Comentário a Entrevista a Joam Evans Prim (Partido da Terra – Galiza)

Joam Evans Prim

Joam Evans Prim

” Esquerda ou direita?
Os dous formam parte da concepção parlamentar da política. Na visão assemblear da democracia direta somos as pessoas as que deliberamos e decidimos sobre cada questão em particular. A experiência vital ou a bagagem de ideias de cada pessoa podem fazer com que optemos por certas posturas e não por outras, mas a rigidez e a ortodoxia próprias da partitocracia carecem de sentido no contexto da assembleia, mesmo porque não são prescritivas em relação à imensa maioria dos problemas que poderiam surgir, por exemplo, num concelho aberto paroquial ou de bairro, onde, a longo prazo, é mais adequada a lógica de procurar o máximo consenso.”

– não temos dúvidas, também, de que a dicotomia clássica Esquerda-Direita está esgotada. E esgotou-se pela simples incapacidade de quando no poder, se afirmarem as verdadeiras diferença entre ambas as tendências e pela cristalização nos “extremos ingovernáveis” das alas mais radicais desse maniqueísmo partidário. Como Joam, não acreditamos que a renovação da Democracia se possa cumprir pela ascensão ao poder de um novo partido (de Esquerda ou Direita), mas pelo desenvolvimento de mecanismos de democracia direta e participativa, capaz de devolver aos cidadãos o mundo cívico e político e a eficácia da governação. A crise da democracia na Europa é, com efeito, a crise da democracia representativa e da partidocracia que sequestrou o sistema. E a sua resolução só pode passar pela dinamização da vida cívica, pela maior participação dos cidadãos na vida política e pela reaproximação entre os eleitos e os eleitores.

(…)
Mas um partido é o instrumento certo?
Com a abstenção apenas, mesmo que seja ativa, não conseguimos (por enquanto) deslegitimar a política profissional. Deslegitimar a “política” e os “políticos” profissionais é uma estratégia essencial para a recuperação da soberania e a nossa condição de pessoas políticas. O PT assume essa estratégia de deslegitimação como uma constante, uma “guerrilha política” (não violenta, é claro) se se quer ver assim. A criação de zonas autónomas com aspiração de permanência onde as fissuras do sistema o permitam, como assembleias paroquiais ou de bairro com a máxima soberania possível, não é utópico. Existindo a vontade é algo que pode ser feito em qualquer município, desprofissionalizando e “desestatalizando” de facto estas estruturas. Acho que o desejo das pessoas que estamos no PT é que este possa ser dissolvido no prazo mais breve possível, pois não há lugar para os partidos na democracia direta e todos temos, com certeza, outras paixões na vida.”

– a forma de “partido político” é de facto aquela que – à luz do quadro legal atual – melhor permite potenciar a intervenção social e política de um grupo de cidadãos. As formas de “associação” e de “movimento informal” têm as suas virtualidades, mas dadas as suas limitações legais tornam mais difícil a sua capacidade de intervenção e de fazer realmente a diferença. A prazo, contudo, e num momento fundacional, de elaboração de pensamentos e princípios, de implantação nacional e de experimentação de mecanismos de democracia participativa interna e de construção organizacional, estas formas intermédias podem ser as mais adequadas. E essa foi – por enquanto – a opção do +D. O Partido da Terra galego está já num outro patamar e as suas experimentações com assembleias populares ou de paroquia são atentamente seguidas em Portugal.

Fonte:
http://www.partidodaterra.net/peteiras/joam-evans/

Categories: Democracia Participativa, Galiza, maisdemocracia.org, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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