Porque são tão raras as Revoltas Sociais em Portugal e porque é que as Revoluções são quase sempre “golpes de elites”?

Revolta de Maria da Fonte

Revolta de Maria da Fonte

A escala do esbulho fiscal, a dimensão do ataque ao Estado Social e à Segurança Social (solventes, apesar do que se diz e de alguns exageros pontuais), os níveis inéditos de desemprego jovem e o descrédito generalizado quanto à classe política deveriam estar a criar condições para alavancar uma imensa e fraturante revolta social. Deviam, mas não estão. É como se algo tivesse sido gravado muito fundo na Alma Portuguesa que bloqueie quase sempre revoltas sociais.

Com duas notáveis exceções (1383 e Maria da Fonte) não houve em Portugal verdadeiras “revoltas”, mas apenas (e muitas) “revoluções de elites” ou “revoluções corporativas”: inúmeros golpes militares, quase sempre a favor dos interesses particulares de uns quantos oficiais (1974), revoluções de um grupo de nobres contra a perda de privilégios (1640), ou os vários golpes militares dos séculos XIX e XX. É certo que por vezes, a massa dos cidadãos se ergueu, acompanhou estes revolucionários e ampliou muito além das suas intenções corporativas iniciais (p.ex. no 25 de Abril), o efeito e a escala da revolução. Mas o “momento gatilho”, aquele momento realmente decisivo numa revolução, em que um grupo de indivíduos se junta e se mete de consenso quanto a realizarem esse perigoso exercício de vontade que é o de encabeçarem uma revolução, esse momento em Portugal é relativamente comum. Raríssimas são, contudo, as revoltas populares que mudam o regime ou que levando atrás de si as elites culturais, sociais ou económicas, essas são raríssimas.

O momento atual, contudo, é também de uma gravidade rara na nossa História: é a crise financeira mais grave dos últimos cem anos e afeta numa escala sem precedentes a estabilidade social, com níveis de emigração raros (pela rapidez com que se verificaram), e pela desestruturação familiar que criou (famílias com ambos pais desempregados, filhos que emigram, quando antes emigravam os maridos, desemprego jovem perto dos 50%, mais de 50% da população precária ou desempregada, etc). Este clima social estará assim propício a uma terceira dessas (raras) revoltas sociais na nossa História?… os próximos meses darão a resposta.

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Categories: História, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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2 thoughts on “Porque são tão raras as Revoltas Sociais em Portugal e porque é que as Revoluções são quase sempre “golpes de elites”?

  1. Jorge Bravo

    Não Vai Lá Só De Fora!
    IRÁ POR UM MOVIMENTO CONJUNTO E SIMULTANEO DE FORA E DE DENTRO!
    Infiltrai-os Em Massa! Tomemo-los Nas Nossas Mãos!
    Façamos Deles A Nossa Arma Para Uma Verdadeira Democracia Participativa e Uninominal!
    Para Comandarmos NÓS o Nosso Futuro!
    Vamos Correr Com os Mandraços Incompetentes Despovoados Mentais de Lá!
    O Futuro Será Então Nosso!
    Estamos À Espera De Quê?
    É HORA!!

    • Sim. A hora é Agora: as eleições autarquicas de 2013 já comecaram: os partidos estão com medo de um resultado historico e um pouco por todo o país (mas ainda num numero insuficiente de locais) os cidadãos estão a organizar-se.
      As manifestacoes nao bastam (sao ate prejudiciais para mudar algo a prazo), para mudar ha que usar a arma do Voto.
      Invadir os partidos por dentro (militancia ativa) e expulsar os partidocratas e os “homens do aparelho”, maconicos, quase todos.
      Ha que fazer partidos novos e dar forca ativa (participando!) Em movimentos independentes de cidadãos!
      Basta de ativismo de sofá!
      Vamos Fazer algo: autarquicas 2013.
      Eu e alguns companheiros estamos ja nessa dificil senda: http://www.maislisboa.org e http://www.maisdemocracia.org
      Daqui a uns vinte anos, quando as minhas filhas me perguntarem “papa, o que fizeste nesses anos”, poderei dar a resposta com a consciencia tranquila de nao ter ficado no sofá.
      Infelizmente, o mesmo nao pode ser dito da maioria esmagadora dos portugueses.

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