Daily Archives: 2013/01/25

O que se passa no Mali já não é apenas a revolta dos tuaregues contra o corrupto Estado maliano sediado em Bamako

Dois APCs franceses no Mali (http://www.csmonitor.com)

Dois APCs franceses no Mali (http://www.csmonitor.com)

Quem segue o Quintus sabe que não tenho pudor em defender o uso da força armada sempre que entendo que esta moralmente se justifica. Ora, o que hoje se passa quer na Síria, quer no Mali, justifica o uso ético desta força. Na Síria, apenas a cumplicidade assassina da autocracia russa e da ditadura pequinesa permite que o regime persista no poder. No Mali, contudo, os islamitas radicais do norte não têm esse tipo de apoio… apesar disso, durante meses, nada se fez, e as grandes “potencias” mundiais deixaram que os radicais instalassem confortavelmente um Estado dentro do fraco, corrupto e ineficiente Estado maliano.

Não muito longe das suas fronteiras do sul, a União Europeia deixou que se instalasse no norte do Mali um regime medieval, retrógrado e profundamente violento: destruição de património histórico não-muçulmano ou não conforme à tendência islâmica dominante na coligação islamita, massacres de civis, prepotências várias, aplicação dos aspetos mais cruéis da Lei Islâmica (Sharia), com cortes de mãos e outras barbaridades medievais, tudo financiado com o dinheiro da droga que chega ao Mali pelas estradas que começam no narco-estado impune da Guiné-Bissau.

O que se passa no Mali já não é apenas a revolta dos tuaregues contra o corrupto Estado maliano sediado em Bamako. O ataque às instalações de extração de gás na Argélia mostrou combatentes islâmicos oriundos de todos os países que habitualmente fornecem recrutas à Al Qaeda e de outros que nem tanto (p. ex. O grupo que atacou o campo de gás argelino era chefiado por um canadiano). Com efeito, esta Coligação islamita já é muito mais que um “grupo tuaregue” e agrega militantes e combatentes de praticamente todo o mundo islâmico, com armas capturadas ao extenso arsenal de Kadafi e batidos dos conflitos líbio, iraquiano e afegão. Boa parte destes combatentes islâmicos no Mali, de facto, já tem mais experiência de combate que as forças terrestres francesas que os combatem hoje no norte do Mali…

O conflito do Mali, a incapacidade em devolver a Guiné-Bissau à “normalidade institucional e democrática e a atitude tíbia e inconstante da CPLP, da ONU e da CEDEAO em relação a estas duas crises expõe as fragilidades do atual sistema internacional de segurança e a necessidade imperativa da sua reforma: desde logo, o Conselho de Segurança tem que ser estendido além daqueles que hoje têm aí assento permanente e o direito de veto tem que ser revogado e substituído por um voto de maioria simples. E tem que haver forças semipermanentes prontas a intervir rápida e decididamente em situações de crise… se a crise no Mali é hoje tão grave isso deve-se precisamente ao tempo que os islamitas do norte tiveram para consolidar posições e preparar a atual marcha para sul.

Por outro lado, os islamitas do Mali tem duas fontes de rendimentos para sustentar as suas guerras: uma menos importante e que são os resgates cobrados a raptos de ocidentais. E outra, a maior, que são as comissões no tráfego de cocaína colombiana, e cujo circuito começa na Guiné-Bissau. Se a CPLP tivesse intervido atempadamente e deposto o narcoregime militar em Bissau talvez agora a comunidade internacional não tivesse em mãos a crise maliana. Talvez.

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O Tribunal Europeu de Justiça contra a Liberdade de Expressão na Europa

Bernard Connolly

Bernard Connolly

A União Europeia torna-se de dia para dia cada vez mais uma encarnação mascarada do novo Reich nazi. Padecendo de um crónico e nunca resolvido “défice democrático” institucional, a organização caminha a passos largos para se tornar uma autocracia, intolerante para os seus críticos e reunindo paulatinamente para os esmagar ao menor sinal de dissensão ou discordância aberta.

No cumprimento deste plano, o Tribunal Europeu de Justiça determinou no final do ano de 2012 que as instituições europeias poderiam legalmente suprimir críticas políticas sobre as suas instituições ou aqueles que as lideram. A decisão opõe-se a algumas das mais evidentes liberdades e garantias democráticas e resulta do processo movido contra o economista britânico Bernard Connolly, demitido da Comissão Europeia por em 1995 se ter atrevido a criticar a integração monetária… aquele processo que praticamente todos criticam e que está na efetiva origem da presente crise da divida soberana europeia que arrasta uma parte cada vez maior da europa para a pobreza e para os níveis de desenvolvimento e progresso social de há vinte anos atrás.

Esta europa não gosta de ser criticada. Isso mesmo está claramente inscrito na determinação do Tribunal de Justiça europeu onde se inscreve que “A Comissão Europeia pode restringir a dissidência por forma a proteger os direitos de terceiros”. O Tribunal reconhece à CE a capacidade para punir todos aqueles que “danifiquem a imagem e reputação das instituições europeias“.

Sendo certo que estas afirmações foram produzidas num contexto muito especifico, é também certo que se aplicam diretamente a todos aqueles (como nós) que criticam abertamente a Comissão Europeia e a condução que esta tem feito (ou não) da presente crise. A decisão do Tribunal Europeu é assim uma ameaça direta à liberdade de expressão na Europa.

Fonte:
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1325398/Euro-court-outlaws-criticism-of-EU.html

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