Daily Archives: 2013/01/10

Reflexão Sobre a aplicação do modelo alemão de Ensino Dual em Portugal

Introdução:
Um sistema educativo dual combina estágios em empresas e educação vocacional num estabelecimento de ensino tradicional. O sistema foi adotado (em diversos graus) em vários países, como a Alemanha, a Áustria, a Croácia ou a Suíça, entre outros, como a China, a Dinamarca e a Holanda.

O modelo alemão de ensino dual, conhecido por Duales Ausbildungssystem permite que os jovens germânicos escolham uma entre 356 áreas de estágio, como assistente de medicina, ótico ou empregado da construção civil. Todas estas áreas são reguladas e os programas definidos a nível nacional segundo padrões muito claros e precisos e aplicados da mesma forma em todo o território alemão.

O Estágio Empresarial:
Neste modelo dual, os jovens passam nas empresas entre três a cinco dias por semana tendo essas organizações a responsabilidade de garantir que os estudantes recebem educação num certo padrão de qualidade e quantidade nacionalmente definidos para a área vocacional que escolheram seguir. No modelo alemão, este ensino prático é acompanhado por aulas igualmente práticas em associações comerciais ou câmaras de comércio, por forma a que o ensino não seja demasiado especifico à realidade de uma só empresa. Estes cursos não excedem as quatro semanas no ano, sendo acompanhados por aulas mais teóricas nas escolas vocacionais que não excedem os sessenta dias anuais em blocos de uma a duas semanas cada.

Ensino Vocacional:
Da responsabilidade dos Estados alemães (a Alemanha é uma federação) esta parte do Ensino Dual alemão disponibiliza aos jovens no sistema ensinamentos teóricos sobre política, cidadania, economia, comércio, religião e desporto.

Avaliações:
No Sistema Dual germânico, os primeiros testes ocorrem a meio do percurso vocacional e servem apenas como indicador, não sendo estes resultados incorporados na avaliação final. Os exames são da responsabilidade de organizações comerciais e câmaras de comércio e indústria. Existem também exames elaborados por sindicatos, mas aqui o exame intercala já não é meramente indicativo, contando em 40% para a nota final. Aqueles estudantes que não conseguirem aproveitamento podem tornar a inscrever-se no próximo ano, mas apenas o podem fazer uma vez.

Vantagens de um Sistema Dual:
O estudante incorpora imediatamente o mercado de trabalho e vai recebendo tarefas de complexidade e responsabilidades crescentes à medida que as suas competências vão crescendo. Para as empresas, estes são os funcionários ideais, uma vez que os conhecem bem antes de os contratarem e que recebem treinamento específico para a realidade empresarial onde serão inseridos. Para os estudantes, os benefícios são também óbvios: obtém conhecimentos diretos de outros colegas mais experientes, sem teorias ou disciplinas de difícil ou impossível aplicação prática e, recebendo um vencimento desde o começo destes estágios.

Críticas ao Sistema Dual alemão:
Na Alemanha, tem-se observado nos últimos anos uma tendência para que um número crescente de estudantes segue os seus cursos somente em escolas e não em empresas, sobretudo devido a uma resistência crescente das empresas a aderirem ao sistema. Esta resistência empresarial encontra várias justificações: os custos do treinamento; a complexidade dos regulamentos envolvidos; a parte teórica e vocacional (em escolas) não fornece às empresas jovens suficientemente preparados para o estágio pratico, entre outras razões. Outra critica comum prende-se com o facto de apenas um pequeno número de jovens concorrerem a estágios de posições menos complexas, deixando-os por preencher. Paralelamente, empresas que operem em áreas mais técnicas ou especializadas têm dificuldade em encontrar posições adequadas para o menor nível de competências exigido pelo Ensino Dual, por comparação com o Ensino Superior convencional.
A resposta alemã a estas dificuldades passou pelo estabelecimento de contratos com empresas que permite que as empresas recorram a aprendizes ainda que não tenham qualquer plano para os contratar e pela criação de cursos práticos unicamente na Escola ou no Estado.

