Daily Archives: 2012/11/23

Levantar a bunda do sofá é preciso, mas isso não vai acontecer.

Já o disse, mas nunca na quantidade suficiente: se chegamos até ao ponto de quase morte de uma nação milenar isso não é da responsabilidade de uma classe política inepta ou de uma elite social, económica e inteletual irresponsável, corrupta e arrogante. Isso deve-se fundamentalmente à responsabilidade dos cidadãos – anónimos – de Portugal.

Foram estes cidadãos que num silencio ou passividade cronicas levaram Portugal ao ponto de quase-morte. Os mesmos cidadãos que “não têm tempo” para pensar, para levantarem os seus gordos rabos dos sofás e irem votar, participar na vida associativa e cívica das suas associações e comunidades locais, inscreverem-se em partidos e muda-los por dentro e que preferem gastar quatro ou cinco horas a falar inconsequentemente de política nos seus locais de trabalho. São estes cidadãos que nunca estão disponíveis para nada, porque “não têm tempo”, mas que depois deixam provas nos seus murais de facebook de que afinal têm tempo, e de sobra, para publicarem correntes e mais correntes e infindas fotografias de gatos ou outras vacuidades copiadas a terceiros.

Chegamos à beira do fim por culpa desta atual de portugueses. De portugueses jovens que julgando-se a “geração mais preparada” de sempre, do alto dos seus inúteis canudos de mestrados em marketing social ou doutoramentos em engenharia de golfe ou em artes interpretativas, exigem “emprego”, recusam sair de casa dos pais antes dos cinquenta e têm uma aversão doentia ao risco e imaginação zero. De portugueses lentos, medrosos e anafados que tudo fazem para eleger a comida e intermináveis narrações das suas aventuras em restaurantes como o ponto focal de todos os encontros sociais, ad nausea. De reformados dourados que passeiam os seus rabos gordos e enrugados pelas mesas dos cafés e restaurantes das avenidas novas, sugando a sua generosa parcela dos descontos ao trabalho a que “têm direito” devido às suas carreiras contributivas (tantas vezes obtidas de forma obscura) ou a generosas reformas antecipadas aos 55 anos.

Não culpem os políticos: culpem esta geração que hoje vive, de todas as idades, pelo ponto onde chegamos. Foram eles que deixaram as elites em roda viva e se demitiu das suas responsabilidades e deveres perante todo um milenar rol de gerações passadas.

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Em Defesa de um Plano de Estímulos para uma “Economia Verde”

Já o escrevi várias vezes e correndo o risco de me tornar repetitivo vou tornar a regressar ao assunto: Portugal não vai sair da atual Depressão económica sem que seja aplicado um intenso, decidido e bem orientado programa de estímulos e incentivos económicos. Em Portugal não podemos mais correr o risco de desperdiçar tempo ou dinheiro: Já gastamos tempo suficiente nos últimos vinte e cinco anos, ora culpando o “pai” (Salazar, o Antigo Regime ou a Inquisição) ora culpando o padrasto (a “União Europeia”, a “Europa”, a Globalização ou o neoliberalismo). Já o escrevi várias vezes e correndo o risco de me tornar repetitivo vou tornar a regressar ao assunto: Portugal não vai sair da atual Depressão económica sem que seja aplicado um intenso, decidido e bem orientado programa de estímulos e incentivos económicos.

Em Portugal não podemos mais correr o risco de desperdiçar tempo ou dinheiro: Já gastamos tempo suficiente nos últimos vinte e cinco anos, ora culpando o “pai” (Salazar, o Antigo Regime ou a Inquisição) ora culpando o padrasto (a “União Europeia”, a “Europa”, a Globalização ou o neoliberalismo). Não negamos a influência determinante desse fatores do nosso subdesenvolvimento crónico, mas chegou a altura de vencer esse complexo de adolescência (anacrónico num país com mil anos de existência) e pegarmos o nosso próprio destino coletivo nas mãos.

Não podemos, não devemos,  continuar a aplicar camada sobre camada de tapetes de austeridade, esmagando cada vez mais a economia nacional com impostos desproporcionados, com um Estado opressivo e disfuncional (porque centralizado e sequestrado pela partidocracia) e com estratégias nacionais corrosivas que servindo os interesses dos credores internacionais e dos países do norte da Europa (na estafada lógica Cavaquista do “bom aluno”) prejudicam seriamente o país e a sua capacidade para construir uma sociedade livre, dinâmica e prospera. Não busquemos lições ou conselhos no exterior. Saibamos dar o nosso próprio “Grito do Ipiranga” e declaremos a soberania nacional contra esses interesses externos que querem reger (e que hoje, efetivamente, nos governam em regime de “protetorado dos credores” = Troika).

Portugal tem partir simultaneamente por duas vias: na limpeza de balanço, declarando bancarrota parcial e recusando pagar a dívida imoral que décadas de irresponsabilidades e demissão popular dos deveres de vigilância e sufrágio deixaram instalar e implementar um plano nacional de estímulo económico que centrado em dois eixos: o Mar e a Economia Verde nos permita reconstruir o tecido produtivo e adquirir a soberania económica que deixamos transferir para fora das nossas fronteiras em troca de uma aparente riqueza e prosperidade.

Já discorremos amplamente, noutros artigos, sobre a necessidade de erguer uma política nacional do Mar, com estímulos financeiros e económicos à génese e desenvolvimento das atividades tradicionais ligadas ao Mar (Pesca, Portos, construção naval, transportes marítimos) e de atividades ditas de “terceira geração” (aquacultura, energia offshore, portos de transbordo offshore, recursos minerais, etc).

Mas num país tão dependente das importações de energia, tão descarnado de atividades produtivas do setor primário, há que complementar essa abordagem de um estímulo marítimo com um igualmente audaz plano de promoção a uma “Economia Verde” que nos liberte do jugo das importações de petróleo e gás e de energia elétrica de Espanha e França.

O bom trabalho desenvolvido no tempo do Socretismo tem que ser continuado, desta feita em termos mais sustentáveis e sem favorecer os “grandes interesses” (protagonizados hoje pela chinesa EDP e pela espanhola Endesa), mas promovendo a “auto-geração” por parte de pequenos e médios produtores nacionais e transferindo para estes os escandalosos subsídios estatais às grandes multinacionais do ramo e que são as tão criticadas “rendas excessivas” que a todos nos oprimem.

A descentralização, multiplicação e promoção de produção elétrica autónoma, sustentável e renovável deve ser estimulada, permitindo que este programa de estímulo chegue não a um pequeno grupo de empresas multinacionais estrangeiras, mas a um amplo leque de cidadãos, empreendedores e dinâmicos, capazes de entregar ao país a soberania energética que este nunca teve e de simultaneamente alavancar o desenvolvimento de uma indústria e ciência na área das energias renováveis realmente nacionais.

Em simultâneo, os transportes (públicos e particulares) devem ser alvo de um plano correspondente: promovendo transportes públicos baratos, amplamente disponíveis e ecologicamente sustentáveis. Complementarmente, a extensão da já existente rede de tratamento de resíduos e do seu reaproveitamento e sobretudo um plano de incentivos fiscais (IVA e IRS) à realização de obras que melhorassem o isolamento térmico e o rendimento energético de milhões de habitações em Portugal. Além de dinamizar o dormente setor da construção, o maior gerador de desemprego em Portugal, estas obras dinamizariam os meios locais, não em grandes (e caras) obras “hidráulicas”, mas numa multidão de pequenos melhoramentos que beneficiariam dezenas de pequenas e médias empresas em vez de uma quantas grandes empresas do setor.

Uma projeção recente, feita pela OIT para Espanha estima que se o país vizinho conseguisse gerar até 20% da sua energia por fontes renováveis seriam assim criados mais de vinte de 120 mil novos empregos, isto em menos de oito anos. A construção de uma rede elétrica para uso de veículos de transporte adaptados geraria, por sua vez, outros 770 mil empregos. A OIT faz um projeção idêntica quanto à reabilitação do rendimento energético das habitações (a maior fonte de desperdício energético em Portugal) estimando que a reabilitação de 25 milhões de habitações criaria mais de 1.3 milhões de empregos. A gestão de resíduos, por sua vez, criaria cerca de 30 mil empregos até 2016. O estudo não inclui Portugal, mas não é difícil amplificar estas conclusões e estimar que existe na aplicação de um “Plano de Estímulos para uma Economia Verde” a decorrer nessas várias frentes: Energias Renováveis, Mar, Resíduos, Transportes Sustentáveis e eficiência energética traria um forte impulso à economia nacional, alavancando a sua saída desta asfixiante depressão, quebrando o ciclo infinito de austeridade-depressão em que agora estamos imersos.

Fonte:
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1559397&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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