O Governo de Iniciativa Presidencial de Tecnocratas pró-europeus e cavaquistas que se cozinha

Pacheco Pereira não tem muita influência no Passismo atual, decerto. .. mas é ouvido pelos sequazes do Cavaquismo e por todos aqueles que no PSD – não sendo Cavaquistas – repudiam o estilo merkeliano, austeritário ou fiscalocrata de Passos. E de permeio, também, por todas as forças que na retaguarda manobram para tornar a atual União Europeia numa falsa “federação”, não-democrática, dominada pelos países do norte da Europa e muito pouco “europa dos povos” e muito mais “europa dos Interesses”.

Há sinais crescentes que Portas após a aprovação do OGE2013 se prepara para sair do governo e, sem fazer cair o Governo, apoia-lo, caso a caso, a partir das bancadas do Parlamento, resguardando assim a sua base eleitoral das enxurradas que ai vêm (autárquicas, IMI, IRS, descarrilar do défice, etc). Perante esta iminente saída de Portas, Cavaco pode tomar duas opções: ou mantém Passos no poder, sem maioria, ou demite Passos e nomeia um governo de iniciativa presidencial.

Como antes na Grécia e na Itália, sabemos que essa tese, a de um governo de iniciativa presidencial formado por tecnocratas preocupados apenas com o cumprimento do Memorando com a Troika e sem preocupações com eleições (que não disputam) que é favorecida nas chancelarias do norte da europa, se Passos perder a maioria parlamentar automática de que agora goza é nesse sentido que a “europa” empurra: um governo tecnocrático (não eleições antecipadas) que dure até ao fim do programa de ajustamento (agora chutado para 2013).

Um governo tecnocrático, respondendo apenas perante Cavaco e a troika seria muito contestado nas ruas e a punição eleitoral ao PSD nas autárquicas do ano seguinte seria astronómica, razão pela qual Passos tudo fará para a evitar. Mas levou muito longe a obsessão pelo aumento da carga fiscal e a incapacidade para enfrentar os lobbies da Despesa, e agora, não lhe restam opções, além de aguentar o mais possível até que a europa acorde (se acordar) e acorra a Portugal com um verdadeiro “plano Marsahll”. Mas tal coisa não se vislumbra no horizonte, nem convém a esta Eurocracia que nos rege…

Não duvidemos: um governo de tecnocratas escolhidos entre os Cavaquistas e fiel apenas a Bruxelas fará o atual governo parecer – por comparação – com um bando de coelhinhos brancos, broncos, mas inocentes. Um tal governo será insensível à força das ruas, resguardado pela polícia de choque e por futuros cargos dourados em Bruxelas. Um tal governo não respondera jamais a eleições ou aos cidadãos, mas aos interesses do merkelismo, dos credores e dos países do norte. Um tal governo será a prometida “suspensão da democracia” que outros pediam por seis meses, mas que agora teremos que gramar durante dois anos. E findo este período a europa já se terá transformado nessa “federação” não-democrática, regida pelo norte que hoje se cozinha lá pelas bandas do norte…

Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | 4 comentários

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4 thoughts on “O Governo de Iniciativa Presidencial de Tecnocratas pró-europeus e cavaquistas que se cozinha

  1. Seja qual fôr a forma como Passos for demitido,se nao chegar ao fim da legislatura, o PSD está mal,e vai ter uma debacle eleitoral.O problema é se o PS também a tem,porque entao os dois partidos estruturadores deste estado partidocrata, estão falidos, será entao a altura de lançar nova estrutura partidária,para evitar os perigos da radicalizçao à direita,ou à esquerda..

    • Ora bem… e há quem esteja a trabalhar precisamente nessa mesma direção. Como brevemente se virá a saber, de resto.

      • É muito dificil impôr em pouco tempo, mais do que criar,uma nova formaçao partidária,que deve servir,para substituir as que falharam.Tem de se apresentar dialogante, com projecto novo, gente nova,fortemente enraizada no mundo do trabalho e degnadamente na classe média, e acima de suspeitas. Durante 30 anos tivemos um rotativismo de um Bloco Central poderoso e tentacular como um polvo, que dominou em exclusividade, apesar de tantas criticas, e denúncias, no espectro partidário portugues.
        Com a aceleraçaõ que as coisas estão a tomar no nosso país, e todos os dias constatamos falhas graves deste Governo, e do seu ministro da economia,é provavel que entretanto o PR avance para outra formula “À la Monti” como fez face ao governo Berlusconni o P.R italiano.
        Entre nós, salvaguardando as questões sexuais palacianas em que se envolveu o Cavaliere, o governo de Passos também está num desnorte muito grave, e descredibilização acelerada.
        O estudo feito pelo “Publico”veio demonstrar as ligaçoes/favoritismos de Passos Coelho e Relvas durante o periodo 2002 a 2007 em que foi admnistrador de uma empresa ligada ao Poder Local, e Relvas Secretário de Estado com essa pasta.Era uma empresa recheada de jotas ambiciosos mancomunados para se beneficiarem uns aos outros, que receberam avultadas quantias do governo e da comunidade europeia durante os governos PSD,Durão Barroso,e Santana Lopes.Uma desvergonha!O Portas está tambem descredibilisado face aquilo que outrora defendeu, e hoje tem de subscrever.
        O Bloco Central está em crise gravissima, e as jotas paralelamente tem a sua enorme responsabilidade com o seu carreirismo aprendido desde pequeninos, nos partidos e

        • Tenho a certeza de que essa “fórmula monti” está a ser ensaiada e cozinhada ja neste momento nos bastidores e que colhe ja o aval “entusiasta” (tanto quanto tal é possivel ao serafico cavaco).
          E se os cidadaos pensam que Passos é mau… entao imagine-se como sera um governo de eurocratas, nomeados por um presidente no fim de mandato: será um governo que nada temera, porque não dará jamais conta aos eleitores.

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