O Fim da ADSE: Entrevista a Pedro Pita Barros (economista e professor universitário)

ADSE

ADSE

“Admite que se aproximem os regimes públicos e privados de assistência e na doença?
Não é uma questão de aproximação e sim de saber se os funcionários públicos devem beneficiar de uma dupla cobertura paga por todos os cidadãos. Por mim o Estado não deve dar uma segunda cobertura além do SNS aos seus funcionários.”
(…)
“Acha útil a junção num sistema único de todos os regimes de proteção social dos funcionários públicos (ADSE, ADME e outros)?
Os serviços militares puros têm as suas especificidades próprias e por isso devem ser mantidos em separado, quer em financiamento quer em organização da sua prestação. Tudo o resto, incluindo famílias dos militares, poderá ser tratado de forma conjunta, recolhendo com isso economias de escala.
Considera possível que em 2016 a ADSE seja integralmente suportada pelas contribuições dos trabalhadores?
É desejável retirar do espaço orçamental a dupla cobertura de proteção na doença, como aliás já estava defendido num Relatório de 2006.”
(…)
“A reorganização da assistência social aos funcionários públicos no campo da saúde deverá ser feita com ou sem corte de despesa do Estado. É uma questão de coerência do modelo de proteção na doença. Com a criação do SNS, os subsistemas deixaram de ter justificação.
Portugal gasta demasiado com os cuidados de saúde dos cidadãos, comparativamente com os restantes países europeus?
Esta é uma pergunta que devemos evitar. Pode ter a resposta que quiser – Portugal gasta muito se pensarmos em termos da riqueza disponível para gastar. Portugal gasta pouco se compararmos em termos absolutos (embora se deva ajustar para os diferentes níveis de vida dos países).”

Expresso, 15 dezembro 2012

Existem aparentemente bastantes vozes dissonantes no seio do PS a propósito do fim da ADSE… existe uma corrente mais “realista” que acompanha de perto o pensamento de Pita Barros, e uma corrente mais “eleitoralista” (se Segurista) que defende que na ADSE há apenas espaço para realizar “pequenos ajustamentos”.

Obviamente, que dado o estado calamitoso a que chegaram as contas do Estado não há já mais espaço para “pequenos ajustamentos”. Num país em que cada cidadão deve já mais de vinte mil euros ao estrangeiro, não há espaço para regimes de exceção como o da ADSE. Por muito que dizer isto possa custar votos no funcionalismo público a quem tal vier a defender, o certo é que ou encontramos um Estado financeiramente equilibrado ou então nada fica assegurado, incluindo salários, pensões e, claro, a própria ADSE.
Acredito que não deve haver no Estado regimes de exceção. Mas também não acredito que se deva pura e simplesmente extinguir a ADSE e deixar todos os funcionários públicos diretamente entregues num SNS que tem diminuído o seu financiamento ano após ano e que está hoje sobre fogo intenso dos credores representados em Portugal pela troika. A solução para a atual insustentabilidade da ADSE deve passar por um meio termo, pela extinção desse “seguro público” de Saúde e pela abertura de um concurso aberto e transparente em que concorram as seguradoras privadas perante um exigente caderno de encargos comparável ao tipo de cobertura hoje oferecido pela ADSE. Obviamente, nesta substituição, da ADSE pela seguradora que ganhe o concurso, o Estado tem que realizar uma poupança significativa e de curto prazo, ou este concurso deve ser cancelado. De forma igualmente óbvia, cada funcionário deve ter a liberdade para abandonar esta seguradora e escolher receber o financiamento que o Estado entrega em seu nome a esta entidade e optar por outra empresa que ofereça melhores condições. Abrir o sistema de saúde dos funcionários do Estado à concorrência só pode ser vantajoso e produzir uma poupança nas despesas do Estado, dando assim um contributo para os 17 mil milhões de euros anuais que atualmente o funcionalismo custa ao país, sem ameaça de forma significativa os seus direitos nem realizar os despedimentos massivos que alguns acreditam serem inevitáveis.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 6 comentários

Navegação de artigos

6 thoughts on “O Fim da ADSE: Entrevista a Pedro Pita Barros (economista e professor universitário)

  1. voza0db

    Se o problema de Portugal fosse a ADSE… 🙄

    Continuam sempre a utilizar sempre a mesma táctica… Ir distraindo as MANADAS DE ESCRAVOS com teorias da treta…

    Imagina a VERDADEIRA LOUCURA que seria se o Primeiro-Ministro de Portugal anunciasse que:

    “O Mercado de Capitais Português vai igualmente participar no esforço de consolidação das Contas Públicas, pelo que será aplicada aos valores das Transações no Mercado Secundário a Contado e ao valor da Capitalização Bolsista da Euronext Lisbon, a taxa de 3,5%”

    É decerto um cenário completamente impossível, visto as actuais Títeres que estão no Governo serem manipuladas pelo Poder Financeiro e Económico!

