Portugal precisa de um verdadeiro Plano Nacional para a Informática

Portugal é um dos poucos países do mundo desenvolvido onde grande parte dos estudantes do primeiro ciclo possuem um computador pessoal portátil (o “Magalhães”). As virtualidades que daí poderiam advir são tremendas, mas fica a sensação desagradável (como se de uma comichão se tratasse) de que essa ferramenta não só não está a ser explorada em todas as plenitudes das suas potencialidades, como está – pior – a ser mal usada.

Portugal tem hoje entre as suas mais dinâmicas e saudáveis empresas exportadoras algumas empresas de TI. Em termos globais, o setor das Tecnologias de Informação e das Comunicacoes tem uma importancia cada vez maior, mas fica a sensação de que o país não está a crescer tanto neste setor como podia. Apesar do crescimento aparentemente descontrolado dos números do desemprego, há muitas vagas por preencher no setor das TI e sendo certo que esse desafasamento deve muito aos salários que se pretendem atribuir, existe também um nítido fenómeno de insuficiencia universitaria em fornecer a quantidade necessária de licenciados nesta área vital para o desenvolvimento do país.

Portugal precisa de um verdadeiro Plano Nacional para a Informática: que abranja todos os graus de ensino, desde o básico até ao universitario, sem esquecer o secundário. É preciso que os Magalhães e demais laptops fornecidos a preços reduzidos sejam efetivamente usados como verdadeiros computadores que são e não como “máquinas estúpidas” que pouco mais fazem que correr jogos Flash, Chat e Facebook.

Este Plano Nacional de Informatica deve:
1. No Básico promover a utilização de software aberto e novas releases do Magalhães (hoje suspensas) devem incluir apenas sistemas operativos abertos Linux, como o português Caixa Mágica. As distros não podem incorporar por defeito aplicações de Chat, jogos ou outras distracoes. As editoras devem trabalhar em conjunto numa plataforma que preserve os direitos autorais que possibilite a total virtualizacao dos manuais escolares, poupanndo em custos de impressao, distribuição e armazenamento e reduzindo a pegada de carbono do país. Noções básicas de programacao devem ser ensinadas às crianças, desenvolvendo nos meios universitarios (se necessário) uma nova linguagem de programacao adequada a esse fim.

2. As limitacoes quanto ao uso de Chat e Jogos nestes computadores de meio escolar devem manter-se, assim como a utilização exclusiva de software aberto no nível Secundário de ensino. Os objetivos da utilização da informatica neste nivel devem ser – naturalmente – mais ambiciosos, passando pela produção de conteúdos originais (p.ex. para a Wikipédia portuguesa), e, sobretudo, pelo desenvolvimento de competências de programacao que levem à produção de aplicações que corram em diversas plataformas, como o Android, iPhone, ou em webservers e computadores desktop.

3. Nos níveis mais elevados de ensino (licenciaturas, mestrados e doutoramentos) devem manter-se as mesmas lógicas dos níveis anteriores (foco no Código Aberto e nas competências de programacao), incorporando métricas de sucesso (número anual de novos licenciados, de novas empresas de TI, de exportacoes e emprego gerado neste setor), recebendo as universidades públicas incentivos financeiros em função do sucesso obtido em cada uma dessas métricas.

Como caso de estudo neste Plano Nacional para a Informatica Portugal deve estudar o sucesso israelita, país de dimensao demografica e economica comparavel e que deve o seu sucesso atual nessa area a um plano idêntico desenvolvido nesse país do Médio Oriente na decada de noventa. Em particular, a transformacao da disciplina de Informatica, como curricular, ao lado da Matemática e do Português deve ser ponderada, assim como um aumento exponencial da exigência dos programas, nomeadamente ao nível das competencias de programacao e redes.

Categories: Ciência e Tecnologia, Informática, Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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