Daily Archives: 2013/01/21

Sobre a Reforma do Estado que urge implementar

“O aumento das cargas fiscais em várias frentes, diretas e indiretas, a forçar a diminuição de rendimentos de quem trabalha, a par da diminuição significativa das prestações sociais (no desemprego, na doença, na educação), está a atingir, de uma forma muito particular, a classe média, com riscos de rutura preocupantes. Os alertas para esta explosiva situação têm sido muitos e acompanhados de alguns sinais dramáticos extremos visíveis, por exemplo, quando somos confrontados com as desistências que algumas pessoas assumem da forma mais drástica.”
(…)
“Impor, constantemente, mais e novos cortes aos que ainda têm trabalho e poder de compra parece não estar a gerar recuperação, mas simplesmente mais miséria e agitação social. (…) adiar em nome de disciplinas orçamentais os esforços que gerem efeitos dinamizadores da economia, continuando a castigar os que ainda vão tendo trabalho, na economia formal, e alguma réstia de poder de compra, não tendo em conta as especificidades de Portugal que enfrenta um desemprego nunca visto e sem almofadas sociais que amorteçam a situação.”

Luís Lima
Jornal i
24 dezembro 2012

Estamos a viver uma situação perigosa: com a compressão do nível de vida dos últimos anos já regressamos aos padrões de consumo de 1995 e tudo indica que durante o ano de 2013 essa queda será ainda mais abrupta, não sendo impossível que se regresse ao patamar de 1983, ano da última intervenção do FMI em Portugal. Como então, as nossas dificuldades advém da distancia cumulativa (ano após ano) entre Despesas do Estado e dos Privados e rendimentos (contribuições e impostos, no Estado, e faturação e lucros, nos Privados).

Do lado do Estado, o rumo da renegociação não se pode bastar a si mesmo, já que isso implicaria um automático afastamento dos financiamentos nos Mercados Financeiros durante pelo menos dez anos e entretanto haveria de financiar mensalmente quase mil milhões de défice do Estado. Obviamente, a saída a curto prazo só pode passar pela contenção da Despesa Pública e a médio e longo pelo Investimento, a renegociação – imperativamente necessária – permitirá fazer regressar a dívida e os seus juros a níveis sustentáveis (é insustentável que se pague mais por ano em juros do que se gasta em Educação, por exemplo).

Para conter a Despesa, há que implementar um plano de rescisões amigáveis na função pública (financiadas por receitas extraordinárias ou por fundos europeus), ajustar os níveis das pensões do Estado aos da Segurança Social e fazer a mesma operação nos salários, reduzindo-os, por forma a criar um padrão de despesa pública sustentável e que não exija o insuportável peso fiscal que hoje se aplica a toda a sociedade. Urge reformar, com coragem e contra lobbies e corporações, sem destruir o Estado Social nem ameaçar o cerne das funções de solidariedade e entreajuda da sociedade.

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A França está sozinha no Mali: Sinais de uma cada vez mais flagrante Desunião Europeia (e da cobardia alemã)

Corre em alguns círculos alguma indignação contra este “intervencionismo” ocidental a propósito da entrada no Mali de algumas forças combatentes francesas. Como sempre, há acusações de neocolonialismo mas França tem todas as razões (e mais algumas) para estar no Mali: desde logo, porque há milhares de seus cidadãos vivendo neste país. Depois, porque o governo local pediu a intervenção francesa. Sobretudo, França deveria intervir, procurando por todos os meios impedir que todo o Mali se transforme num Afeganistão, com muitas fronteiras com países da região (Argélia, Mauritânia, Guiné Conacri, Senegal, Costa do Marfim, Burkina Fasi e Níger) pode tornar-se num paraíso para novas radicalizações islâmicas na região, oferecendo bases e apoio logístico e financeiro para que esses países se tornem também eles Estados islâmicos. Se o Mali se tornar num “emirado islâmico”, é a “teoria do dominó” outra vez que volta: tendo em conta que existem fortes comunidades islâmicas nos países da região, nada obsta a que este exemplo fosse seguido por outros, desde logo porque os tuaregues (que formam o cerna da aliança islâmica do Mali) são um povo que cruza as permeáveis fronteiras do Saara com muita facilidade e rapidamente aparecem num ou noutro país, como o fizeram recentemente num ataque a um campo de gás argelino, tomando cerca de 40 reféns ocidentais (a maioria terá falecido a 17 de janeiro num raid da força aérea argelina)

Se o Mali se tornar num Emirado Islâmico radical teremos um exportador de terrorismo para a Europa não muito longe das suas fronteiras e um ponto de desestabilização para toda a região. A covardia alemã, italiana e inglesa num problema que também é seu ilustra o estado presente de Desunião Europeia e a distância que vai das palavras à ação quando se trata de agir. Hollande soube agir quando era necessário e a França vai acabar por inevitavelmente sair por cima desta situação, com ou sem o devido apoio dos seus pífios aliados europeus numa guerra que devia ser de todos. Portugal, inclusive, onde a proximidade da Guiné-Bissau (país cada vez mais islamizado) devia compelir a estar também presente, deslocando meios do distante e não-estratégico cenário afegão.

PS.: Especialmente notória é a ausência alemã nesta crise: como espera a alemanha vir a liderar esta europa, se nos momentos de crise, foge e prima pela ausência? Isto já aconteceu na Líbia e agora, torna a acontecer no Mali. Alemanha: um país cobarde que não está à altura das suas ambições hegemónicas sobre o continente europeu.

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Armando Esteves Pereira: “A Alemanha vai precisar de 1.7 milhões de trabalhadores estrangeiros para fazer face à procura de mão-de-obra nos próximos sete anos”

“A Alemanha vai precisar de 1.7 milhões de trabalhadores estrangeiros para fazer face à procura de mão-de-obra nos próximos sete anos. (…) isto significa que há um ganho indireto com a política de desvalorização aplicada aos países do Sul: o desemprego elevado, os trabalhos precários e os baixos salários mantêm disponível um imenso exército de pessoas qualificadas, dispostas a trabalhar no gigante teutónico por um salário relativamente baixo, evitando tensões inflacionistas. A economia europeia está cada vez mais parecida com o futebol nos anos 80: no final ganha a Alemanha.”

Armando Esteves Pereira
Correio da Manhã
24 dezembro 2012

Esta é o imoral benefício que a Alemanha recolhe da imposição de pacotes de austeridade draconianos aos países do sul: obriga-os a privatizar as empresas públicas mais lucrativas (esperando que algumas venham a cair em mãos germânicas) e resolve simultaneamente o seu grave problema demográfico: cativando os mais dinâmicos, jovens e empreendedores dos cidadãos dos países do sul (que despreza) recebendo-os já qualificados, adultos e prontos para entrarem na vida ativa, enquanto que os Estados desses mesmos países do sul se endividaram até ao tutano para deixar crescer, educar e tratarem desses jovens que agora a Alemanha recebe e a quem vai pagar salários mais baixos do que pagaria a trabalhadores da herrenvolk germânica.

Imoral, indecente e vergonhosa, esta jogada alemã, aplicada graças à cumplicidade dos seus sabujos nacionais, entre os quais se conta – em amplo destaque – Passos Coelho e todos aqueles energúmenos que no seu governo apelaram à emigração dos portugueses.

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