A sociedade portuguesa é um barril de pólvora prestes a explodir?

São cada vez mais numerosas as vozes que alertam para a iminência de uma explosão social descontrolada e sem precedentes em Portugal em face ao crescimento descontrolado e sem fim à vista do Desemprego. Na verdade, como em tantos fenómenos sociais falta apenas o “momento rastilho”, espontâneo, imprevisível no seu momento exato e incontrolável por qualquer sistema de segurança.

Com o desemprego real já bem acima dos 20% há cada vez mais pessoas desesperadas, sem apoio social (recordemo-nos de que a maioria dos desempregados são já de longa duração e não recebem subsídio) e que estão a perder as redes familiares de apoio devido à violenta compressão de ordenados e reformas imposta pela carga fiscal imposta pelo governo e pela troika.

Esta explosão social tem sido, contudo, adiada pela confluência de dois fenómenos: por um lado, o desemprego de longa duração está associado à depressão, o que contribui para a inação e passividade social e política por parte dos afetados por esse flagelo. Por outro lado, o desemprego jovem (já acima dos 40%) tem tido duas válvulas que impedem a eclosão de conflitos sociais: a emigração e o facto de muitos jovens estarem a adiar a sua entrada no mercado de trabalho permanecendo em casa dos pais. É certo que quem emigra são precisamente os elementos potencialmente mais dinâmicos e ativos de uma sociedade. É também certo que isso explica a insistência do atual governo para que os portugueses emigrem, mas haveremos de chegar a um ponto em que esse escape se esgota. Que os pais quem mantêm esses jovens em casa, sem rendimentos, perdem em massa o seu Emprego ou reformas. Um momento em que a carga fiscal se torna tão opressiva que todos começam a perder a paciência para com este governo do tripartido PSD-PS-PP (sim, porque através do Memorando negociado por si, o PS também governa). Falta uma oportunidade, um momento, um pretexto para pegar fogo a este perigoso rastilho.

E quando o fogo chegar ao barril de pólvora, que se cuidem a Europa e os Interesses financeiros que ela está a defender. Os portugueses são – dizem – um povo de brandos costumes, mas estão a perder a paciência com o tripartido e com essa “europa” que se move por detrás deles. Talvez seja ainda possível travar esta explosão: restaurando a credibilidade da democracia, renovando a democracia representativa pela introdução de mecanismos e ferramentas de democracia direta e participativa. Pelo reforço do papel da Sociedade Civil na governação democrática da comunidade, pelo despertar de milhões de cidadãos que hoje – voluntariamente – se encontram em anemia cidadã.

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Categories: Democracia Participativa, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | 11 comentários

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11 thoughts on “A sociedade portuguesa é um barril de pólvora prestes a explodir?

  1. Caro Clavis

    Já devia ser ontem que esta explosão deviria ter havido.
    Mas pode ficar tranquilo, que o Ze povinho tem futebol com fartura na televisão para os ACARNEIRAR.
    Muitas missas em direto de Roma, com o Papa ASSASSINO DE 30 MIL ARGENTINOS, ACORBETANDO E APOIANDO OS MILITARES ARGENTINOS.
    Temos muitos fados ……..
    Temos muitas novelas MORANGOS COM AÇUCAR.

    Enfim, Portugal está bem entregue a este povo inculto, imberbe, e ignorante.

    Estou no Brasil a trabalhar, pois eu como engenheiro civil, não tenho trabalho em Portugal.

    Quero ver o circo pegar fogo ……. e devia ser já ontem.

    Cumprimentos.

    Ramiro Lopes Andrade

    • renators

      Espero sinceramente que, aqui no Brasil, esteja se sentido em casa (os portugueses sempre se sentem em casa por aqui).

    • Todos os equilibros têm um ponto de rutura e escape…

      • Depende como se dá esta rotura e escape. O brasileiro, por exemplo, raramente vai às ruas, mas reage se tornando ainda mais “espertinho” e tentando levar vantagem em tudo, tentando solapar regras e leis. O brasileiro é um povo cobarde, que prefere reagir nas sombras, fazendo pagar quem não merece, do que enfrentar os problemas de peito aberto.

        • Por causa é mais ou menos o mesmo… mas vejo sinais de q se comeca a chegar a um momento de saturacao, de perda de equilibrio, que pode gerar uma sociedade mais viva e reativa.

  2. O assunto é mundial. O sistema terá que passar a ser outro, na próxima década, este não tem conserto, não aguenta os milhares de transacções, na bolsa, por segundo; trata-se de um período análogo ao período da revolução industrial, cujo símbolo foi a máquina a vapor. O símbolo desta revolução é o computador e o Internet. Pede a democracia real; a representativa não é democracia, simplesmente: é a forma que tem a oligarquia financeira internacional.

  3. -> Um caos organizado por alguns – a superclasse (alta finança – capital global) pretende ‘cozinhar’ as condições que são do seu interesse:
    – privatização de bens estratégicos: combustíveis… electricidade… água…
    – caos financeiro…
    – implosão de identidades autóctones…
    – forças militares e militarizadas mercenárias…
    resumindo: uma Nova Ordem a seguir ao caos – uma Ordem Mercenária: um Neofeudalismo.
    {uma nota: anda por aí muito político/(marioneta) cujo trabalhinho é ‘cozinhar’ as condições que são do interesse da superclasse: emissão de dívida e mais dívida, implosão da identidade autóctone, etc}
    .
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    -> Marionetas ao serviço da superclasse enfiaram-nos num buraco: a Espiral recessiva…
    -> ‘Paladinos’ do discurso anti-austeridade… ESTIVERAM CALADOS que nem um rato… ignorando o perigo que era os Estados andarem a endividar-se na construção de auto-estradas ‘olha lá vem um’, estádios de futebol sem público, nacionalização de bancos falidos, etc, etc…
    -> O discurso anti-alemão que reina nos media internacionais (nota: são controlados pela superclasse) é uma consequência óbvia: depois de andar a ‘cavar-buracos’ (nas finanças públicas e na banca) e andar a saquear contribuintes em vários países… a superclasse (alta finança – capital global) quer saquear o contribuinte alemão.
    -> A firmeza do contribuinte alemão (não cedendo à pressão exercida internacionalmente…) é fundamental para salvar a Europa.
    { Nota: Depois de ‘cozinhar’ o caos… a superclasse aparece com um discurso, de certa forma, já esperado!… Exemplo: veja-se a conversa do mega-financeiro George Soros: «é preciso um Ministério das Finanças europeu, com poder para decretar impostos e para emitir dívida» }
    .
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    P.S.
    Para ‘cortar’ com as regras da superclasse (alta finança – capital global) há que:
    -1- REDUZIR O PODER DOS POLÍTICOS e uma maior supervisão exercida pelo Contribuinte [um sistema menos permeável a lobbys]: “O Direito ao Veto de quem paga”.
    {ver blog Fim-da-Cidadania-Infantil}
    -2- garantir o DIREITO À SOBREVIVÊNCIA DAS IDENTIDADES AUTÓCTONES… ou seja: antes que seja tarde demais, “SEPARATISMO-50-50“.
    [nota 1: os ‘parvinhos-à-Sérvia’ (vide Kosovo) que fiquem na sua…; nota 2: os ‘globalization-lovers’ que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa]
    {ver blog Separatismo-50-50}

  4. Fogo chegar a que barril ? E que fogo ? Os portugueses aturaram mais de 40 anos de salazarismo, e o fogo não chegou a barril nenhum (a Revolução dos Cravos teve, em seu âmago, interesses classistas dos militares). Os portugueses são parecidos demais com os brasileiros na sua inércia, no seu cérebro em formato de bola de futebol e no seu gosto por futilidades. Além de sempre esperarem por algum herói, por algum messias, por algum Dom Sebastião, que os salve.

    “Quem sai aos seus, não degenera”.

    • Caro Renato Rodrigues

      Na moche, falou tudo certo.
      Um abraço.

      Ramiro

    • João

      Renato, o que se passa nos países europeus em crise hoje é o que vai acontecer com o Brasil daqui a alguns poucos anos no futuro, após as Olimpíadas de 2016. O Brasil aqui também, ou vai quebrar ou vai ter que adotar medidas de austeridade no futuro, assim como eles lá na Europa adotaram. A gestão populista e eleitoreira do PT, a classe política do Brasil em geral teima em não fazer um plano de investimento pesado na educação pública brasileira (ensino pré-universitário), de forma a melhorar muito a sua qualidade, e formar mão de obra especializada capaz de produzir tecnologia de ponta, teima em não investir pesado em pesquisas científicas, teima em fazer políticas de pão e circo, teima em não fazer investimentos de melhoras de infraestrutura dos portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, e provavelmente até 2020 no máximo, a bolha brasileira vai estourar, a situação aqui vai ficar medonha na próxima década ou no fim desta década mesmo. E não se engane! O Brasil não é uma democracia de verdade. Democracia de verdade é obrigatoriamente Democracia Participativa, mesmo que existam representantes eleitos, quem manda mesmo é o povo, e o exemplo claro é a Suíça e os países nórdicos da Europa. No Brasil, na hora de legislar o povo simplesmente não tem o direito de decidir, nem ao menos de opinar. E nenhum dos partidos vai resolver os problemas do país, o povo tem que acordar. Os europeus que estão vindo trabalhar aqui, estão vindo realmente como trabalhadores temporários, porque no futuro a crise econômica que vai chegar em breve vai obrigá-los a procurar emprego em outro país. O modelo de desenvolvimento comprovadamente bem sucedido é os dos países nórdicos, e o Brasil devia se espelhar na Dinamarca, na Noruega, na Suécia, na Finlândia, até a Islândia provou na prática como vencer a crise. A humanidade tem que parar com essas ambições imbecis do tipo “eu tenho que ser multimilionário, magnata” e “o meu país tem que ser uma superpotência mundial”, porque a vida na Terra está em risco por culpa do excessivo consumismo humano. As nações devem ter empenho por boa qualidade de vida para a população e também pela preservação das outras formas de vida que são necessárias para a sobrevivência humana, zelar pelo equilíbrio ecológico. O sistema capitalista necessita de reformas, de ser revisto, não precisa obrigatoriamente ser destruído. As empresas e os bancos precisam melhorar o tratamento que elas dão ao público (principalmente no Brasil), porque somando a mania de querer lucro fácil e rápido com a alta carga tributária, as empresas não investem de forma a melhorar a qualidade dos seus produtos e do atendimento prestado ao público, e teimam em querer atender um número maior de clientes do que a sua capacidade operacional consegue (vide telecomunicações). O sistema definitivamente está comprovadamente errado e necessita de mudanças.

      • Acho que vc ainda não leu meus postos onde escrevo que o crescimento brasileiro é um mero ‘vôo de galinha’. Concordo com tudo o que vc diz, e acho que não chega até a Copa.

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