Conclusão:

Um sistema de ensino dual não é a panaceia que cura todos os males do sistema de ensino nacional. Encerra em si mesmo, uma série de contradições perigosas, desde logo propiciando à criação de duas castas de estudantes, fechadas sobre si mesma e provenientes de escalões sócio-económicas bem distintos. A utilização do ensino público como ferramenta essencial para a construção de uma sociedade de igualdade de oportunidades é assim ameaçada por um sistema de castas, em que o Ensino Dual se pode rapidamente transformar.

Mas não tem que ser necessariamente assim. A falta de qualidade média do ensino nacional é quase unanimemente reconhecida e isso indica que as coisas não podem ficar como estão: temos que nos aproximar dos melhores (Coreia do Sul e Finlândia) e deixar os caminhos que já trilhamos. E a transformação do ensino superior num “depósito” de jovens para adiar o mais possível a sua entrada no mercado de trabalho, entretendo-os com mestrados, doutoramentos e quejandos de nula ou escassa utilidade prática, não é parte da solução, mas do problema. Devidamente adaptado à realidade cultural e social lusa, abrindo pontes que permitam que os alunos do Ensino Prático (que demonstrem especiais capacidades) acedam ao ensino superior e interligando ambos com as empresas, sem deixar que estas o usem como uma reserva de mão de obra barata ou, pior, paga pelo Estado, é possível implementar um Ensino Dual em Portugal que restaure as perdidas “escolas profissionais” no nosso sistema de ensino, que forme para a vida e não para a academia (e o desemprego) e que instale nos jovens um instinto empreendedor e dinâmico que hoje tanto escasseia.

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Categories: Economia, Educação, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 1 Comentário

Dar uma oportunidade ao Comércio Tradicional

No atual contexto económico é particularmente difícil montar um pequeno estabelecimento comercial ou conseguir que um já existente consiga sobreviver. A pressão das Grandes Superfícies é maior do que nunca, o seu Lobby mais poderoso do que sempre (graças aos múltiplos tráficos de interesses com a partidocracia) e um número sem precedentes destes pequenos espaços comerciais encerrou em 2011 levando ao desemprego mais vinte mil portugueses. Entretanto, os Grandes Espaços comerciais continuam a registar lucros chorudos e… a pagar impostos na Holanda.

E quando morre um pequeno espaço comercial não é “apenas” um pequeno espaço comercial que termina. Termina nele um sonho de alguém, uma paixão em fazer algo de diferente, de independência, de liberdade. Muitos destes novos espaços comerciais – especialmente neste duro clima recessivo – não conseguem funcionar mais do que seis meses. Vitimas de uma localização deficiente (devindo à escassez de fundos), da quase inexistência de marketing (pelas mesmas razões) e confiando apenas na qualidade e no “boca a boca”, grande parte destes estabelecimentos estão fadados à extinção logo num muito curto prazo, devorando em consequência o que restava de parcas economias dos seus proprietários.

Mas todos nós podemos fazer a diferença: não nos limitemos a comprar Local. Compremos Pessoal. Sejamos Consumidores Conscientes, não nos deixemos invadir por abstrações como o “cálculo preço-valor”, a teoria “racional dos mercados” ou a brutal “sobrevivência dos mais fortes” e façamos um esforço: consumamos menos, sim (como nos impõe a troika, o desemprego e a sanha fiscal gaspariana), mas consumamos Local, no pequeno comércio que nos rodeia nas nossas ruas, nos nossos bairros, nas nossas cidades. Consumamos em lojas de pessoas que conhecemos pessoalmente, com quem podemos estabelecer laços humanos e pessoais, com cujas famílias lidamos e conhecemos, com Pessoas, em suma, e não com “famiglias” poderosas que pagam os seus impostos na Holanda, enquanto engordam e fazem vida de nababos orientais no meio de um país cada vez mais desigual e empobrecido.

Categories: maisdemocracia.org, Municipalismo, Política Nacional, Portugal | 1 Comentário

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