Sobre o atraso da entrada dos jovens na Idade Adulta

Um dos fenómenos sociológicos mais evidentes dos últimos anos é o atraso da entrada da vida adulta de muitos jovens portugueses: saem mais tarde da casa dos pais, não casam nem têm filhos. Geralmente, não o fazem por vontade própria, especialmente nos últimos anos com a explosão dos números do desemprego jovem. Esta é a dita “geração do milénio”, de pessoas que nasceram entre a década de 1980 e 1995 que – em tese – deveria estar agora a chegar ao Mercado de Trabalho. Esta geração prometia muito: níveis de preparação académica inéditos na História (em quantidade de mestrados e doutoramentos), inovadores e tecnologicamente muito bem preparados, sem esperarem “empregos para a vida”, deveriam estar agora a formar empresas e a introduzir dinamismo e vida nos meios empresariais. Mas algo falhou. E muito.

Durante algum tempo, muitos acreditaram que a responsabilidade por este atraso da vida pertencia a estes próprios jovens. Mas estudos recentes apontam no sentido que a verdadeira responsabilidade cabe não aos próprios mas a atual Depressão económica em que vivemos. Será a Depressão afinal a responsável pela falta de independência financeira: desde logo, o desemprego jovem é um factor muito importante neste fenómeno, com quase 40% dos jovens nessa condição.

As consequências sociais e humanas deste atraso da entrada na vida adulta são várias e muito graves: quebra demográfica (porque os jovens formam família muito mais tarde, e logo, perdem muitos anos de fertilidade), não têm condições financeiras para terem filhos, e quando as têm escolhem ter apenas uma criança (quando a taxa de substituição demográfica exige 2.1 filhos por casal).

Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | 5 comentários

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5 thoughts on “Sobre o atraso da entrada dos jovens na Idade Adulta

  1. Gisela

    Existe ainda a diferença forte entre estudar e trabalhar, ou seja se demora muito tempo para o jovem começar a trabalhar ele não assume a responsabilidade do seu sustento e menos ainda do sustento da familia. Alimentando sim uma postura dependente perante a vida. Por isso não têm nem a iniciativa de criar as próprias empresas.
    Ao contrario de gerações anteriores que apesar de menos estudos eram mais ativos e até empreendedores, uma vez que acostumaram desde muito jovens a provir o seu sustento e ajudar a familia.
    Como estimular esta geração a ser mais pro-ativa e menos dependente do sistema ?

    • Tudo tem a ver com o prolongamento absurdo e exagerado dos percursos escolares: simplesmente, enquanto estudam muitos jopvens nao se sentem “adultos”l e nao se libertam do esteio protetor dos pais. Esse fenomeno (que pode ser facilmente corrigido) cruza-se com o galopante crescimento do desemprego jovem no ocidente (eua e europa).

  2. Charles Lamb

    Happy Holidays, Mr Rui! Peace!

    http://en.wikipedia.org/wiki/Franz_Cumont

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