é mais claro que essa delegação de poderes é uma forma incompleta ou diminuída de democracia, isto é (usando a etimologia) de “governo de cidadãos”: a separação entre Eleitos e Eleitores é cada vez maior, as ferramentas de manipulação de massas, mais flagrantes e esmagadoras e a atual farsa democrática em que vivemos funciona como uma “Opera Bufa” de personagens bem conhecidos, idênticos de peça para peça e financiada pelos Grandes Interesses económicos e financeiros que por detrás do pano, tecem o enredo e montam toda a produção, almejando sempre benefícios financeiros de curto prazo.

Perante esta situação de sequestro da Democracia e da Vida Cívica pelos Grandes Interesses financeiros, das multinacionais e dos Especuladores, instalou-se em muitos a convicção de “não há nada a fazer” e de que “são todos iguais”: este sentimento foi promovido pelos Media, pelos Grandes Interesses e até – paradoxalmente – pela Partidocracia, já que esta desmotivação cívica, esta demissão dos cidadãos da Causa Pública, serve diretamente os seus interesses, ao lhes abrir caminho livre para o exercício do seu poder (cada vez mais imperial e absoluto), à medida que massas cada vez maiores de cidadãos recuam para o Individualismo e para o mais básico egocentrismo ou para a mais ampla alienação coletiva, servindo aqui de ferramentas ao Sistema, fenómenos de massa como os grandes espetáculos musicais, o futebol ou a televisão.

Se a Democracia aparenta hoje uma situação terminal, isso contudo não significa que está condenada à evaporação e que em seu lugar veremos condensarem-se os fumos de ditadura que hoje a enublam: podemos estar na antecâmara de um novo regime ditatorial, de uma plutocracia que sob a máscara de uma democracia representativa diminuída, usando um Estado tornado “exíguo” (Adriano Moreira) impõe a vontade de uns poucos à grande massa bovinizada de dóceis cidadãos ou… podemos estar na antecâmara de algo novo.

Depois da Democracia Representativa não tem que vir a Plutocracia. Os cidadãos ainda têm a liberdade para sacudirem esse jugo que lhes querem enfiar e escolherem renovar a Democracia, exigindo a sua renovação e recuperando todo o espaço de participação cívica e política que paulatinamente lhes foi furtado nas últimas décadas. Depois da Democracia Representativa pode vir a Democracia Direta ou Representativa.

Se a Democracia Representativa foi a “Democracia 1.0”, então a Democracia Direta ou Participativa bem pode vir a ser a “Democracia 2.0” dos tempos futuros: uma democracia já liberta dos conceitos de representação e de eleições, e que adere à participação dos cidadãos de uma dada comunidade (em diferentes escalas)

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Categories: Democracia Participativa, maisdemocracia.org, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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2 thoughts on “Democracia 2.0

  1. Pingback: Democracia 2.0 | Aprendizagens 21 | Scoop.it

  2. Mauro Gentile

    Vamos a isso! 🙂

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