    Mas se fosse aplicada daria apenas a módica quantia de:

    1.156.270.500
    +
    7.369.141.500
    =
    8.525.412.000

    E isto só num ano! E fui modesto… Apenas 3,5%!

    E já nem refiro o mesmo aplicado ao LUCROS DA BANCA! Enfim…

    Claro que a PROPAGANDA está a funcionar em pleno, pois nada DISTO é sequer MENCIONADO nos Meios de Merda Social…

    Mas é isso aí! A culpa é da ADSE, da Educação pública, dos hospitais públicos, das reformas, dos velhos que teimam em viver após os 65 anos de idade e parasitam o estado através das reformas… E dos Escravos Públicos e restante MANADA que andou a VIVER ACIMA DAS POSSIBILIDADES…

    Ai Galilei, Galilei… Salvé! Que continuas a passar entres as gotas da corrupção com grande mestria!

    • E os meios para que a PJ investigue a serio a corrupcao que tardam – curiosamente – em aparecer…
      Culpa de quem? Dos politicos? Nao, de quem os elegeu ou deixou eleger.
      Quanto à questao da ADSE e de outras despesas do Estado. A equação é simples: nao podemos suportar mais esta estrutura de despesa: por ano acumulamos defices de oito mil milhões de euros e a cobranca ja passou ha muito o limite da eficácia (lei de laffer). Resta assim conter despesa, para nos livrarmos do credito cronico, renegociar a dividia (capital e juros), exigir da europa do norte um Lplano marshall” de investimento nos setores produtivos e sair do euro.
      Devemos avancar nestas frentes, ou estamos acabados.
      E manter o Estado, tal como ele está hoje, poderá ser novamente possivel. Depois.

      • voza0db

        Esta estrutura de despesa até que nem está muito má!
        A causa principal do problema actual, e não é só nosso, é que temos os Bancos Privados a controlar a emissão de moeda, que é como quem escreve, a controlar a emissão da dívida e logo dos juros compostos!

        Escusamos de mencionar os “Bancos centrais”, pois tal como o português, eles são controlados peos Bancos Privados que dominam o mercado… É um faz de conta lindo de ser visto…

        Todas as actuais regras monetárias e financeiras estão sob o controlo das Famílias que são donas dos Bancos Privados, e elas não vão abdicar de mão beijada do PODER que têm em prol de uma Sociedade Melhor!!!

        E de que nos interessa andar agora feitos idiotas a renegociar dividas se daqui por uns anos vamos estar na mesma?

        Ou se mudam as regras (e tem que ser à força, pois os Terroristas Financeiros não se importam nada de matar muita gente com um clique de rato!)… Ou então aceitamos que a MAIORIA tem de ser POBRE e ter poucos PRIVILÉGIOS… Que é aliás o que está a ser feito aqui em Portroikal… E pelos vistos é o que a Maioria quer…

        😎

        • Sim! Esse é o grande problema, que ninguém quer resolver porque os partidos sao pagos direta ou indiretamente por essas mesmas “famiglias”.
          O BCE deve poder emitir moeda diretamente ou Portugal deve ser desse aborto caminante que é um Banco central que não assume o papel normal dos outros bancos centrais e que vive obcecado com a inflação.

      • Lusitan

        Esta coisa de exigir um plano Marshall é anedótica. O plano Marshall nunca foi exigido pela Europa. Os EUA é que apercebendo-se de que uma Europa devastada era um local ideal para a propagação do comunismo e não querendo entrar em mais nenhuma guerra, decidiram financiar as economias europeias como forma de conter a política expansionista de Estaline. Hoje em dia não há na Europa capital em quantidade necessária para investir no Sul da Europa. Os europeus do norte estão quase tão mal como os do sul, sendo que não estão tão mal devido a uma melhor participação pública dos seus cidadãos na política, ao contrário do que acontece no sul, de maneira a controlar melhor as despesas dos seus governos.

        • Da mesma forma, os alemães (que vão buscar capital aos mercados juros negativos, recordemo-lo!) Devem agora criar esse novo “plano marshal” virado para a reconstrucao dos setores primarios do sul, sob pena de se tal nao acontecer e rapidamente, é a sua propria economia que vai pagar o preço, ou não é verdade que a maioria das exportacoes alemãs vão mesmo para a zona euro?…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: