Paul Krugman: “Os governantes alemães apontam para a reestruturação do país ocorrida desde finais da década de 1990 até à atualidade como um modelo a ser seguido por todos”

“Os governantes alemães apontam para a reestruturação do país ocorrida desde finais da década de 1990 até à atualidade como um modelo a ser seguido por todos. O fulcro dessa reestruturação foi o facto de a Alemanha ter passado de um défice comercial para um excedente comercial: ou seja, passou da situação de comprar mais no estrangeiro para a situação inversa. Mas isso só foi possível porque outros países (sobretudo do Sul da Europa) passaram correspondentemente a afundar-se num défice comercial. E agora estamos todos a braços com problemas, mas não podemos vender mais do que aquilo que compramos. No entanto, os alemães parecem não compreender isso, talvez porque não querem compreender.”

Fonte:

“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)

E isto sucedeu porque a maioria do comércio dos países europeus se desenvolve precisamente para dentro do espaço comunitario! Como sucede agora com os juros da dívida soberana que agora a Alemanha “paga” com juros negativos e os países do sul com juros especulativos, a pobreza de uns corresponde com uma exatidão digna de um espelho de cristal a riqueza de outros.

A adoção do Euro, como moeda única, foi nesse sentido uma peça preciosa para o jogo alemão: permitiu que os países do sul, aumentassem a sua dívida externa de forma explosiva devido às baixas taxas de juro e que, assim, comprassem bens transccionaveis à economia alemã, no mesmo momento em que bem planeadas políticas europeias tercializavam os países do Sul e os tornavam em gigantescos “resorts” turísticos para reformados e turistas do norte da europa.

O certo é que a “receita” alemã que agora a troika (dois terços europeia, logo, alemã) nos está a aplicar não pode funcionar: encolher as despesas do Estado pela via austeritaria sem ter uma economia primária e secundária forte não produz nada mais que depressão e desemprego em feedbac recíproco permanente, num verdadeiro ciclo de morte que pode agradar aos faustos germanicos que agora ditam as suas leis no sul da europa, mas que arrasta cada vez mais todo o continente para um Ragnarok de proporcoes ainda difíceis de antever.

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | 2 comentários

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2 thoughts on “Paul Krugman: “Os governantes alemães apontam para a reestruturação do país ocorrida desde finais da década de 1990 até à atualidade como um modelo a ser seguido por todos”

  1. MENTIRA & TRAIÇÃO

    http://daliteratura.blogspot.pt/2012/10/mentira-traicao.html

    Aqui está um livro muito importante para seguir a génese do PEC IV; as negociações secretas com a Comissão Europeia e o BCE; a mentira de Passos Coelho (mentiu ao dizer que tinha sido informado por telefone; na realidade, esteve reunido com Sócrates cerca de três horas, na noite de 10 de Março de 2011, na residência oficial do primeiro-ministro); o dito por não dito do líder do PSD; a birra de Cavaco; a desorientação em Bruxelas assim que se soube que Passos Coelho tinha virado o bico ao prego; a ira de Durão Barroso; o remoque de Merkel a Passos Coelho (a chanceler ficou furiosa com o chumbo do PEC IV); a queda do governo; as pressões dos banqueiros; a traição de Teixeira dos Santos; o pedido de resgate, etc.

    • Sem dúvida a ler… até para compreender melhos o que corre de facto nessa esfinge chamada Passos Coelho.
      E porque se entrefa tanto nas maos de Gaspar e Relvas.

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