Daily Archives: 2012/11/22

Os engonhadores

São aqueles que não comem, nem deixam comer. Que vegetam nas empresas, nas escolas, nas famílias e nas associações e movimentos, arrastando pelo peso da sua gordura (lenta, ineficiente e medrosa) tudo atrás de si até ao imobilismo. São eles que ocupam postos de trabalho no Estado e nas Empresas enquanto um milhão de desempregados desespera por provar a sua utilidade social e que devoram o dinheiro dos nossos impostos (no funcionalismo) ou o esforço e empenho daqueles que mantém as empresas vivas na esfera das empresas privadas.

Estas sanguessugas são as mesmas que – no peso da sua esmagadora maioria – arrastaram Portugal até à beira de um abismo e o ancoraram aqui de uma forma que atualmente parece impossível de tirar. Os engonhadores levaram o país até ao ponto de Quase-Morte e aqui o mantém preso pela simples força do seu gorduroso peso esmagador.

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A alternativa islandesa

No ocidente, existiram pelo menos três modelos de resposta à turbulência financeira que assolou o globo depois de 2008: a resposta nem-sopa-nem-peixe de Obama que levou a uma retoma anémica: a resposta punitivo-austeritária de Merkel seguida caninamente por Passos e… a resposta islandesa.

Recentemente, o FMI elogiou os resultados da resposta islandesa à crise: em 2011, a economia cresceu 2.6%, um feito que foi repetido em 2012. Consequentemente, o desemprego caiu e os rácios da dívida pública e externa melhoraram significativamente.

Moral da História: punir criminalmente os responsáveis, declarar bancarrota controlada e recentrar uma economia excessivamente financeirizada numa economia produtiva resulta. Mas para isso Passos teria que não ser Passos, nem Portugal uma colónia germânica.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=581293

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Descreio profundamente de Portugal e dos Portugueses

Vamos rebentar e de forma sonora. Com sorte, levaremos connosco para o abismo da voracidade neoliberal alguns europeus do norte, com azar, cessaremos de Ser sem bufar, estrondosamente (porque um pais milenar não morre sem estrondo), mas sem deixar legado para os tempos futuros.

E vamos finar-nos porque merecemos desaparecer pela nossa passividade bovina, pelo corporativismo sindical crónico, pela recusa a combater o Medo e pela falta de ambição e de pensamento crítico. Malditos sejamos todos pela nossa incapacidade de vencer estes bloqueios atávicos da sociedade portuguesa – aqueles que têm a energia mental bastante para refletirem nestas questões – malditos sejam, também, aqueles que se deixaram transmutar de Seres Humanos em Bovinos ruminantes e passivos.

Recentemente, em conversa com Garcia Leandro rebati a sua opinião de que Portugal estava a morrer e que esse processo era irreversível. Agora, contudo, dou-lhe razão e ainda vou mais além: Portugal não está a morrer. Já morreu e aquilo onde vivemos hoje é só apenas uma sombra daquele país chamado Portugal que não existe mais e que feneceu algures nos idos de oitenta.

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Governação Aberta: uma forma alternativa de governação para Estados, Autarquias e Partidos Políticos

A Governação Aberta (em inglês “Open-source governance” é uma filosofia política que defende a aplicação à política das mesmas filosofias inventadas e desenvolvidas pelos movimentos que no meio da Internet e das Ciências da Computação deram origem a sucessos como Mozilla Firefox, o Linux, o MySQL ou o Apache. Emulando as filosofias destes movimentos, esta nova forma de fazer política permite que os cidadãos participem no processo de criação de novas políticas ou na alteração de políticas existentes da mesma forma que qualquer cibernauta pode participar numa página Wiki, na Wikipedia ou em qualquer plataforma que suporte este formato. Desta forma, o processo legislativo fica aberto os cidadãos, aplicando-se o principio do “crowdsourcing” (o “sabedoria das multidões”) que hoje começa a demonstrar o seu valor em muitos projetos empresariais. No processo, ficamos com uma democracia mais dinâmica e aberta.

Existem várias interpretações sobre como se pode transpor este conceito para a realidade, sendo que nas próximas linhas iremos apresentar a nossa própria interpretação do termo “Governação Aberta”:

1. Uso de Ferramentas colaborativas: Algumas ferramentas colaborativas como o IdeaScale, onde criamos a comunidade OpenPortugal que permite a submissão de ideias, votar nas mesmas e adicionar comentários. Para submeter ideias num site que funciona gratuitamente de forma quase ilimitada, basta escolher um título, dar uma breve descrição e escolher uma campanha (finanças, segurança social, empresas, etc). Depois de submetida, a ideia fica disponível para receber votos positivos ou negativos e regularmente são enviados relatórios por email a todos os participantes de cada grupo. Um sistema deste tipo, implementado com um peso relativo (por exemplo reservando para este um peso global na votação parlamentar de 20%) poderia democratizar a tomada de decisões políticas, abrindo à sociedade civil os claustros legislativos, hoje monopólio exclusivo de uma reduzida clique partidocrática.

2. Criar um site Wiki (devidamente moderado) e organizado por seções abertas a quem na Sociedade Civil estivesse capacitado ou certificado para produzir opiniões informadas e de qualidade (dirigentes associativos, académicos, investigadores universitários, autores com um certo número de edições vendidas, etc). Esta “Wikipédia do processo legislativo” seria uma ferramenta importante para abrir à sociedade civil o processo legislativo e melhorar a qualidade da vida democrática nacional.

3. A vida interna dos partidos político poderia beneficiar da utilização dos mecanismos de votação como o IdeaScale e de páginas Wiki para a elaboração de propostas e alternativas de governação. Um partido que incorporasse formas de governação aberta seria uma espécie de entidade coletiva, regida por referendo e online, algo que não foi ainda ensaiado em grande escala, mas que encerra em si a promessa de uma revolução na participação democrática na vida dos partidos e de dinamização das dormentes sociedades civis da atualidade. Um tal modelo de governação interna dos partidos poderia inclusivamente ser aberto a simpatizantes e cidadãos não identificados com nenhum partido, ampliando o papel da sociedade civil na elaboração de novas políticas e cativando novos elementos para o seio da organização com esta política de completa transparência e abertura cidadã.

4. Wikis avançadas: o modelo clássico de um site Wiki pode não ser suficientemente elaborado para permitir a sua utilização no contexto de uma Governação Aberta. Assim, um sistema Wiki, aberto como o modelo convencional, mas incorporando tags semânticas, diferentes níveis hierárquicos de controlo de conteúdos e scoring de de editores e moderadores pode ser exigido numa segunda fase (mais madura) da implementação de Wikis para a produção de Legislação ou de Propostas políticas.

5. Distribuições Locais: Desde há muitos anos que defendemos o modelo da Regionalização Municipalista como forma alternativa de Regionalismo e como cura radical para o problema do Centralismo que bloqueia desde há décadas o nosso desenvolvimento. Neste modelo de descentralização administrativa e democrática, o estabelecimento de um quadro legislativo local surge naturalmente em posição de destaque mas o problema de a partir de um dado momento termos uma multidão de quadros legislativos fragmentários ou (pior) incompatíveis impõe-se. Num modelo tão descentralista como aquele que advogamos (e que busca a sua inspiração direta na proposta agostiniana de tornar Portugal numa “federação de municípios independentes”), a produção de Leis locais, provenientes das Leis nacionais, mas sempre compatíveis num quadro constitucional comum é fundamental e encontra no modelo de “Distribuição Wiki” a sua solução: à semelhança das “distros” de Linux, um quadro normativo comum, com leis e normas municipais seria distribuída e atualizada regularmente a todos os municípios que depois, por processos democráticos, abertos e colaborativos as adaptariam às suas necessidades e idiossincrasias locais. Obviamente, apenas uma percentagem dessas leis “distribuídas” seriam efetivamente alterada e aquelas que o fossem sê-lo-iam de forma apenas parcial.

Conclusão:

A implementação de mecanismos de Governação Aberta ao nível de um Estado, Autarquia ou de Partido Político ou Associação apresenta várias vantagens: aumenta de forma radical a quantidade de pessoas que tomam parte no processo de definição de posições e através de técnicas de “crowdsourcing” pode aumentar a qualidade destas posições ou do próprio processo legislativo. A Governação Aberta é uma forma de democracia direta, adaptada aos tempos digitais e de acesso ubíquo à Internet, ampliando o espaço de participação e deliberação e encerra em si mesma a promessa de vivificação e dinamização de uma Sociedade Civil entorpecida e sequestrada pelos Interesses que se movem em torno da partidocracia e que nas democracias ocidentais repelem números crescentes de cidadãos de uma vida cívica ativa e plena, permitindo assim que pequenas castas familiares de “políticos profissionais” prosperem, usando (e sendo usados) pelos Media e pelos Grandes Interesses que governam efetivamente, na sua sombra.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Open-source_governance
http://openportugal.ideascale.com/

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