Porque é a Sociedade Civil portuguesa tão passiva?

Perante uma vaga tão sistemática e crescente de sacrifícios induzidos a partir do exterior e que não estão a ser repartidos por toda sociedade seria de esperar que a conflitualidade social fosse mais intensa.

A recessão – cada vez mais profunda – está a ser intensificada pela erosão do Estado Social que em Portugal foi construido não na década de 60 (como no resto da Europa) e que está profundamente associado ao regime democratica. O termo do Estado Social ou, pelo menos, a sua compressao até um “Estado Social Mínimo” muito do agrado dos neoliberais deveria estar a provocar uma severa ebulição social. Mas nada se observa. Além de uns quantos sincalistas mais ou menos profissionais e que desconexas e improdutivas manifestacoes de rua, nada se observa nem dá sinais sequer de despontar.

Dois fenómenos concorrem para explicar esta passividade social portuguesa:
1. As revoluçoes nascem, desenvolvem-se e produzem efeitos sempre nas camadas jovens das sociedades (dos 18 aos 30 anos), ora Portugal, devido a uma das mais baixas taxas de substituicao demografica do mundo, tem uma das piramides demograficas mais invertidas do mundo: isto é, tem poucos jovens e, ainda por cima, respondendo ao agravamento da crise e aos criminosos apelos governamentais, os seus elementos mais dinâmicos e audazes não vão fazer nenhuma revolução porque estão a emigrar massivamente!

2. O outro fenomeno social que explica o facto de a ultima revolta social ter sido em… 1383 (a Maria da Fonte não conta, já que se inseriu no contexto muito especifico das Lutas Liberais). Existe algo na mentalidade portuguesa que não propicia a revoltas sociais. Seja uma herança do fatalismo judaico (que compoem um quarto da nossa massa genética comum), das perseguicoes castradoras da Inquisição ou do Ultracatolicismo de Dom João III, dos cinquenta anos de Salazarismo ou do entorpecimento mediatico atual, o certo é que algo no temperamento luso não propicia a revoltas sociais.

Mas isso não quer dizer que os Poderosos do norte da Europa (que são, recordemos, dois terços da Troika) consigam prosseguir a sua agenda de destruição do Estado Social português. Os quarentoes podem revoltar-se se o fenómeno do Desemprego crónico os levar à exigida dose de desespero e se a fome das suas famílias os levar a tal extremo. De facto, é aqui que reside hoje o verdadeiro detonador da Revolta Social que se desenha hoje de forma cada vez mais nítida no horizonte: no desemprego crónico de cidadãos seniores.

Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | 11 comentários

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11 thoughts on “Porque é a Sociedade Civil portuguesa tão passiva?

  1. JB

    Sessentões e Cinquentões e Quarentões!
    Acordem!
    Vamos Lá A Ajudar A Rapaziada Nova!
    Mov It !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. JB

    Há mais um factor: A Quebra Da Confiança Do cidadão No Estado!

    Quando D. Manuel I expulsou os judeus, e depois os baptizou colectivamente e coercivamente, e fez de seguida uma moratória claramente interesseira.

    Ao esqueceu nesse momento toda a ajuda técnica e financeira dada até esse reinado pelos judeus, mormente nos descobrimentos.

    Quebrou De Vez Com A Confiança de TODOS Os Cidadãos Em Geral No Estado.
    Quebra de Confiança de Consequencias Gavissimas pois se estendeu automaticamente em termos psicológicos a Todas As Raças Credos e Confissões Religiosas; Incluído Mesmo A Católica; Que Assistiu A tudo,
    E Teoricamente Até Poderia Ser A Beneficiaria!.
    É que o medo e a insegurança, faz sempre marca na conducta! futura!

    Os cidadãos tiveram a partir daí a certeza de não mais poderem confiar na palavra dada pelo estado, e que o estado não era pessoa de bem!

    Esta confiança nunca mais se recuperou até hoje!

  3. Gisela

    Muitos temem que a violência e a falta de controle acabem tomando conta, na pior das hipóteses. Mas da consciência dos meios alternativos e o fortalecimento das capacidades dos portugueses deverá imergir uma revolução sim, mas pacífica.
    Por isso parabenizo o MIL, espero que tenham mais voz e que sejam ouvidos em todo o Portugal, pois vejo que acordam a natureza deste povo fortalecendo-o.

    • Focando no vero destino de Portugal: europeu (nao negando essa evidencia geografica e civilizacional),mas integrando essa carateristica na vocação universal e lusofona que herdamos dos franciscanos e do culto do Espirito Santo introduzido em Portugal (e Brasil) por Raimundo Lulio e outros herdeiros do pensamento de de Flora…

  4. Caro Clavis Prophetarum,

    Não vejo que este espaço seja democrático, pois controla os comentários que aqui se publicam, o que é normal, mas quando são censurados pela divergência de opiniões pois nada têm de ofensivo ou palavras obscenas, já deixa de ser normal…

    Aqui eu não comento mais nada!

    • Nao censuro nada. Ha um motor automatico de spam para barrar as centenas de mensagens de venda que aqui aparecem todos os isso. Por vezes o motor apanha comentarios legitimos (como os seus) e eu, horas depois, quando vou ao site, desbloqueio-os. É apenas isso.

      • João

        CP, posso dar uma sugestão?
        O que você acha da ideia de colocar um aviso no final das suas publicações no Quintus a respeito do problema do motor automático de spam e pedir paciência aos comentadores?

    • Gisela

      Miguel, assisto de longe o trabalho brilhante que o Quintos, o MIL e até as suas postagens…e espero que todos mantenham união entre vocês. Vosso trabalho de conscientização é importante demais e de grande contribuição para que Portugal resgate sua força. É momento de colaboração, solidariedade, união e força.
      Gisela

      • E nao iremos ao ar desta vez, decerto… sao mais de 900 de crise quase sucessivas, quase sempre fatais, quase sempre impossiveis de ultrapassar.
        Mas ainda cá estamos.

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