Essa catástrofe demográfica que se avizinha

Maria João Valente

Maria João Valente

“Nunca desde que há registos (1886) houve tão poucos nascimentos até ao fim de novembro foram 83098, menos 6160 do que em igual período de 2011. (…) A crise económica é a causa mais apontada para a descida acentuada de 2011. Mas a demografa Maria João Valente pede cautela na análise: “a natalidade está a descer à décadas, mesmo em períodos de expansão económica. O declínio da fecundidade é comum a toda a União Europeia e a tendência é esta”.
(…)
“A quebra mais acentuada deste ano pode ser causada pelos movimentos migratórios que a crise gerou. Empurrados pelo desemprego, emigram cada vez mais jovens em idade fértil, que vão ser pais noutros países, e partem cada vez mais imigrantes, responsáveis por 14% dos nascimentos anuais.”

Expresso 15 dezembro 2012

Este fenómeno do declínio da natalidade não é, com efeito, exclusivamente português, mas comum a todo o mundo desenvolvido. Mas Portugal é uma das suas manifestações mais graves e onde – simultaneamente – menos respostas por parte do Estado têm sido registadas.

Sucessivos governos do bipartido PS/PSD têm ignorado a gravidade da verdadeira tempestade demográfica que se prepara abater sobre nós e que tornará insustentável a nossa sociedade nas próximas décadas. Agravando esta tendência, temos – ainda por cima – um governo que multiplica criminosamente os apelos à emigração jovem, impulsionando à saída daqueles que poderiam obstar ao agravamento da nossa baixa natalidade e deixando que levem para fora do nosso país o investimento que as presentes gerações neles fizeram.

Portugal, enquanto Governo e Sociedade, tem que encetar uma corajosa e audaz política geracional de estímulo à natalidade e de retorno dos jovens abandonaram o país (sem perspetivas de retorno) nas últimas décadas. Para tal, é preciso instalar a Demografia no cerne da estratégia política e de uma abordagem ao desenvolvimento, quer através de estímulos fiscais, quer através de uma Escola pública forte e universal, que através de um sistema de Saúde público, mas sustentável. A Demografia deve ser o cerne da estratégia política das próximas décadas, ou tudo está em risco: a economia não terá braços para a sustentar, os idosos não terão sistema de pensões e o pais não terá gente. Ou elegemos a demografia como o grande desafio dos próximos anos ou acabamos enquanto sociedade e Estado.

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | 6 comentários

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6 thoughts on “Essa catástrofe demográfica que se avizinha

  1. Mesmo porque, a economia segue a demografia: uma economia com um mercado interno forte une escala e poder de compra. Portugal é extremamente viável economicamente – mesmo países menores o são, e penso que ganharia muito se fosse mais agressivo no turismo, principalmente no turismo eno-gastronômico. E isso sem esquecer os navios e os barcos de pesca…

    • Refoco, e saida de uma dependencia de uma economia de autoestradas e hiperdependente do Estado. Regresso à agricultura, ao mar e à indústria, precisa-se.
      Mas com a divida externa e o seu servico, nao ha capital. Nem vontade europeia para sejamos algo mais que um simples destino de ferias solarengo e hospitaleiro.

  2. Esse relato tb faz parte dessa catástrofe.

    http://forum.bufalo.info/showthread.php?tid=1859

  3. Ainda penso que Portugal precisa se “vender” mais aqui no Brasil. Tenho entrado, recentemente, no mundo dos vinhos, e o vinho português tem 4 coisas fundamentais:

    – qualidade
    – variedade (talvez a maior variedade de castas autócnes do mundo)
    – tradição
    – preço competitivo (e olha que são produzidos em Euro…)

    E o Brasil está começando a consumir mais vinhos de qualidade. Cursos de vinhos se multiplicam; enólogos dão aulas (inclusive a recentemente falecida enóloga portuguesa Inês Cruz, com quem tive aulas em 2012, mas que morreu de maneira trágica, atingida por um raio junto com o marido). Está mais do que na hora de virem fazer promoção e divulgação por aqui.

    • E contudo o vinho tem sido recentemente ultrapassado por setores como os sapatos, os texteis e – sempre – a cortica.
      Op vinho portugues está ao nivel mais alto nesse competitivo mercado e falta ainda promover ao nivel a que merece, concordo.

  4. não é apenas o primeir mundo que sofre com esse problema

    http://portuguese.ruvr.ru/2013_01_14/Asia-regiao-de-noivos-desesperados/

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