A França está sozinha no Mali: Sinais de uma cada vez mais flagrante Desunião Europeia (e da cobardia alemã)

Corre em alguns círculos alguma indignação contra este “intervencionismo” ocidental a propósito da entrada no Mali de algumas forças combatentes francesas. Como sempre, há acusações de neocolonialismo mas França tem todas as razões (e mais algumas) para estar no Mali: desde logo, porque há milhares de seus cidadãos vivendo neste país. Depois, porque o governo local pediu a intervenção francesa. Sobretudo, França deveria intervir, procurando por todos os meios impedir que todo o Mali se transforme num Afeganistão, com muitas fronteiras com países da região (Argélia, Mauritânia, Guiné Conacri, Senegal, Costa do Marfim, Burkina Fasi e Níger) pode tornar-se num paraíso para novas radicalizações islâmicas na região, oferecendo bases e apoio logístico e financeiro para que esses países se tornem também eles Estados islâmicos. Se o Mali se tornar num “emirado islâmico”, é a “teoria do dominó” outra vez que volta: tendo em conta que existem fortes comunidades islâmicas nos países da região, nada obsta a que este exemplo fosse seguido por outros, desde logo porque os tuaregues (que formam o cerna da aliança islâmica do Mali) são um povo que cruza as permeáveis fronteiras do Saara com muita facilidade e rapidamente aparecem num ou noutro país, como o fizeram recentemente num ataque a um campo de gás argelino, tomando cerca de 40 reféns ocidentais (a maioria terá falecido a 17 de janeiro num raid da força aérea argelina)

Se o Mali se tornar num Emirado Islâmico radical teremos um exportador de terrorismo para a Europa não muito longe das suas fronteiras e um ponto de desestabilização para toda a região. A covardia alemã, italiana e inglesa num problema que também é seu ilustra o estado presente de Desunião Europeia e a distância que vai das palavras à ação quando se trata de agir. Hollande soube agir quando era necessário e a França vai acabar por inevitavelmente sair por cima desta situação, com ou sem o devido apoio dos seus pífios aliados europeus numa guerra que devia ser de todos. Portugal, inclusive, onde a proximidade da Guiné-Bissau (país cada vez mais islamizado) devia compelir a estar também presente, deslocando meios do distante e não-estratégico cenário afegão.

PS.: Especialmente notória é a ausência alemã nesta crise: como espera a alemanha vir a liderar esta europa, se nos momentos de crise, foge e prima pela ausência? Isto já aconteceu na Líbia e agora, torna a acontecer no Mali. Alemanha: um país cobarde que não está à altura das suas ambições hegemónicas sobre o continente europeu.

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Europa e União Europeia | 4 comentários

Navegação de artigos

4 thoughts on “A França está sozinha no Mali: Sinais de uma cada vez mais flagrante Desunião Europeia (e da cobardia alemã)

  1. Luiz Ely Silveira

    Acho que há um certo exagero em suas considerações sobre a Alemanha. Angela Merkel pratica a política de não intervenção militar, já que isso sempre cheira a neocolonialismo. Fez bem em evitar fazer-se presente na Libia. Já a França, que quer ser tão atuante, nada faz para evitar os massacres na Síria, já que o mesmo inimigo, alegadamente, lá se faz presente. Hegemonia, como o amigo se referiu, se conquista com desenvolvimento econômico, não ceifando vidas.

    • Merkel contudo nao tem agora nenhuma vergonha em avancar com as suas empresas para a reconstrucao da Libia: aos alemães agora cheira a dinheiro… mas arriscar o pelo, isso foi com os ingleses e franceses.
      Admito que nao gosto nem de Merkel, nem desta Alemanha, mas também, o que ha para gostar neles?

  2. Lusitan

    A Alemanha pratica a Realpolitik. Sempre que abdicaram desse principio viram-se metidos em guerras mundiais. Ainda bem que a Alemanha mantém essa maneira de fazer diplomacia.

    • Nao foi bem “viram-se metidos”, foi mais “começaram”… e em “guerra mundial” ja estamos, mas agora financeira e economica. Comecada tambem pela Alemanha, que está mais perto de a vencer do que em alguma das suas guerras passadas (excepto talvez a franco-prussiana, mas ai, tambem, ainda nao havia “alemanha”…)

Deixe uma Resposta para Lusitan Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: