Monthly Archives: Dezembro 2012

Golden Spike: Viagens de turismo para a Lua até 2020

Uma empresa recentemente constituída, a Golden Spike ambiciona realizar uma viagem tripulada para a superfície lunar até 2020. A empresa foi fundada por vários antigos responsáveis da NASA e pretende colocar no nosso satélite natural cientistas e turistas. Cada lugar deverá custar cerca de 1.5 mil milhões de dólares.

Os veículos serão construidos a partir de equipamento hoje disponível, mas ainda não se sabe de que origem: quer no que concerne ao veiculo lunar, quer ao lançador (a parte de leão no que respeita a custos).

Fonte:
http://www.flightglobal.com/news/articles/golden-spike-promises-crewed-trips-to-the-moon-by-2020-379896/

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Entrevista ao jornal “O Diabo” do atual primeiro ministro “de transição” da Guiné-Bissau

“Sabemos que é Portugal que está a fazer todo o trabalho de sapa. (…) quando suspenderam a aplicação do novo acordo de pesca sob pretexto de que não havia segurança na nossa ZE, os armadores espanhóis insurgiram-se em força em Bruxelas. (…) dei instruções para que nenhuma licença seja concedida a nenhum barco europeu. (…) neste momento, estamos na iminência de firmar um acordo de pescas com a China e a Coreia do Sul.”

– a desfaçatez destes personagens “de transição” que foram colocados de colo no governo guineense pelos narcomilitares deste país lusófono é espantosa: acusam Portugal de estar a fazer um “trabalho de sapa” contra o seu narcogoverno, eles que pela força das armas e contra todas as leis nacionais e internacionais tomaram o poder, apenas para protegerem os narcotraficantes do exército guineense de uma “reforma” que as forças angolanas da CPLP se preparavam para realizar. Portugal se faz “trabalho de sapa”, fá-lo no cumprimento da Lei e da normalidade democrática, mas não o faz (não tem meios nem vocação para tal) numa “guerra secreta” como sugerem estes farsantes guineenses.

“Ao nível da nossa sub-região temos tido algum apoio. Apoio financeiro da UEMOA e também da Nigéria. A CEDEAO vai-nos apoiar na tarefa visando a reforma dos setores de defesa e segurança. Para além disso, a China está disposta a apoiar a Guiné-Bissau. (…) já recebemos pedidos de empresas chinesas que querem vir investir na Guiné-Bissau em todos os setores: bauxite, Porto de Buba, estradas e infra-estruturas.”

– entreguem os recursos da Guiné aos chineses que eles ficarão em boas mãos, sendo explorados de forma sustentável e com amplos benefícios para sua preservação e para as populações locais. Exemplos desses aliás abundam por toda a África, onde os empresários e empresas chineses têm passado, aliás.

“Recentemente, o presidente interino visitou o Irão, com vista ao reforço da cooperação. O mundo árabe sempre apoio a Guiné-Bissau, especialmente em momentos de apuro.”

– o Irão dos radicais shiitas é outro ponto de apoio importante para um país que pretende reafirmar-se entre o quadro das nações sérias, bem governadas e democráticas, decerto. Aproximem-se da China e do Irão e vejam a credibilidade de um regime colocado no poder pela força das armas e financiado pelos barões da droga colombianos e nigerianos afundar-se ainda mais.

– urge limpar a Guiné-Bissau desta camarilha impune e criminosa, usando a mesma força das armas que a levou ao poder, mas com um mandato internacional – da CPLP e da ONU – com unidades africanas (da sub-região e da CPLP) com apoio logístico, aéreo e naval de Portugal e Brasil e desmantelando totalmente o exercito guineense, levando a tribunais internacionais os seus oficiais e reestruturando o seu exército, marinha e força aérea a partir do zero. E amanhã não será já cedo demais.

Entrevista publicada no Diabo de 13 de novembro de 2012 ao “primeiro-ministro” do governo guineense instalado no poder pelos militares

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Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

About 55,000 tourists visit Liechtenstein every year. This blog was viewed about 630.000 times in 2012. If it were Liechtenstein, it would take about 11 years for that many people to see it. Your blog had more visits than a small country in Europe!

Clique aqui para ver o relatório completo

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Fernando Pessoa: O Quinto Império será “de outra ordem” e “nós o atribuímos a Portugal”

“O Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica, depois da Renascença. Aqui o Quinto Império terá que ser outro que o inglês, porque terá de ser de outra ordem. Nós o atribuímos a Portugal, para quem o esperamos.”
Fernando Pessoa

Nestas palavras proféticas de Pessoa, o Quarto Império seria a Europa “laica”, isto é, a Europa da União Europeia. E após esse “império” seguir-se-ia um “império” de “outra ordem”, supõe-se que menos materialista, militar ou económico que aquele imposto ao resto do continente pelos países do norte. E que esse Quinto Império seria não o “de” Portugal, mas “Portugal”.

Obviamente que Pessoa, esse grande vate da cultura portuguesa e lusófona não entreve um futuro em que as legiões de Portugal derramam sobre o continente europeu e demais áreas adjacentes o seu poder militar ou económico. O tempo desses impérios terminara com o quarto, precisamente o da “União Europeia”, braço do capitalismo financeiro global (não confundir com “capitalismo económico”) e cujo ocaso vivemos hoje.

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O F-X2 foi adiado para enquanto a “economia brasileira não der sinais claros de recuperação”

Dassault Rafale

Dassault Rafale

Dilma Rousseff em meados de dezembro tornou a confirmar a decisão de adiar a compra de aviões de combate para a FAB enquanto a “economia brasileira não der sinais claros de recuperação”. Isso mesmo foi dito numa conferencia de imprensa tendo ao lado o seu homologo François Hollande.

A Presidente brasileira referia-se ao programa de aquisição de 36 aviões por um valor que oscilaria entre os 4 e os 7 mil milhões de dólares. Um concurso em que o aparelho francês Rafale competia (com aparente vantagem) com o Boeing F/A-18 Super Hornet e o Saab Gripen.

Com efeito, a economia brasileira cresceu apenas 2.7% no ano passado, contra 7.5% em 2010. Este ano, a economia do gigante lusófono praticamente estagnou, mas existem sinais recentes de que poderá brevemente recuperar.

O Rafale tem vantagem, do ponto de vista técnico e de contrapartidas, mas o preço elevado tem levado o Brasil a procurar junto dos franceses obter uma correção da proposta. Bem colocado está também o Super Hornet, mas os brasileiros não gostam das limitações de reexportação de tecnologia tradicionais nos aparelhos de origem norte-americana, um ponto onde a proposta francesa sempre foi a mais forte prometendo atualmente “uma total transferência de tecnologia”, nas palavras do presidente francês.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Brazils_Rousseff_grounds_fighter_choice_until_economy_takes_off_999.html

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Breve História das Bancarrotas de Estados

Portugal está em bancarrota efetiva. A situação não é nova… de facto muitos países têm entrado em bancarrota ao longo da História. Mais recentemente, a Argentina fe-lo em 2001 e a Grécia também – efetivamente – quando em 2011 reestruturou a sua dívida.

As bancarrotas apresentam alguns comportamentos recorrentes que agora que parecemos estar na antecâmara de uma nova onde bancarrotas poderão tornar a acontecer. Nas décadas de oitenta e noventa assistimos a uma dessas ondas na América Latina e a Europa só no século XX experimentou duas vagas: a da década de trinta e da década de quarenta/cinquenta (com dois perdoes de divida para a Alemanha). Aquela nova onda de bancarrotas europeias que agora se perfilha no horizonte parece vir a abranger essencialmente países do sul do continente: Grécia (de novo), Portugal, Hungria, Eslovénia, Espanha e Itália.

Na lista de bancarrotas desde 1800, Portugal declarou bancarrota seis vezes, muito, mas… menos duas vezes (no mesmo período) que a “garbosa” Germânia ou que a sua aliada França, com oito bancarrotas desde 1800. Mas estes três estão bem longe dos campos espanhóis: treze bancarrotas! Esse aliás, é outro padrão (alem do temporal e da proximidade geográfica), os países que entram uma vez tendem a tornar a entrar várias vezes e os que nunca entraram raramente entram nessa condição (por exemplo, EUA, Canadá, Reino Unido, Holanda ou Suécia nunca entraram em bancarrota).

Outro padrão recorrente advém do facto de que os países que entram em bancarrota várias vezes tendem a nunca saírem dessa situação (uma lição que deve ser aprendida por alemães e franceses), por exemplo, o campeão mundial de bancarrotas (não, não é Espanha), a Grécia, desde 1839 e até hoje, passou quase metade deste período em bancarrota.
As causas para todos estes incumprimentos são diversas, mas as mais recentes foram provocadas por quedas abruptas dos preços de matérias-primas exportadas por esses países, fugas massivas de capital ou crises de confiança bolsista.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=62152

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Finalmente, a Coreia do Norte conseguiu lançar um satélite

Unha-3

Unha-3

É oficial: a Coreia do Norte, finalmente e depois de uma sucessão de fracassos mais ou menos clamorosos, conseguiu colocar um satélite em órbita. Isso mesmo foi confirmado pelo NORAD norte-americano, que detetou o lançamento e o seguiu, confirmando a queda do primeiro andar no Mar Amarelo e do segundo no Mar das Filipinas. Segundo o NORAD: “o míssil lançou um objeto que parece ter conseguido entrar em órbita”, o que confere com declarações oficiais do regime norte-coreano segundo as quais “a segunda versão do satélite Kwangmyongsong-3 foi colocado em órbita” por um foguetão Unha-3.

Nem tudo parece ter corrido bem, contudo… segundo fontes norte-americanas, o satélite estaria fora de controlo, pouco depois de entrar em órbita. Como propósitos deste satélite estaria a “observação da Terra” e… a emissão de hinos patrióticos. Propósitos falhados, já que segundo fontes dos EUA o satélite estaria “morto”, ainda que em órbita.

Fonte:
http://feedproxy.google.com/~r/nasawatch/Aekt/~3/M7pzkRxrzy4/did-north-korea.html

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Sobre as diferenças entre Petições Online e Iniciativas Legislativas Cidadãs (ILCs)

Duas das principais ferramentas de intervenção cidadã aos dispor do +D são as petições online e as Iniciativas Legislativas Cidadãs (ILC). Importa assim perceber o que distingue uma da outra, as suas esferas de ação e as dificuldades diversas que contornam uma e outra.

Desde logo, enquanto que numa petição online se aceitam assinaturas eletrónicas (isto é, realizadas em qualquer plataforma cibernética como a peticaopublica.com ou a gopetition.com), numa ILC somente as assinaturas físicas (em papel) são aceites. Por outro lado, enquanto que numa petição basta indicar o nome e o título de identificação, numa ILC existe a obrigação de assinar o texto e acrescentando os elementos do recenseamento eleitoral (que quase ninguém sabe de cor e que agora se evaporou do Cartão de Cidadão).

Existe uma grande diferença entre uma petição e uma ILC: enquanto que a primeira pode apenas pressionar o Parlamento a legislar numa dada direção, a segunda se lograr ser aprovada assume a forma de uma Lei completa e pura, com todas as suas virtualidades.

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Nuno Ramos de Almeida: “Os governos cúmplices dos grandes especuladores financeiros lançaram um ambicioso programa que vai afetar os povos em todo o continente: caminhamos para democracias em que o voto dos cidadãos não conta e em que a economia produz lucros crescentes para muito poucos e maiores desigualdades para muitos. Reservam-nos um futuro precário”

Nuno Ramos de Almeida

Nuno Ramos de Almeida

“Pela primeira vez, a 14 de novembro, os trabalhadores perceberam que se as cangas da exploração são europeias, os instrumentos de luta também têm de ter a mesma escala e poder. A política neoliberal utiliza a crise como justificação para destruir o Estado Social, privatizar os serviços públicos e tornar as democracias nacionais reféns das imposições da troika. Os governos cúmplices dos grandes especuladores financeiros lançaram um ambicioso programa que vai afetar os povos em todo o continente: caminhamos para democracias em que o voto dos cidadãos não conta e em que a economia produz lucros crescentes para muito poucos e maiores desigualdades para muitos. Reservam-nos um futuro precário. Este programa tem como objetivo empobrecer e retirar poder aos povos da Europa, é portanto natural que as lutas para defenderem a democracia e uma economia mais justa ultrapassem as fronteiras.”

Nuno Ramos de Almeida
Jornal i
13 novembro de 2012

Mas falta ainda a coesão, a comunhão de princípios e objetivos e, sobretudo, a solidariedade dos trabalhadores dos países do norte (contribuintes líquidos da UE e quem mais tem ganho com a crise dos países do sul) para que esta “frente comum” europeia tenha real eficácia.

Não hã dúvida de que estamos hoje perante um ataque concertado e longamente planeado por parte de uma obscura mas muito poderosa teia dos Grandes Interesses contra o Estado Social, a Democracia e o Trabalho. Aproveitando a demissão da vida política e cívica por parte da maioria dos cidadãos europeus, e controlando (pela via dupla dos financiamentos de campanha e das promessas de cargos corporativos) os políticos europeus, os Grandes Interesses impuseram um “pensamento único” que visa destruir o Estado Social europeu.

Os Grandes Interesses não querem que exista uma “rede de segurança” para situações de pobreza, porque isso implica que eles terão que dar o seu contributo em impostos, nem, sobretudo, porque isso permitirá que os trabalhadores aceitem apenas salários a partir de um certo limite mínimo. Usando os Media e as televisões (que controlam direta, por propriedade, ou indiretamente, via anúncios), estes Interesses (especuladores, banqueiros e grandes senhores das multinacionais) governam o Continente europeu usando a troika ou as instituições europeias como agentes dóceis e passivos.

Cabe-nos a nós, cidadãos europeus, recusar a canga que querem deitar sobre nos e fazer alguma coisa. Enquanto podemos.

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Da necessidade de desenvolver as ciclovias e o exemplo dos EUA

O aumento dos preços da gasolina tiveram um efeito notável no número de ciclistas que hoje usam as ciclovias que nas últimas duas décadas foram sendo construidas neste Estado do leste dos EUA: São Francisco registou um aumento de 71% no número de ciclistas nos últimos cinco anos. Los Angeles, um aumento de 32%. No global, existem hoje nos EUA mais 63% ciclistas que em 2000.

Algumas cidades dos EUA têm previstos grandes investimentos em ciclovias, por exemplo, Los Angeles nos próximos cinco anos vai construir mais de três mil quilómetros de ciclovias e muitos norte-americanos estão a adotar a bicicleta não somente para gastarem menos em combustíveis, mas também por razões ambientais.

Uma via a desenvolver (muito…) nas grandes cidades portugueses, todas elas muito abaixo nessa área da maioria das suas congéneres no mundo desenvolvido.

Fonte:
http://tech.slashdot.org/story/12/10/14/0430220/as-gas-prices-soar-so-does-city-biking?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Slashdot%2Fslashdot+%28Slashdot%29

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Dia 9 de dezembro poderia ter sido, não o Fim do Mundo, mas o dia de uma grande catástrofe meteórica

Não seria o fim do mundo, não apareceu em nenhum canal de televisão (ao contrário de Ronaldo e Pinto da Costa que aparecem todos os dias) mas se no passado dia nove de dezembro um asteroide descoberto In Extremis por um grupo de astrónomos tivesse caído na Terra faria um grande estrago. E foi mesmo In Extremis já que o objeto passou a menos de metade da distância Terra-Lua. O asteroide – de nome 2012 XE54 – foi descoberto apenas dois dias antes da passagem de raspão, ou seja, se fosse mesmo para colidir não haveria tempo para fazer nada…

O 2012 XE54 tem apenas trinta metros de diâmetro, mas o seu impacto equivaleria a 13 Bombas de Hiroshima, ou seja, suficiente para provocar uma grande catástrofe se caísse perto de uma grande cidade como Paris ou Roma.

Com perigos destes é incompreensível porque não existe ainda um verdadeiro sistema de aviso e rastreamento de riscos globais e um sistema de resposta a estas ameaças já em órbita e pronto para ser usado quando necessário. Infelizmente, contudo e tendo em conta aquilo que é o espírito humano um tal sistema dual (deteção-reação) só será muito provavelmente instalado depois do primeiro grande desastre provocado por um destes meteoritos..

Fonte:
http://meiobit.com.feedsportal.com/c/33490/f/584803/s/26a46989/l/0Lmeiobit0N0C112920A0Ccomo0Equase0Emorremos0Edia0E110Ede0Edezembro0E20C/story01.htm

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A Constituição Liberal de 1822 e o regime federal Portugal-Brasil

As Cortes Constituintes de 1822 (http://www.arqnet.pt)

As Cortes Constituintes de 1822 (http://www.arqnet.pt)

“A Constituição Liberal de 1822 adotou uma espécie de regime federal para com o Brasil criando uma regência de cinco membros e um governo de três que residiriam no Rio de Janeiro. Haveria ainda um um Conselho de Estado composto de treze conselheiros, escolhidos pelo rei ante proposta das Cortes, dos quais seis de Portugal, seis do Ultramar (Brasil) e um tirado à sorte.”

A. H. Oliveira Marques
História de Portugal, vol. III

Infelizmente, pouco tempo haveria de vigorar esta Constituição da Monarquia Constitucional portuguesa: pouco menos de três anos, e, mesmo esses divididos por dois períodos de tempo distintos. E ainda menos no Brasil já que nesse mesmo ano, 1822, seria dado o “Grito do Ipiranga”…

A constituição tinha em si as sementes para garantir um verdadeiro “reino dual” entre Portugal e Brasil e – sendo aplicada durante o tempo suficiente – poderia ter resolvido as questões de desigualdade no tratamento entre cidadãos de ambos os lados do Atlântico que, meses depois levariam à separação entre Portugal e Brasil.

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As lições da História não devem ser esquecidas e a reindustrialização de Portugal

“Em 1836, na necessidade imperativa de desenvolver a indústria nacional, num país que dependia então quase totalmente da indústria inglesa, promulgou-se uma pauta aduaneira que veio proteger a indústria nacional e dar origem a um desenvolvimento industrial sem precedentes em Portugal. Em 1835 não existiam maquinas a vapor com fins industriais, em 1840, já existiam quatro, em 1850, o dobro, em 1881 já existia um total de mais de nove mil cavalos-vapor quando em 1840 eram apenas 79.”

História de Portugal
António de Oliveira Marques

As lições da História não devem ser esquecidas, sob pena de cometermos – sempre – os mesmos erros… imerso num profundo processo de tercialização da sua economia (subsidiado por dinheiros europeus e contando com cúmplices internos, como Cavaco) Portugal está hoje na mesma situação que ao virar do século XIX: quase não tem indústria. Como então, a solução só pode passar por um programa de fomento industrial, com capitais europeus (que é onde eles abundam) e pela instauração (ainda que temporária) de proteções aduaneiras que protejam essa indústria incipiente das agressões dos grandes gigantes multinacionais e do norte da Europa.

A competição e concorrência são sempre os ambientes ideais, para produtores e consumidores, mas a desregulação comercial, os sucessivos e desumanos dumpings (sociais, laborais, ambientais e climáticos) que a China exerce sobre nós não tornam o ambiente económico favorável a uma regeneração do tecido produtivo luso e a restauração dos perdidos mecanismos aduaneiros é assim, imperativa. Provisória (porque a prazo seria perniciosa), mas imperativa.

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O primeiro protótipo Neuron realizou o seu primeiro voo em França

Drone NEURON

Drone NEURON

O protótipo de um drone de combate Neuron voo pela primeira vez a um de dezembro de 2012 a partir de uma base do sul de França.

O aparelho não tem cauda vertical por forma a ser tão furtivo quanto o possível e voou durante vinte e cinco minutos sob o controlo de dois pilotos baseados no solo.

Este protótipo deverá preceder um drone que equipara várias forças aéreas europeias por volta de 2030. O programa arrancou em 2003, em França, a que se juntaram depois vários outros países europeus: Itália, Suécia, Espanha, Suíça e Grécia tendo já custado cerca de 406 milhões de euros, dos quais França pagou perto de metade. O problema é que não existem planos para começar a construir aparelhos Neuron: simplesmente, nenhum país europeu tem atualmente recursos financeiros. Com exceção de França, onde a Dassault tenta convencer o Governo a financiar um segundo protótipo, não existem movimentações semelhantes em mais nenhum dos países que financia o Neuron.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Prototype_of_European_combat_drone_makes_maiden_flight_999.html

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Liberal de 1822, sim. Neoliberal, Não.

Coroação de D. Pedro como imperador do Brasil (http://sol.sapo.pt)

Coroação de D. Pedro como imperador do Brasil (http://sol.sapo.pt)

“Os Liberais que triunfaram em 1820 assentavam a sua ideologia no direito à propriedade privada, do qual derivavam todas as outras liberdades: liberdade de não ser preso sem culpa formada nem julgado exceto de acordo com a lei, liberdade de falar e escrever sem censura prévia, igualdade de direitos e de leis para todos, abolição da tortura, da confiscação de bens, da infâmia, direito para todos serem admitidos nos cargos públicos, direito de apresentar reclamações, queixas ou petições, inviolabilidade da correspondência, o principio da lei como vontade dos cidadãos, a divisão tripartida dos poderes, etc”

“Como princípios mais nacionalistas, resultado das necessidades portuguesas, poderiam indicar-se uma certa defesa do protecionismo e dos direitos aduaneiros elevados, em oposição ao livre câmbio para o estrangeiro, o desenvolvimento das técnicas, dos transportes e das comunicações, e uma “reforma agrária” que pusesse gim aos grandes latifúndios. O Liberalismo português definia também a nação como “a união de todos os Portugueses de ambos os hemisférios”, garantido-lhes, direitos e deveres iguais.”

A. H. Oliveira Marques
História de Portugal, vol. III

Não se pode (nem deve) confundir neoliberalismo com liberalismo. Por vezes há que realizar alguma certa (mas necessária) “limpeza de mente” para decantarmos todo esse material que os Media diariamente nos injetam e que nos levam a confundir os dois termos.

Na verdade, e lendo o primeiro parágrafo deste texto, constata-se como é difícil não defendermos todos os princípios do liberalismo: liberdade de expressão, igualdade de direitos para todos, primazia da Lei, repartição tripartida do poder, etc. Obviamente, concordamos com tudo… algo que não dispensa esta recordação, tanto mais porque o predomínio dos Grandes Interesses multinacionais e financeiros sobre os Media e os seus lobbies condicionam e castram hoje a democracia representativa. Somos liberais, mas não neoliberais: opomo-nos a uma desregulação selvagem da economia, a uma minarquia, à compressão até ao vácuo do Estado Social e à desigualdade económica e social que sempre advém num contexto em que a influência do Capital é muito maior que a do Trabalho numa economia.

Liberal sim, neoliberal, não.

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A Suíça conseguiu descer o preço dos 22 Saab Gripen que vai adquirir à Suécia

A Suíça conseguiu pagar menos pelos 22 Saab Gripen que a própria força aérea sueca: os aparelhos irão ficar em cerca de 83 milhões de euros, ou seja, 15 a 30% menos que vai pagar a própria Suécia na próxima aquisição de entre 40 a 60 aparelhos Gripen.

Os Saab Gripen suíços irão substituir a frota de aviões Northrop F-5E/F Tiger e as entregas vão começar em 2018.

A aquisição destes aparelhos foi muito polémica na Suíça, mas é um facto que os custos das opções concorrentes (Rafale ou Eurofighter) eram muito mais elevados… o negócio será agora submetido ao Parlamento e – muito possivelmente – a um Referendo Popular.

Fonte:

http://www.defencetalk.com/swiss-to-get-swedish-jets-cheaper-than-swedes-report-45924/

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A Apple regressa aos Estados Unidos? Para grande desagrado dos especuladores…

Apple iMac

Apple iMac

O grande problema do Ocidente foi ter aberto as fronteiras comerciais à China, cedendo às pressões dos teóricos do neoliberalismo sem receber reais contrapartidas dessa abertura desbragada de fronteiras. Sem limites morais, ambientais, laborais ou de respeito pelos padrões de Direitos Humanos as empresas chinesas arrasaram com a indústria no Ocidente.

Algumas multinacionais começaram finalmente a perceber que se continuassem a esvaziar Emprego no Ocidente, sem o criar a Oriente (devido ao modelo de baixos salários) a curto prazo levariam ao colapso do seu mercado consumidor principal. Uma dessas empresas foi a Apple que começou agora a distribuir alguns dos seus novos iMacs com a etiqueta “made in the USA“. Esta etiqueta – segundo os regulamentos federais em vigor – significa que estes computadores não foram simplesmente montados nos EUA com peças fabricadas no estrangeiro (“assembled in the USA”, nesse caso) mas que incorporam uma significativa parcela de fabricação local.

A Apple, segundo o seu CEO, Tim Cook, tem agora a estratégia de relocalizar uma parcela cada vez maior da produção, mas as fábricas que planeia vir a construir serão fábricas muito robotizadas, pelo que não serão grandes geradoras de emprego… por outro lado, os Mercados financeiros não parecem ter gostado mesmo nada desta decisão: nos dias seguintes a esta declaração de Tim Cook a ações da Apple (geralmente muito apreciadas pelos especuladores) tiveram um rombo estrondoso… aparentemente os Mercados não gostam de ver o Ocidente a reindustrializar-se…

Fonte:
http://appleinsider.com/articles/12/12/02/some-new-imacs-marked-as-being-assembled-in-america

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O Brasil como “Quinto Império” ou “Império do Espírito Santo”

Dom João VI (http://www.jbrj.gov.br)

Dom João VI (http://www.jbrj.gov.br)

“Assim como no ano de 1808 Dom João VI com a sua corte fugiram dos ataques dominadores do ambicioso imperador Napoleão refugiando-se em terras brasileiras, agora que Portugal perde a sua soberania para a “Comunidade Europeia” (mais propriamente para a França, Alemanha e Inglaterra), a alma portuguesa, com os seus ideias mais caros do Quinto Império ou Império do Espírito Santo será salva e revivida no Brasil.”

Claudia Pacheco
História Secreta do Brasil

Essa é também a minha convição. Mas trata-se aqui de um objetivo de longo prazo. A curto, não há condições para alicerçar tal união: a esmagadora maioria dos brasileiros não se revê conscientemente nos ideais do “Quinto Império” ou, melhor, do “Império do Espírito Santos” e o mesmo se pode dizer – em boa verdade – dos portugueses.

Existe um tremendo trabalho de sapa, lento, paciente, mas objetivado para apresentar a portugueses que o seu futuro a longo prazo não está unicamente na Europa, mas também, no além Mar, num Brasil continental que foi criado por si, a partir dos melhores dos seus durante séculos para que o “Projeto Áureo” de Dom Dinis pudesse ser concretizado. E que não foi pela deriva ultra-católica de Dom João III. Mas a situação de grave crise financeira e o desnorte europeu na condução da mesma podem levar os portugueses a procurarem soluções inovadoras e a refundação das ligações com a lusofonia na América pode ser uma delas…

Do outro lado do Mar Oceano há um trabalho ainda mais gigantesco a cumprir: a maioria dos brasileiros não se sente “lusófona”, nem encara os portugueses como irmãos ou pares (na melhor das hipóteses vê-os como um avó que nunca conheceu). As ligações económicas e culturais são quase vestigiais e há aqui um imenso campo por explorar… para tornar viável qual reaproximação ao “reino duplo” perdido em 1822 há que reaproximar, primeiro, nos campos culturais, económico e diplomático. Usar essa magnifica plataforma de entendimento que é a CPLP para criar espaços de partilha e comunhão de experiências, recursos e projetos e partir daqui em diante para uma verdadeira “união” (aprendendo com todos os erros da “união” europeia) e criando assim condições para que os dois pés desse “Império do Espírito Santo”: Brasil e Portugal, possam erguer-se e seja recriado essa entidade multicultural, pluricontinental e espantosa que seria uma união Portugal-Brasil. Antecâmara de uma “União Lusófona” de ainda maior escala e ambição…

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Credit Crunch em curso contra as PMEs portuguesas

José Eduardo Carvalho (presidente AIP)

José Eduardo Carvalho (presidente AIP)

“Recentemente, o BCE, através de um dos membros do seu Conselho Consultivo, afirmava que “não vejo uma crise de crédito em Portugal”. Esta afirmação ilustra bem o desconhecimento que a troika revela sobre a atual realidade da economia portuguesa, ou traduzira a convicção de que o processo de desalavancagem do crédito em Portugal tem de seguir o seu caminho, custe o que custar. Nem que custe um contexto sufocante da tesouraria das empresas em que vive a generalidade das empresas portuguesas, que afeta não só as empresas financeiramente mais débeis, mas também e de forma crescente, o núcleo mais saudável e dinâmico das PMEs.
(…)
Em paralelo, persiste um processo de crowding out a favor do financiamento do setor público e, no privado, a favor das empresas de maior dimensão, que tem originado uma situação que se avizinha perigosamente de um contexto de credit crunch para as PMEs portuguesas. (…) o crédito às PMEs desceu mais de 11% (…) os créditos vencidos passaram de 8% em outubro de 2011 para 13% em outubro de 2012 e o número de PMEs em incumprimento é neste momento de quase 30%. (…) O que não podemos aceitar é que o processo de ajustamento se faça em desfavor do setor empresarial privado e, dentro deste, com discriminação negativa das PMEs.”

José Eduardo Carvalho
Diário Económico 10 dezembro 2012

O BCE não é formado por idiotas. Obviamente, assim o reiterado proferir de declarações idiotas e descontextualizadas segue um propósito e este é o de desvalorizar a gravidade em que os países do sul da Europa se encontram por forma a satisfazer as pressões dos eleitorados do norte. Existe um credit crunch em Portugal e noutros países, assim como existe uma subida sem precedentes (na História recente) dos níveis de incumprimento, os quais eram antes de 2008, dos mais baixos do mundo desenvolvido.

Perante este – negado pela UE e BCE – “credit crunch”, estamos perante a iminência de uma autêntica catástrofe em domino que em 2013 ameaça diretamente praticamente metade de todo o tecido empresarial privado nacional e, com ele, todo o setor bancário. Os efeitos sistémicos de um colapso de um terço da economia real (aquela que paga impostos e suporta o Estado) serão tremendos e de consequências difíceis de antever, mas que irão levar a uma insustentabilidade brusca das contas públicas (antes de abril, segundo alguns estimam) e que socialmente e num contexto de desmoronamento do Estado Social (pela súbita diminuição de impostos decorrente de uma vaga inédita de falências e pelo aumento brusco dos subsídios de desemprego) vai colocar o país não já à beira da revolta social generalizada, mas bem dentro da mesma, e isto antes de junho.

Esta é a minha previsão para 2013. Espero estar enganado. Eu e os palhaços do BCE, lacaios da poderosa, soberba e arrogante Germânia.

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Stefan Zweig: “Como poderá conseguir-se, no mundo, viverem os entes humanos pacificamente uns ao lado dos outros, não obstante todas as diferenças de raça, classes, pigmentos, crenças e opiniões? (…) mais nenhum país resolveu esse problema de maneira mais feliz e mais exemplar que este (o Brasil) o fez”

“Como poderá conseguir-se, no mundo, viverem os entes humanos pacificamente uns ao lado dos outros, não obstante todas as diferenças de raça, classes, pigmentos, crenças e opiniões? (…) mais nenhum país resolveu esse problema de maneira mais feliz e mais exemplar que este (o Brasil) o fez.”
Stefan Zweig

Porventura a maior força do Brasil é precisamente a sabedoria intrínseca que demonstrou ao saber resolver esse grave problema do racismo que fratura e dilacera tantos países no mundo. Não recusamos ver que existem problemas, contudo, neste campo, no Brasil. Mas perante uma tal escala continental e num passado ainda relativamente recente de escravatura a forma como este país lusófono resolveu a questão é realmente exemplar.

É nossa crença que esta “solução tropical” do problema do racismo no Brasil deve a sua quota parte à herança portuguesa… país “rafeiro” (mesclado) como nenhum outro na Europa, que soube levar a tradição tolerante e quintana do Culto do Espírito Santo até bem dentro do Sertão brasileiro, criando assim as condições para essa sábia tolerância que aqui constatamos.

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O Brasil pode ajudar Portugal, mais. Desde logo correspondendo na escala do investimento português no Brasil

Mário Vilalva

Mário Vilalva

“Os números revelam que há um investimento de três mil milhões de euros do Brasil em Portugal. O investimento português no Brasil é de cerca de 25 mil milhões de euros, o que representa a criação de cerca de 650 empresas portuguesas ou de capital português no Brasil.”
(…)
“No ano passado, demos (o Brasil) 50 mil vistos de trabalho a estrangeiros e aos portugueses cerca de dois mil, o que representa o dobro do ano anterior. Esperamos que o crescimento continue. Há ainda alguns aspetos burocráticos que têm que ser vencidos.
(…)
Portugal é um dos destinos preferidos dos estudantes brasileiros. O segundo país é Portugal, embora a liderança continue a ser ocupada pelas universidades norte-americanas. Já este ano, ao abrigo do Programa Ciência sem Fronteiras, foram enviados cerca de 1500 estudantes brasileiros para Portugal. O que significa que, atualmente, temos um universo de cerca de quatro mil estudantes brasileiros em Portugal.”

Entrevista a Mário Vilalva, embaixador do Brasil em Portugal
Diário Económico, 10 dezembro 2012

É verdade que o Brasil – apesar do seu recente estatuto de potência económica mundial – ainda é um país muito isolacionista, quer a nível diplomático, quer económico. Com efeito, ainda há poucos anos eram muito raros os exemplos de investimentos brasileiros no estrangeiro e Portugal, foi de facto, um dos países onde percentual mente, mais o gigante lusófono investiu (e isto apesar da desproporção acima citada). Mas o cenário está a mudar e poderia ter mudado ainda mais se o Governo Sócrates tivesse querido…

Aquando da erupção da crise financeira em 2008 e quando no ano seguinte os juros da Dívida Soberana começaram a subir até níveis incomportáveis, um sindicato de países lusófonos, encabeçado por Angola e Brasil – reunido na ONU – propuseram comprar dívida soberana portuguesa, evitando assim a Portugal o recurso aos fundos da troika e a correspondente austeridade. Em troca pediam apenas prioridade na venda das empresas públicas. Como se viu, estas empresas acabaram sendo vendidas na mesma (algumas a angolanos e brasileiros…), mas Portugal embarcou num tapete sucessivo e interminável de vagas austeritárias que satisfaz apenas Passos e Gaspar e as suas ambições pessoais de ocuparem mais tarde cargos internacionais.

A ajuda brasileira foi então rejeitada por um Governo que colocava a “europa” acima de tudo e de todos, até do interesse nacional. Mas o Brasil pode apesar disso fazer mais por Portugal… continue a investir, compensando esse desequilíbrio que ainda o favorece numa escala de um para dez e, sobretudo, abrande as barreiras alfandegarias (duras) que ergue contra Portugal. Isso ja seria uma grande ajuda para este irmão lusófono que tão precisado está de ajuda dos países realmente irmãos (ao contrário dos germanos, que nos empurraram para o “seu” euro e todas as suas maleitas).

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Jean Delumeau: “Em Portugal a persistência do messianismo animando a mentalidade um povo durante um tempo tão longo (…) é um fenómeno que, com exclusão do povo judeu, não tem equivalente na História”

“Em Portugal a persistência do messianismo animando a mentalidade um povo durante um tempo tão longo (…) é um fenómeno que, com exclusão do povo judeu, não tem equivalente na História.”
Jean Delumeau

E essa comunhão advém da presença de judeus entre nós desde tempos quase pré-históricos, tendo desembarcado os primeiros hebreus na Península (não longe do atual Algarve português) juntamente com os fundadores fenícios de Gades, a primeira colónia deste povo na Península Ibérica.

O messianismo que está tão profundamente gravado na memória coletiva lusa, condicionando a forma portuguesa de estar e produzindo aquele sebastianismo que ainda hoje explica tanto do nosso temperamento, vem dessa raiz hebraica que se estima estar geneticamente presente em pelo menos um terço dos portugueses e isto depois de séculos de perseguições e pogroms… Portugal é um país judeu, nos genes e na cultura, no fatalismo, numa força religiosa difícil de igualar e numa relação quase Direta com Deus (Cabala) que recorda os rituais do Culto do Espírito Santo.

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Stefan Zweig: “Ainda bem que foram os portugueses que vieram para cá, ainda bem que eu não estou encontrando aqui uma outra Alemanha, um outro Estados Unidos, uma outra França, porque aqui eu tenho paz, o ser humano tem valor como ser humano”

“Ainda bem que foram os portugueses que vieram para cá, ainda bem que eu não estou encontrando aqui uma outra Alemanha, um outro Estados Unidos, uma outra França, porque aqui eu tenho paz, o ser humano tem valor como ser humano.”
Stefan Zweig, escritor austríaco

Porque se estivesse encontrando o mundo em que vivemos seria ainda pior. Imaginemos um universo alternativo em que a Holanda ou a França conseguiram impor o seu império no Brasil: estaríamos perante uma sociedade severamente estratificada, como a Sul africana ou australiana, e no pior tipo de estratificação que há, que é o de tipo racial.

Em vez de uma sociedade pacifica e até tímida, na cena internacional, teríamos mais um confrontante, mais um disputador de Poder, usando sem hesitação a força armada (como fazem as potências anglo-saxónicas sem grande pudor). Este Brasil – que agora começa a ganhar em força económica aquilo que já se lhe sobejava em demografia e geografia é assim uma encarnação de Portugal, porventura até a incorporação mais perfeita do “projeto Áureo” de Dom Dinis e Isabel de Aragão.

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Agostinho da Silva: “Não há dúvida nenhuma de que o futuro do mundo, a civilização do desenvolvimento, da cultura, do homem superior vai surgir no Brasil – e é por isso que está sendo tão difícil fazer o Brasil”

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

“Não há dúvida nenhuma de que o futuro do mundo, a civilização do desenvolvimento, da cultura, do homem superior vai surgir no Brasil – e é por isso que está sendo tão difícil fazer o Brasil.”
Agostinho da Silva

O “Homem Superior” é aquele que consegue vencer todos os complexos de superioridade rácica ou religiosa, num verdadeiro e pleno cumprimento dos grandes temas do Culto do Espírito Santo e que realiza assim – pelo tolerância e incorporação do Outro – a promessa do Quinto Império.

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Os Orçamentos Participativos de Porto Alegre

https://i0.wp.com/www.uol.com.br/folha/turismo/americadosul/images/porto_alegre.jpg

Introdução:

No que concerne a formas de Democracia Participativa um dos exemplos de referência à escala mundial é a cidade brasileira de Porto Alegre. O exemplo é de particular importância num país sem grandes tradições municipalistas e onde a qualidade da governação é frequentemente muito má, especialmente ao nível municipal. Razões adicionais para considerar com ainda maior interesse o caso de Porto Alegre…

O que é a Democracia Participativa:

A Democracia Participativa é uma alternativa ao modelo Representativo tradicional. Visa mudar de forma radical as relações entre governantes e governados, devolvendo a soberania à sua origem e a sua aplicação prática não exclui de forma alguma a coexistência com formas representativas mais tradicionais.

Dificuldades:

Existem dois grandes obstáculos à efetiva utilização de mecanismos de Democracia Participativa: por um lado, o Sistema Representativo é geralmente muito cioso e ciumento da sua exclusividade e resiste à coexistência com ferramentas de democracia participativa (caso das graves limitações impostas às ILCs em Portugal), por outro lado, para que que estas ferramentas sejam bem utilizadas (ou, utilizadas, de todo) exige-se uma sociedade civil ativa e organizada, e numa sociedade civil tal amorfa e passiva como a nossa tal condição é de difícil cumprimento…

Além destes dois grandes obstáculos, outros de menor (mas não muito…) escala se apresentam: para que o quadro jurídico seja alterado por forma a introduzir mecanismos de democracia participativa há que congregar apoios no quadro representativo atual, apoios que permitam a produção de novas leis e a alteração de leis existentes numa direção que possa reforçar os mecanismos participativos já existentes (petições, ILcs, candidaturas independentes autárquicas, etc) e criar novos.

O Caso de Porto Alegre (no Brasil):

Quando falamos de Porto Alegre, falamos de uma das cidades mais desenvolvidas e com melhor qualidade de vida desse nosso grande irmão lusófono que é o Brasil e que esse estatuto invejavel se deve muito aos Orçamentos Participativos aqui introduzidos pela gestão local do Partido dos Trabalhadores (PT).

Como todas as cidades brasileiras, Porto Alegre é um município onde o exercício do poder político se divide em duas instâncias: o Prefeito (Presidente da Câmara em Portugal), ou braço executivo e a Câmara dos Vereadores (Assembleia Municipal) que representa o braço Legislativo.

O modelo de Orçamento Participativo (OP) implementado em Porto Alegre garante que os cidadãos podem participar, a coexistência de mecanismos de democracia participativa com mecanismos de democracia representativa, através de instituições de funcionamento regular cujo regimento é ditado pelos participantes.

O OP de Porto Alegre é dividido por regiões e, simultaneamente por temas (circulação e transporte, cultura, educação e lazer, saúde e assistência social, desenvolvimento económico, entre outros).

Em termos organizacionais, o OP ao nível do executivo municipal é administrado por dois órgãos: o Gabinete de Planejamento (GAPLAN) e a Coordenação das Relações com as Comunidades (CRC). Este segundo órgão municipal é o responsável pela ligação com as várias organizações comunitárias de Porto Alegre: as Uniões de Vilas, os Conselhos Populares e as Articulações Regionais.
Relacionando o Executivo com a Comunidade existem ainda o Conselho do Orçamento Participativo (COP), Assembleias Plenárias, Fórum Regional do Orçamento, Assembleias Plenárias Temáticas e o Fórum Temático do Orçamento.

Os índices de participação nos OPs de Porto Alegre têm subido de forma consistente desde o seu lançamento em 1990: 976 votos para perto de 20 mil em 2000. Sendo que nesta contabilização, se devem contar as organizações da sociedade civil, o que leva o numero mais de cem cidadãos, ou seja, oito por cento da população de Porto Alegre.

Segundo a Constituição brasileira a aprovação do orçamento municipal cabe à Câmara dos Vereadores. Este imperativo trouxe ao executivo municipal alguns dilemas: os OPs chegam a esta Câmara já depois de terem passado por um denso processo negocial e os os deputados municipais devem aprova-lo por inteiro, mas isso nem sempre foi pacífico: momentos houve em que os deputados exigiram fazer alterações aos OPs… este é de resto um dos pontos que tem que ser limado, mas as vantagens de os “legisladores” municipais terem que aprovar os OPs exatamente como estes lhe são apresentados são evidentes: reduz-se assim o campo de ação da corrupção…

Pontos a melhorar nos OPs de Porto Alegre:

O modelo dos OPs de Porto Alegre não está acabado: a qualidade da participação ainda não se encontra nos níveis exigidos e as relações entre os órgãos representativos e os mecanismos participativos carece de ser aperfeiçoada. Há que incentivar a participação das classes economicamente mais desfavorecidas e de enquadrar os cerca de 25% de residentes em bairros clandestinos nos OPs. O acesso à informação, de qualidade e de forma fácil por forma a produzir decisões de qualidade também não é suficiente.

Conclusão:

O caso exemplar de Porto Alegre merece reflexão: prova que a hibridação de formas de Democracia Representativa com instrumentos de Democracia Participativa pode ser frutuosa. Demonstra também que para obter os melhores resultados tem que envolver alterações ao nível do quadro legislativo nacional e que o processo negocial que está sempre na génese de um OP deve ser aperfeiçoado e que é igualmente uma das suas grandes forças… exemplar, o modelo de OP de Porto Alegre tem tudo para ser seguido também entre nós, de forma não dogmática e incorporando os aprendizados das experiências nacionais com OPs (por exemplo, em Lisboa).

Fontes:
http://www.revistaautor.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=432:em-busca-de-outras-democracias-a-democracia-participativa-de-porto-alegre&catid=14:internacional&Itemid=43

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Banca Alternativa: Investimentos Ponto-a-Ponto

Zopa (http://techincollaborativeconsumption.files.wordpress.com)

Zopa

Os Bancos são cada vez menos apreciados por todos. De facto, a sua atividade nunca foi muito popular, nem a estatura ética dos banqueiros foi considerada alguma vez como muito elevada, assim como o seu prestígio social… especialmente agora, em tempos de credit crunch e da vivência de uma crise global que encontra as suas raízes nas loucuras dos financeiros (e na desregulação) das últimas décadas. Mas os Bancos continuam sendo inevitáveis formas de financiar a Economia… ou não?

Não. Todos nós podemos optar por formas alternativas de fazer poupanças. Podemos, por exemplo, colocar o nosso dinheiro (ou parte dele) num sistema de “empréstimos ponto-a-ponto”, curto-circuitando completamente o papel de intermediário tradicionalmente ocupado pela Banca e tomando nós próprios a decisão de a quem e a que negócio ou empreendimento desejamos emprestar o nosso dinheiro.

Estes sistemas de capitalização ponto–a-ponto não são constructos teóricos: são reais e existem no mundo várias organizações que recorrem a eles. É por exemplo o caso da Zopa, com lucros anuais de 5.5%, da Funding Circle com lucros anuais de 8.5%. Estes casos não escondem que existe uma certa taxa de insucesso: por vezes alguns negócios – simplesmente – falham.

Apesar de certos riscos, estes sistemas ponto-a-ponto permitem que o emprestador saiba exatamente a aplicação que está a ser dada ao seu dinheiro. Os lucros podem ser mais altos que um depósito a prazo convencional, mas podemos escolher o negócio onde aplicamos as nossas poupanças em função de critérios éticos, gostos pessoais ou a áreas onde estejamos mais bem informados.

Fontes:
http://uk.zopa.com/
https://www.fundingcircle.com/

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A JAXA está a desenvolver um novo lançador de satélites: o Epsilon

Motor do foguetão nipónico Éplison (http://www.jaxa.jp)

Motor do foguetão nipónico Éplison (http://www.jaxa.jp)

O Japão está a desenvolver um novo lançador de satélites designado por Epsilon que deverá voar até ao verão de 2013. O objetivo da JAXA deverá ser um veículo de baixo custo que vai substituir o atual lançador M-5 que entre 1997 e 2006 realizou sete lançamentos sempre com sucesso. A grande diferença será no preço, 70 milhões de dólares por lançamento versus 48 com o Epsilon.

Para manter os custos baixos o Epsilon vai reutilizar o máximo de componentes do M-5 e do H-2A, sendo o primeiro estádio do Epsilon baseado no H-2A e encontrando-se os motores do M-5 nos segundo e terceiro estádios do novo foguetão, ou seja, motores de combustível sólido.

O desenvolvimento do Epsilon deverá custar à agência espacial nipónica JAXA cerca de 250 milhões de euros.

Fonte:
http://www.space-travel.com/reports/Japan_Plans_to_Launch_New_Carrier_Rocket_in_2013_999.html
http://www.jaxa.jp/projects/rockets/epsilon/index_e.html

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Francis Fukuyama: “o sistema político chinês está sob severa pressão de uma classe média crescente e das redes sociais e a dado momento pode estourar”

Segundo o conhecido académico Francis Fukuyama, o sistema político chinês está sob severa pressão de uma classe media crescente e das redes sociais e “a dado momento pode estourar”.

Existe uma distância cada vez maior entre as cúpulas políticas em Pequim e a sua população, potenciada pela inexistência de imprensa livre e de eleições. O regime conta, contudo, com uma extensiva censura (em todos os meios) e com vigilância nas comunicações eletrónicas para manter a população sob controlo, mas não está a conseguir travar o crescimento de uma consciência nacional que não conseguia sobreviver no tempo em que toda a informação era disseminada através dos órgãos de comunicação diretamente controlados pelo Partido, diz Fukuyama.

Sinais do começo dessa perda de controlo encontrou-os já Fukuyama no desastre com um comboio de alta velocidade em julho de 2011 e que vitimou 40 chineses. Na altura, alguns altos representantes do governo mandaram enterrar no local algumas peças do comboio acidentado por forma a impedirem uma investigação completa, mas uma avalanche de fotografias e protestos espalhados pelas redes sociais chinesas fê-los abortar o processo de ocultação de provas e obrigou-os a conduzir um inquérito mais credível sobre as causas do acidente.

Outro sinal de que alto vai mal no poder em Pequim surgiu quando o antigo potencial delfim Bo Xilai foi afastado num obscuro processo que parece ter tido por demolir as possibilidade deste líder carismático conseguir alcançar os mais altos patamares do poder.

O regime parece estar a ser corroído em vários dos seus mais fortes pilares: a contestação surda da população aumenta em crescendo, ano após ano, assim como o nível de vida e o conhecimento de que na maioria do mundo existem eleições, controlo democrático e liberdade de imprensa e navegação na Internet. O monolito que é o regime ditatorial do partido comunista chinês abre pequenas fissuras por todo o lado e, brevemente (como ilustram as greves recentes nas fábricas da Foxconn) estas serão incontroláveis. A Democracia pode então instalar-se na China, não sem que este país atravesse um período de grande instabilidade social e política. A opção do PCC responder a estas múltiplas pressões tornando o regime ainda mais ditatorial e fechado também existe, mas como demonstra o fenómeno (imparável) da Perestroika, uma vez aberto o dique, é impossível travar o processo. E o dique foi aberto através do processo de desenvolvimento económico na China.

Fonte:
http://blogs.afp.com/geopolitics.

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