Daily Archives: 2012/12/04

O sistema democrático português está bloqueado

Sejamos claros: o sistema democrático português está bloqueado. Os partidos políticos com assento parlamentar partilham entre si o poder (num podre rotativismo “democrático”) e servem mais lobbies, grupos de interesses financeiros e norte-europeus que os cidadãos. A separação entre Eleitos e Eleitores é maior do que nunca, multiplicando-se os casos de “disciplina parlamentar” e de ameaças do Sistema contra deputados que queiram exercer o seu Dever de Consciência.

Em tal clima, o descrédito dos políticos é maior do que nunca. O espaço para populismos vãos ou oportunistas, para um (ainda) mais total sequestro da democracia pelos grupos financeiros ainda maior. O sistema mediático (dependente dos Grandes Interesses e do Bipartido PS/PSD) impede a aparição ou desenvolvimento de qualquer verdadeira alternativa e a Europa aparece cada vez mais como um “Protetor” ou “Império” que um parceiro equitativo e solida.

Uma forma de quebrar este sequestro da democracia pelo partidocracia do bipartido poderia ser – para além do desenvolvimento de movimentos cívicos e políticos – recorrer a algumas das figuras que são (ainda) prestigiadas e respeitadas pelos portugueses: os militares.

Isso mesmo indica uma sondagem recente em que um terço dos inquiridos defendeu a intervenção dos militares. A questão ia mais numa direção de “golpe militar” do que a uma intervenção mais ativa (e pacífica) dos militares na vida política. Curiosamente, são aqueles que já cresceram depois da Revolução de Abril que menos recusam a intervenção militar… os que se lembram do “Verão Quente” estão ainda maioritariamente contra a mesma. Ainda. Mas estarão ainda em 2013 com o maior aumento de impostos da História da Democracia e um inevitável derrapar da execução de um orçamento irrealista e tecnicamente muito mau?

Não se fique contudo aqui com a ideia de que defendemos um golpe militar ou a tomada do Poder pela caserna. Defendemos tão somente que uma das vias de regeneração de um sistema político político encravado pode ser – a par da erupção de novos agentes políticos e da desaparição dos atuais – a presença de militares, mais precisamente de altas patentes na reserva em partidos políticos, candidaturas independentes e, sobretudo, presidenciais, como forma de devolver alguma credibilidade, responsabilidade e eficiência à política e de assim darem o seu contributo para a regeneração da política em Portugal, para estimularem o regresso dos cidadãos a uma vida cívica e política ativa e a saída de Portugal para fora deste abismo onde décadas de governação irresponsável, culposa ou incompetente dos “grandes” partidos o deixaram.

Fonte:
http://www.noticiasaominuto.com/pais/23681/um-ter%C3%A7o-dos-portugueses-defende-interven%C3%A7%C3%A3o-dos-militares#.ULPmROCnX3x

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Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Política Nacional, Portugal | 8 comentários

Paul Krugman: “Acabem com esta crise, já!”

“Em 2008, os governos e bancos centrais intervieram com políticas de dinheiro barato e ajuda suficiente aos bancos para evitar uma repetição da queda generalizada das finanças como a que ocorreu no início da década de 1930, criando uma contração do crédito durante um período de três anos que viria a ter um papel crucial no deflagrar da Grande Depressão. (…) Mas as medidas políticas nunca chegaram a ser suficientemente fortes para evitar um aumento gigantesco e persistente do desemprego. E, quando a ronda inicial de respostas políticas foi ineficaz, os governos do mundo desenvolvido, longe de reconhecerem essa ineficácia, trataram-na como uma demonstração de que nada mais podia ou devia ser feito para criar emprego.”
(…)
“Um estímulo inadequado que não consegue produzir uma recuperação adequada acaba por enfraquecer a determinação política em implementar mais ações.”

Acabem com esta crise, já!
Paul Krugman, 2012

Foi este o fenómeno que explica o fracasso do plano de estímulos que levou Obama à presidência dos EUA e que cedo perdeu o impulso inicial quando Obama se deixou enredar em tentativas goradas de estabelecer consensos e acordos com os Republicanos. Cedendo a essas pressões, acabou por reduzir a dimensão do plano a uma escala muito inferior ao inicialmente antecipado e, sobretudo, por comprometer todo o método de abordagem à crise, por via de um intervencionismo estatal de tipo Keynesiano.

O modelo que agora domina não é o da intervenção do Estado na economia, mas o da sua retração na mesma, comprimindo as despesas e os investimentos públicos precisamente quando eles fariam mais falta e, no caso português, aumentando a carga fiscal muito acima de qualquer razoabilidade, o que conjugado com a inexistência de um “plano de estímulos” nacional ou europeu cria por duplo retorno na economia nacional condições para a aparição de uma depressão nacional de escala e duração inéditas na nossa História recente.

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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