“Perante os brutais e sucessivos aumentos de austeridade, é altura de se começar a fazer a pergunta que verdadeiramente interessa: vale a pena estar no euro?”

“Perante os brutais e sucessivos aumentos de austeridade, é altura de se começar a fazer a pergunta que verdadeiramente interessa: vale a pena estar no euro? Essa dúvida colocou-se-me aquando de uma visita à República Checa, que hoje é praticamente uma ilha dentro da zona euro. Na altura perguntei a um colega como conseguiam viver mantendo a coroa, quando até a Eslováquia tinha aderido ao euro. A resposta dele foi que aderir ao euro era como passar a ir jantar fora todos os dias. Em casa dele não se cozinhava muito bem, mas pelo menos não tinha de se endividar para sustentar esses luxos. O euro foi um ótimo negócio para a Alemanha, permitindo que os seus produtos circulem a preços altamente competitivos por toda a Europa. Para países como Portugal foi um péssimo negócio, estando o país obrigado a vender sapatos com a mesma moeda com que os alemães vendem os seus automóveis de luxo. É evidente que assim os nossos produtos não são competitivos. Por outro lado, a moeda única é claramente uma ilusão, como se vê pelas diferenças de taxas de juro aplicadas a vários países. Finalmente, o preço da moeda única é uma austeridade que dificilmente os povos estarão dispostos a suportar, uma vez que nunca em anteriores intervenções do FMI se passou por uma austeridade deste tipo.”

Luís Menezes Leitão
Jornal i
13 novembro 2012

Não há hoje dúvidas – em qualquer mente minimamente racional – que a adesão de Portugal ao Euro foi um erro clamoroso, de proporções ainda hoje difíceis de estimar: a competitividade internacional da nossa economia foi desde então (de facto, desde antes, pela adesão ao SME) colocada sob pressão e deixando muitas empresas exportadores competindo sozinhas contra gigantes globais com frequentes praticas protecionistas ou de dumping descarado.

É igualmente certo que a saída brusca da Moeda Única, neste momento induziria um choque tremendo na nossa economia e no mais profundo cerne da nossa tessitura social: de um dia para o outro, a inflação subiria trinta por cento (sem ser acompanhada pelos salários), as importações (de que Portugal depende para muitos bens essenciais) seriam raras e difíceis (porque pagas a pronto nos mercados internacionais). A nossa dívida externa (em Euros) multiplicar-se-ia por três, tornando-se superior a 300% do PIB, ou seja alcançando valores absolutamente impagáveis. Obviamente, a curto prazo a declaração de bancarrota seria inevitável. Uma catástrofe que agora importa evitar, em suma. Mas para a qual pode não haver escapatória. Preparemo-nos.

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Categories: Europa e União Europeia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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