Liberal de 1822, sim. Neoliberal, Não.

Coroação de D. Pedro como imperador do Brasil (http://sol.sapo.pt)

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“Os Liberais que triunfaram em 1820 assentavam a sua ideologia no direito à propriedade privada, do qual derivavam todas as outras liberdades: liberdade de não ser preso sem culpa formada nem julgado exceto de acordo com a lei, liberdade de falar e escrever sem censura prévia, igualdade de direitos e de leis para todos, abolição da tortura, da confiscação de bens, da infâmia, direito para todos serem admitidos nos cargos públicos, direito de apresentar reclamações, queixas ou petições, inviolabilidade da correspondência, o principio da lei como vontade dos cidadãos, a divisão tripartida dos poderes, etc”

“Como princípios mais nacionalistas, resultado das necessidades portuguesas, poderiam indicar-se uma certa defesa do protecionismo e dos direitos aduaneiros elevados, em oposição ao livre câmbio para o estrangeiro, o desenvolvimento das técnicas, dos transportes e das comunicações, e uma “reforma agrária” que pusesse gim aos grandes latifúndios. O Liberalismo português definia também a nação como “a união de todos os Portugueses de ambos os hemisférios”, garantido-lhes, direitos e deveres iguais.”

A. H. Oliveira Marques
História de Portugal, vol. III

Não se pode (nem deve) confundir neoliberalismo com liberalismo. Por vezes há que realizar alguma certa (mas necessária) “limpeza de mente” para decantarmos todo esse material que os Media diariamente nos injetam e que nos levam a confundir os dois termos.

Na verdade, e lendo o primeiro parágrafo deste texto, constata-se como é difícil não defendermos todos os princípios do liberalismo: liberdade de expressão, igualdade de direitos para todos, primazia da Lei, repartição tripartida do poder, etc. Obviamente, concordamos com tudo… algo que não dispensa esta recordação, tanto mais porque o predomínio dos Grandes Interesses multinacionais e financeiros sobre os Media e os seus lobbies condicionam e castram hoje a democracia representativa. Somos liberais, mas não neoliberais: opomo-nos a uma desregulação selvagem da economia, a uma minarquia, à compressão até ao vácuo do Estado Social e à desigualdade económica e social que sempre advém num contexto em que a influência do Capital é muito maior que a do Trabalho numa economia.

Liberal sim, neoliberal, não.

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Categories: Brasil, História, Lusofonia, Portugal | 3 comentários

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3 thoughts on “Liberal de 1822, sim. Neoliberal, Não.

  1. João

    Você não está confundindo as coisas? O Liberalismo político e jurídico a partir da Revolução Francesa e dos ideais iluministas, com uma teoria econômica dos séculos 20 e 21? Só os comunas ignorantes são contra o direito de propriedade privada, um inalienável direito humano. O que acontece é que esta geração da humanidade não está preparada para um sistema tão radical como o neoliberalismo econômico. Os teóricos da escola de Chicago erraram feio. As pessoas precisam ser previamente preparadas através de um sistema educacional apropriado para viver numa sociedade neoliberal e globalizada, e leva décadas para tal preparo. Senão, as pessoas não aguentam tanta competitividade.

    • Não creio: o que digo é que nesta época de grave crise importa descer até aos alicerces e repensar tudo e, neste contexto, as liberdades individuais e economicas que hoje sao “banais” (mas, frequentemente, aparentes) e comuns.

  2. exelente post cheio de verdades que deviam estar presentes nas mentes dos proficionais de imprensa do meu país

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