Moedas Locais, Bancos do Tempo e LETS

A Depressão que se instala paulatinamente pelo mundo está a levar por uma procura por soluções que ainda que existam já há algumas décadas (tendo estado muito ativos na Grande Depressão) são inovadoras e podem contribuir para a resolução de alguns dos problemas que nos assolam hoje a (quase) todos. Uma destas soluções são os “Bancos do Tempo”.

Os Bancos do Tempo são uma forma de Moeda Local que incentivam os cidadãos a procurarem formas de repensar o trabalho e a como obtêm bens e serviços sem recorrerem a moedas convencionais, como o euro.

Os Bancos do Tempo erguem-se em torno de um conceito relativamente simples: quando se trabalha durante uma hora, recebe-se um crédito de uma hora, a qual depois é gasta num dado serviço a alguém da comunidade de aderentes. Os Bancos do Tempo não são afetados por voracidades fiscais (como aquela que atualmente vivemos) uma vez que são apenas organizações voluntárias de ajuda mútua e não moedas orientadas para os mercados nacionais ou internacionais. Sobretudo, orientam-se apenas para a comunidade local de aderentes e não extravasam para fora dela até à “economia exterior”.

Os Bancos do Tempo permitem que todos nós utilizemos o nosso pleno potencial adormecido por uma economia “exterior” em declínio e asfixiada por um Estado desleixado e inepto, incapaz de comprimir a sua Despesa e que opta – sempre – por comprimir os rendimentos dos seus cidadãos. Todos temos algum tipo de conhecimento ou competências que podemos oferecer aos outros por forma a criar Saúde, Bem Estar, Conhecimento ou a suprimir alguma necessidade. Essa rede pode ser um sustentáculo crucial para uma comunidade local esmagada pela opressão fiscal do Estado central, desenvolvendo conceitos como comunhão, igualdade, reciprocidade e civismo.

É relativamente simples começar um Banco do Tempo. Basta começar por abrir um sistema de registo de pedidos e ofertas num diretório de competências profissionais e depois uma segunda lista que agregue os membros e o seu balanço pessoal de Horas. Tudo isso pode – numa versão básica – ser feito em alguns minutos usando ferramentas online como formulários e folhas de cálculo Google Drive. Outra opção é a de imprimir “papel moeda”, numa nova unidade, que corresponde a uma Hora trabalhada para o Banco do Tempo. Esse foi, por exemplo, o modelo adotado pela ONG norte-americana Ithaka, com as suas notas “Ithaka Hours”. Existe ainda a opção de criar cheques ou vouchers que são enviados por correio e armazenados na sede do Banco do Tempo.

Uma variante menos conhecida dos Bancos do Tempo são os LETS (“Local Employment Trading Systems”) que têm um estilo mais adaptado à economia de mercado que usam unidades que representam a divisa nacional, permitem a negociacao de preços e que para alem de indivíduos isolados, envolvem também PMEs.

Plataformas Gratuitas:

Existem algumas soluções gratuitas, livremente disponíveis na Internet, e que permitem a instalação e adoção fácil deste tipo de soluções.

Uma delas é a “Community Exchange System” que permite realizar trocas básicas sem dinheiro ou sem a exigência de uma assistência técnica profissional. Desenvolvida na África do Sul, o sistema é usado por mais de trinta países.

Outra opção é o hOurworld uma ONG não lucrativa que oferece software para Bancos do Tempo completamente livre de custos.

Outra ainda é a “Open Source Currency” da ONG norte-americana “Austin Time Exchange Network” que tem vários “spin-offs” pelo território dos EUA. Que, pelas suas caraterísticas e alojamento gratuito é provavelmente a melhor alternativa disponível.

O “Community Forge” é mais um LETS que um Banco do Tempo, mas pode ser configurado para funcionar dessa forma.

Fonte:
http://www.shareable.net/blog/just-in-time

Categories: E. F. Schumacher Society, Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil | 2 comentários

Navegação de artigos

2 thoughts on “Moedas Locais, Bancos do Tempo e LETS

  1. Gisela

    Na pequena cidade de Cambuquira em Minas Gerais (Brasil), com um tipo de meio de troca quase como uma moeda local, motivamos muitas pessoas que estavam paradas e desanimadas a participarem da organização das festas da cidade para assim atrair turistas, pois é a principal fonte de renda do municipio. Aos poucos a cidade que era apelidada de “fantasma” está voltando a ser um forte polo de turismo do sul de Minas.
    É uma ótima solução para dinamizar ações e a economia.

    • Um pouco por todo o mundo, começam a aparecer exemplos como esse (que desconhecia). Sinais que as Pessoas comecam a reagir contra o Sistema Financeiro. Bons sinais.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

PEDAÇOS DE SABER

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

<span>%d</span> bloggers like this: