Daily Archives: 2012/10/30

Martin Wolf: Três Caminhos para a Zona Euro

“Há três caminhos possíveis na zona euro.
1. Prosseguir com as reformas a longo prazo, sendo a “união bancária” – o esforço para cortar relações entre soberanos fracos e bancos – a mais importante.”

– mas esta “união bancária” é, sem dúvida, uma antecâmara direta para uma forma – limitada – de federalismo. Tudo corre neste “longo prazo”, de forma lenta e plena de hesitações e recuos, mas num caminho que liga diretamente esta “união bancária” a uma decorrente “união orçamental” que trará a supervisão de cada orçamento nacional a entidades europeias, e, pouco depois, a cobrança de impostos à Europa, que depois os distribuirá pelos Estados europeus. Nesta caminhada para o federalismo é apenas um passo, mas decisivo, para um processo que será depois imparável e que… arranca (de novo) sem consultar, pela via do referendo os povos da Europa.

“2. Chegar a acordo sobre um programa de intervenção em Espanha num futuro muito próximo. O BCE deveria usar a sua nova política de “Transações Monetárias Diretas” para baixar as taxas de juro da dívida soberana em cerca de 3%. Neste momento, a Alemanha parece que mantém Espanha refém de eventuais progressos na Grécia. É um erro. No caso da Grécia, é necessário uma nova e profunda reestruturação da dívida, bem como a reestruturação dos empréstimos oficiais. O FMI só deve avançar com um novo programa para a Grécia se este garantir um perfil de dívida sustentável. Sem essa garantia não haverá investimento privado.”

– não é só a Espanha que está refém da Alemanha, é a própria Moeda Única e toda a União Europeia. Os cidadãos alemães foram convencidos pelos seus líderes políticos e por hostes de comentadores e opinion makers de que os povos do sul são uma chusma ígnara, com pouca vontade de trabalhar e totalmente dependentes do dinheiro dos seus impostos. Agora, agem de forma consistente: querem política punitivas que “castiguem” quem – no sul – tanto lhes fez ganhar exportações e emprego. Estar assim na europa não é estar. É estar para dominar, controlar e mandar. E se assim for, não queremos estar com Esta Alemanha Nesta europa.

“3. Ajustamento e crescimento. Um número importante no Relatório sobre as Perspetivas Económicas mostra que os atuais desequilíbrios da balança corrente dos países deficitários tenderão a desaparecer à medida que a sua economia for afundando. No entanto, nada indica que os excedentes nos países credores venham a diminuir.”

Ou seja, os países do sul – liderados por Portugal e a Grécia – estão a empobrecer violentamente e de forma rápida, para grande gáudio germânico… a europa não pode, não deve ser isto: uma assimetria que se aprofunda, uma lógica punitiva do norte contra o sul, exigência fanática de austeridade sem o necessário pacote de estímulos propulsado pelo Capital que se acumula sem parar a norte (fruto de exportações sempre crescentes e de empréstimos com juros negativos). A europa, assim, caminha para o seu fim: a um dado ponto os povos dos países do sul vão exigir uma de duas coisas: ou a saída de uma União Europeia que parece eternamente insaciável com o ritmo do seu empobrecimento, enquanto – pornograficamente – não pára de acumular riqueza ou, então esses povos do sul exigirão a saída da União Europeia desses países do norte (Holanda, Alemanha, Finlândia) que parecem enredados cada vez mais profundamente numa lógica racista e egoísta que não serve a ninguém a não ser os interesses das suas massas ígnaras e demagogicamente manipuladas pelos Grandes Interesses económicos e financeiros que governam a Europa – de facto – a partir dos bastidores.

Comentário a um artigo de:
Martin Wolf, Colunista do Financial Times
http://economico.sapo.pt/noticias/o-fundo-avisa-e-estimula_154336.html

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Paul Krugman: “As nações endividadas da Europa, países como a Grécia e a Espanha que pediram muito dinheiro emprestado durante os anos de prosperidade antes da crise (sobretudo para o financiamento das despesas do setor privado e não para o investimento público), estão todas a braços com crises orçamentais: ou já não conseguem pedir mais dinheiro emprestado, ou só podem fazê-lo a taxas de juro incrivelmente altas”

“As nações endividadas da Europa, países como a Grécia e a Espanha que pediram muito dinheiro emprestado durante os anos de prosperidade antes da crise (sobretudo para o financiamento das despesas do setor privado e não para o investimento público), estão todas a braços com crises orçamentais: ou já não conseguem pedir mais dinheiro emprestado, ou só podem fazê-lo a taxas de juro incrivelmente altas. Até agora conseguiram evitar ficar sem dinheiro porque, através de processos variados, economias europeias mais fortes, como a Alemanha, e o Banco Central Europeu têm estado a canalizar-lhe empréstimos. Mas esta ajuda vem com condições: os governos dos países devedores foram forçados a impor programas de austeridade selvagens, reduzindo as despesas mesmo em itens básicos como os cuidados de saúde.”

Fonte:
“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)

Estas falsas “ajudas” (que de facto, comportam juros muito lucrativos para estes hipócritas ajudadores do norte da europa) têm arrastado para uma Depressao duradoura e profunda os países do sul. A Grécia – país que há mais tempo é vítima do momenatismo fanático germanico – está imersa numa situação que se degrada ano após ano, sem final à vista e a vagas sucessivas de austeridade.

Todos os países europeus estão assim a aplicar politicas austeritarias intensamente recessivas que estão a arrastar a Procura, e com ela o Emprego para níveis historicamente apenas comparaveis aos da Grande Depressao da decada vinte e trinta.

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